Arquivos diários: 8 de julho de 2016

De Holanda para Holanda

Samba de Chico. Capa. Reprodução
Samba de Chico. Capa. Reprodução

 

De gerações distintas, são dois craques da música brasileira. Um, gênio da composição, letrista e melodista esmerado, que também interpreta; outro, instrumentista inventivo e habilidoso, renovador de seu instrumento, inventor do bandolim de 10 cordas, que também compõe.

Dois de Holanda, ambos cariocas, o tributado Chico Buarque, e Hamilton, que lhe presta homenagem. O encontro – literal, já que o homenageado canta em duas faixas – não poderia ser diferente do ousado Samba de Chico [Biscoito Fino, 2016].

Se por um lado, a quem lê o repertório na contracapa, antes de ouvir o disco, pode parecer o que de fato é, um best of Chico Buarque, com todas as músicas por demais conhecidas e bastante assobiáveis – com exceção da faixa que dá título ao disco, da lavra de Hamilton de Holanda –, é justamente aí que mora o perigo, explicado em texto no encarte: “o desafio foi grande e agradável. Gravar um disco de músicas com letra, todas bastante conhecidas, sem letra, instrumental. O objetivo era encontrar um novo caminho para chegar ao mesmo destino: a emoção”. Missão cumprida.

Chico Buarque é autor solitário de quase todo o repertório. Em parceria apenas Piano na Mangueira (com Tom Jobim), Atrás da porta e Trocando em miúdos (ambas com Francis Hime). Ele próprio volta a temas que há tempos não cantava e afaga as mãos que lhe homenageiam: empresta sua voz a A volta do malandro e Vai trabalhar, vagabundo, endossando o álbum.

No geral mantendo-se fiel aos arranjos originais, Hamilton de Holanda (bandolim 10 cordas e direção musical) é acompanhado por Thiago da Serrinha (percussão), Guto Wirtti (contrabaixo acústico) e André Vasconcelos (contrabaixo acústico). Além do homenageado outros convidados são o pianista italiano Stefano Bollani (em Piano na Mangueira e Vai trabalhar, vagabundo) e a cantora catalã Silvia Perez Cruz (em Atrás da porta e O meu amor), garantindo charme extra com seu português com sotaque.

O projeto gráfico de Samba de Chico tem um mercado como locação. “Claro que não foi uma fácil escolha de repertório, daria pra gravar vários discos com sambas de Chico”, adverte o mesmo texto. Não faça ouvidos de mercador a esta seleção, eis o cofo com as escolhas de Hamilton de Holanda, no ano em que se celebram seus 40 anos de vida e os 100 anos de samba.