Alonso dá prioridade total para tríplice coroa e não corre no mundial em 2019

Alonso pode até não voltar, mas sai deixando as portas abertas.

O 14 de Agosto de 2018 foi palco de um conjunto de comunicados que podem até ser uma coincidência, mas tem mais o jeito daquelas informações informações inconclusivas. O que sabemos até agora é apenas onde Fernando alonso não vai estar em 2019, que os dirigentes da Indy estão trabalhando junto com a McLaren para viabilizar a entrada do time naquele campeonato e que não, o espanhol não está se aposentando. Vamos por partes.

Apesar de o vídeo divulgado pelo bicampeão ter um tom de despedida claro como água, em seu comunicado, Alonso deixa claro que acredita na recuperação da McLaren para os próximos anos e que consideraria esta a oportunidade ideal de retomar sua carreira no mundial. Sabemos que a prioridade de Alonso é concluir a conquista da tríplice coroa. Se ele realmente for para a Indy ano que vem e vencer as 500 Milhas de Indianápolis logo em 2019 ou 2020, um retorno não seria improvável, se ele ainda quiser e se tiver um carro vencedor para guiar. Se demorar mais do que isso, a idade (rondando os 40) pode começar a pesar.

Outro detalhe é que há grande chance de Alonso e McLaren serem adversários nos EUA. Ainda que tenha deixado as portas abertas no time laranja, ele visivelmente se colocou em posição de escolher aonde vai correr. Ele, sem dúvidas, tem cacife para chegar, inclusive, num time que usa o motor Honda por lá e fazer a equipe trocar de motor, se for o caso. Fica até parecendo um casamento que, antes de acabar em definitivo, tenta uma última cartada, apostando numa relação aberta esse entre Alonso e McLaren. Quem viver verá.

Para o ano que vem, ele deve completar o campeonato 2018/2019 do WEC, onde certamente será campeão. Não se espantem, inclusive, se WEC e Indy trabalharem juntas ajustando seus calendários para dividir Alonso numa boa, dando um banho nos dirigentes da F1, que ainda tenta se mover para mudar dentro dos vícios herdados da era Bernie Ecclestone…

O colapso dos times independentes aponta para uma F1 sob total controle das montadoras

 

Vijay Mallya teria sido pego de surpresa quando perdeu o controle de sua equipe 

O mundo da Fórmula 1 ainda segue bem confiante de que a troca de mãos na direção dos negócios do mundial com a saída de Bernie Ecclestone e a entrada dos americanos da Liberty. De todo modo, pode ser que a oxigenação esperada com os novos administradores pode estar demorando demais. O circo que está em movimento ainda é o legado pelo veterano dirigente britânico, que transformou o campeonato no maior negócio do mundo esportivo, mas deixou um organismo que, se não está em decomposição, parece incapaz de se renovar para iniciar um novo ciclo de crescimento.

O fato é que ainda estamos vendo os carros e as regras legados por Ecclestone, enquanto a Ferrari lidera a parte mais poderosa do grid num esforço para manter tudo como está, principalmente no que se refere à divisão de prêmios e verbas em geral. Nesse meio tempo, vimos o fim da Manor e acompanhamos ao vivo a agonia sem fim de McLaren e Williams, que deve seguir a Sauber e virar satélite de uma das grandes montadoras para não desaparecer. mesmo a Force India, onde a crise ainda não afetou decisivamente o desempenho, está sob administração judicial em busca de novos donos para não encerrar as atividades.

Enquanto Ross Brawn fala pela FIA garantindo que “vai fazer de tudo para ajudar a Force India a permanecer no grid” e alega-se que não falta quem a queira comprar (incluindo a Mercedes e o pai de Lance Stroll), equipes como McLaren, Williams e Renault vem criando obstáculos para a operação de salvamento seja para evitar que ela vire uma equipe satélite de uma rival, para eliminar uma forte concorrente pelas premiações ou mesmo comprar barato seu espólio e recursos humanos em caso de falência. Cada vez mais a F1 vai ficando parecida com a Moto GP, onde os times garagistas passaram faz tempo da condição de clientes para a de filiais. Isso, numa categoria com um longo histórico de manipulação de resultados com ordens de equipe…

Haas e Sauber são satélites da Ferrari, a Red Bull mantem a Toro Rosso e a Mercedes está prestes a estabelecer um controle direto sobre Force India e Williams, restando Renault e McLaren as voltas com seus próprios problemas enquanto protestam contra esse processo de concentração de poder político, esportivo e econômico…

Conspiração para vitória de Alonso empana o brilho de Le Mans em 2018

Alonso, Buemi e Nakajima vencem 24 Horas de Le Mans marcada por facilidades questionáveis

Fernando Alonso conquistou a vitória mais fácil de sua carreira na última 24 Horas de Le Mans. De fato, o espanhol está bem próximo de completar sua sonhada Tríplice Corôa (soma das conquistas do GP de Mônaco, 500 Milhas de Indianápolis e de Le Mans), caminho escolhido por ele para reafirmar seu valor diante das dificuldades que tem enfrentado na F1 com carros pouco competitivos.

