Ninguém é comum

 

O capacete de astronauta que Auggie Pullman usa em Extraordinário [Wonder, EUA, drama, 2017, 114 min.] é metáfora para aqueles dias em que queremos nos isolar do mundo. Está para além de alguém que, por qualquer deficiência (caso do protagonista) ou condição outra, se sinta rejeitado e evite o convívio com outros seres humanos – esta espécie tão cruel, como vimos no filme.

“Ninguém é comum”, diz uma personagem a certa altura. Se pararmos para pensar, eis a síntese. O filme de Stephen Chbosky nos leva a refletir sobre o quanto podemos ser cruéis e preconceituosos, às vezes involuntariamente. É um chamado à mudança de comportamento. O filme guarda momentos para rir e para chorar e isto nem de longe significa irregularidade. Pode parecer por demais “romântico” em determinadas situações? Talvez, por sua própria característica ficcional. Mas isto também não é um problema.

Auggie é um garoto que nasceu com uma deformação facial, passou por 27 cirurgias e só vai à escola na altura da quinta série do ensino fundamental, após anos estudando em casa com a mãe. O fato de não sabermos exatamente qual o problema de saúde do personagem ao longo do filme é um acerto. Trazendo da película para a vida real: isso realmente importa? Devemos, sim, estar dispostos a aceitar as pessoas como elas são.

Com leveza e delicadeza, mas sem perder a seriedade, Extraordinário discute diversas questões de nosso tempo, passando principalmente por bullying na escola, psicologia infantil e conflitos adolescentes, em uma narrativa costurada a partir dos olhares, histórias de vida e percepções sobre Auggie – cujo ponto de vista predomina – por aqueles que o rodeiam.

Baseado no livro homônimo [2012] de R. J. Palacio, Extraordinário tem ótimas atuações de Jacob Tremblay [Auggie] e Julia Roberts [sua mãe]. Há uma ponta com Sônia Braga: a aparição é ligeira, mas a brasileira nasceu mesmo para roubar a cena. Merecem destaque ainda a atuação de Mandy Patinkin, que interpreta o diretor da escola de Auggie, e as citações à franquia Star Wars.

“Entre estar certo e ser gentil escolha ser gentil”, diz um preceito de um dos professores de Auggie. Cada ser é um ser, independentemente de sua condição. Cada espectador terá sua própria reação, aprenderá uma lição ao assistir Extraordinário. Difícil será ficar indiferente a ele.

Um comentário sobre “Ninguém é comum

  1. Adoro os projetos aonde Owen Wilson participa. Em 2017 houve estréias cinematográficas excelentes, mas o meu preferido foi a Extraordinário por que além de ter uma produção excelente, a história é linda. Jacob Tremblay esta impecável no filme, ele sempre surpreende com os seus papeis, é muito jovem pero talentoso, se mete de cabeça nas suas atuações e contagia profundamente a todos com as suas emoções. Adoro porque sua atuação não é forçada em absoluto. Suas expressões faciais, movimentos, a maneira como chora, ri, ama, tudo parece puramente genuíno. Terá um grande futuro como ator, recém o vi em Refém do Medo, inclusive, aqui encontrei os horários: https://br.hbomax.tv/movie/TTL604331/Refem-Do-Medo sendo sincera eu acho que a sua atuação é extraordinário. Também é um excelente filme, eu mais gosto é o terror psicológico.

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