Tudo indica que Alonso, que já venceu em Mônaco duas vezes na época das vacas gordas, pode até encarar uma temporada completa na Indy como preparação para completar seu objetivo. A McLaren vem agindo cada vez mais seriamente no sentido de abrir uma filial no EUA e participar do certame americano, num movimento que tanto reforça os laços com seu ativo mais importante e busca novas oportunidades de bons negócios. De fato, a tendência é que o asturiano passe a se focar cada vez mais nas 500 Milhas, principalmente se ele não conseguir um carro mais competitivo no mundial, aumentando ainda mais as chances de conquista em Indianápolis.

Mesmo assim, pode ser importante que Alonso considere a conquista de uma segunda vitória em Le Mans. Esse ano, a facilidade foi tanta que é grande a possibilidade de ficar um asterisco a diminuir seu feito. Os organizadores do mundial de endurance abriram espaço para equipes privadas na LMP1, principal categoria da competição, com motores convencionais, desde que não pudessem virar tempos mais rápidos que quem estivesse usando motores híbridos. Algo que apenas a Toyota fez esse ano. Com os recentes abandonos de Porsche e Audi, os organizadores entregaram a vitória de bandeja para os japoneses que, por sua vez, embrulharam como um presente para a estrela da Fórmula 1. A rigor, eles precisaram apenas completar a prova.

Completar a tríplice corôa ainda é difícil. Não são poucos os casos de bons pilotos que passaram a vida inteira tentando vencer no oval de Indianápolis sem sucesso. Pode ser no ano que vem como pode demorar mais de dez anos sem acontecer. Mas se acontecer, por mais heroica que seja a conquista, não será justo colocar Alonso no mesmo patamar que Graham Hill. O Mister Monaco não recebeu suas conquistas de bandeja. O pai de Damon Hill era um gentleman e merece mais do que ver seu feito diminuído pelo oportunismo de quem pode e quer lucrar com a possibilidade de o espanhol repetir a proeza… mesmo que sem o mesmo mérito.

 

Depois da vitória em Mônaco, um choque de realidade para Daniel Ricciardo

Ricciardo vem descobrindo que é mais fácil bater Verstappen do que alcançar Vettel e Hamilton

Se Daniel Ricciardo e mais alguns esperançosos ainda acreditam que esse campeonato pode ter espaço para um terceiro contendor, é bom eles tirarem algum coelho da cartola o quanto antes. Vettel conseguiu recuperar a liderança do campeonato com uma exibição de gala, vencendo de ponta a ponta com autoridade, ainda que se aproveitando do fato de a Mercedes ter atrasado a adoção de um novo motor. depois da vitória em Monte Carlo, o australiano teve de encarar a dura realidade.

Os alemães andaram com o freio de mão puxado, com problemas de confiabilidade e consumo. Mesmo assim, Hamilton está apenas um ponto atrás do líder ferrarista. Os dois já abrem mais de 30 pontos em relação a quem vem em seguida na tabela. Enquanto Bottas (3º – 86pts) deve trabalhar para consolidar a posição e vencer o mundial de construtores, o piloto da Red Bull vem dois pontos atrás, sofrendo com a falta de potência dos motores da Renault, cujas relações com sua equipe vem cada vez piores, colocando os ainda mais fracos motores da Honda em seu horizonte para 2019.

Para piorar qualquer perspectiva de curto prazo, os fabricantes de motores estão em compasso de espera, aguardando a divulgação das novas especificações para 2021. A tendência é que tudo fique mais simples e barato, mas a dúvida pode congelar qualquer desenvolvimento das unidades atuais, estabilizando as diferenças e, no caso, as desvantagens de quem não usa Ferrari ou Mercedes.

Com pouca esperança de reduzir seu deficit de potência (seja com Renault ou Honda), à RBR resta torcer para se dar bem com as mudanças aerodinâmicas que devem ser impostas já para o ano que vem, confiando na estrela do projetista Adrian Newey.  Sem vagas a vista nos times liderados por Vettel e Hamilton, a única opção de Ricciardo parece ser esperar…

Na Red Bull o inferno são os outros e Ricciardo segue desvalorizado.

Mesmo vencendo, Ricciardo recebe menos atenção do que merece na Red Bull

A vitória de Daniel Ricciardo em Mônaco reforça ainda mais o debate em torno dos méritos do australiano. Em terceiro lugar no campeonato, com mais que o dobro de pontos que seu colega de Red Bull. Sua eficiente entrega de resultados parece não comover nem convencer o público ou os dirigentes em comparação com o arrojo persistentemente desastrado de Max Verstappen. O holandês segue protegido pela mesma equipe que vem cozinhando a renovação de seu contrato.

Saudosos da hegemonia que exerceram durante o tetracampeonato de Sebastian Vettel (2010 a 2013), os austríacos parecem enfeitiçados pela eterna promessa de um Verstappen que parece errar ao tentar andar mais do que o carro do que por um piloto tecnicamente irretocável a quem sobra bom humor e falta marra. É como se Ricciardo não estivesse fazendo mais do que sua obrigação enquanto Max amadurece o suficiente para trazer de volta os títulos. Afinal, Adrian Newey ainda está por lá, fazendo o que ainda são considerados os melhores carros do grid. A queda do olimpo seria culpa mesmo da dificuldade que a Renault manifestou em se adaptar ao regulamento que trouxe de volta os motores turbo. Uma conclusão que parece reforçada pelo fracasso de Vettel em conquistar um campeonato fora da RBR.

Apesar de Ricciardo estar cada vez mais disposto buscar novos horizontes, nada deve mudar a curto prazo. Se quiser brigar por vitórias, ele teria de tentar uma vaga na Mercedes ou na Ferrari, equipes que parecem felizes em manter uma clara divisão entre primeiro e segundo pilotos. Melhor brigar por atenção com o bárbaro Verstappen numa Red Bull que insiste em dar tiros no pé do que se ver reduzido a escudeiro de Hamilton ou Vettel.

Newey e Horner comemoram a a si mesmos

Dietrich Mateschitz, Helmut Marko e Christian Horner não se cansam de espinafrar os franceses. Dono, conselheiro e chefe de equipe soam unanimes em defesa de sua própria competência ao mesmo tempo em que vão emparedando o time que deve ter de escolher entre o motor Honda que Alonso expulsou aos pontapés de McLaren por falta de potência e verdadeiras miragens que seriam a entrada da Aston Martin ou o retorno da Porsche como fornecedores de motores para o mundial. Em suma, o inferno são os outros…

 

 

 

Pietro Fittipaldi vê sua temporada ameaçada por forte acidente no WEC

Pietro Fittipaldi sofreu um grave acidente durante os treinos para a prova de abertura do campeonato 2018/2019 do mundial de endurance (WEC), as 6 Horas de Spa. O neto de Emerson perdeu o controle de seu protótipo no meio da Eu Rouge, curva mais desafiadora do circuito belga. Com fraturas nas duas pernas, o piloto já foi operado e está fora de perigo, mas pode perder o resto da temporada em que estava competindo também na Indy e na Super Fórmula.

Mesmo que a otimista previsão feita pelo seu pai, de que ele poderia retomar as atividades em oito semanas, é improvável que ele não leve ainda mais tempo para se recuperar física e tecnicamente para disputar com alguma chance de sucesso as três categorias em que estreava este ano. Além do mais, as equipes não tem como esperar tanto sem optar por outros nomes para as vagas que, de uma maneira ou de outra, equivalem a patrocínios e ajudam a pagar as contas.

De sua parte, o próprio piloto se veria numa situação em que seria comparado com outros estreantes que vão poder se desenvolver ao longo da temporada. Se houver a possibilidade de retomar alguma das vagas ainda esse ano, a melhor opção seria justamente o WEC, onde as provas de longa duração abrem a possibilidade de dividir o fardo com outros pilotos e acumular ainda mais experiência em menos tempo, sem ter de andar em ritmo muito forte o tempo inteiro e podendo aumentar ou diminuir seu tempo de pista por prova na medida de acordo com sua recuperação e desenvolvimento.

A equipe Dragonspeed ainda não revelou detalhes, mas tudo indica que o protótipo sofreu uma pane elétrica no meio da curva, transformando o piloto em passageiro.

Mesmo na F1, os números podem mentir. Facilitar as ultrapassagens pode matar a disputa.

Choque dos pilotos da RBR foi coisa de corrida algo que pode acontecer numa disputa de posição

Enquanto o mundial de 2018 vem demonstrando um equilíbrio fora da curva em todos os pelotões do grid, os americanos da Liberty resolveram mexer nas regras já para o ano que vem. Ao que tudo indica, a frieza dos números vem demonstrando que o número de ultrapassagens caiu em relação ao ano passado. Mesmo assim, o fato de estarmos tendo corridas movimentadas e resultados alternados deveria colocar em questão essa pressa e interferir no regulamento?

As mudanças em questão são basicamente aerodinâmicas, simplificando e alargando as asas dianteira e traseira, de modo a facilitar a aproximação entre os carros e aumentar o impacto do DRS, que diminuiu bastante com as mudanças do ano passado. Por um lado, podemos reconhecer que acidentes e bandeiras amarelas interferiram nos resultados de maneira positiva para a disputa, mas é importante compreender que 2018 representa um equilíbrio de forças diferente do de 2017. Tudo indica que a Ferrari realmente cresceu para cima da Mercedes e que a Red Bull se aproximou das duas ainda mais.Outro dado a ser levado em conta é que temos sim visto ultrapassagens interessantes no formato atual, nas freadas e nas curvas com um nível de dificuldade compatível com o que se deve esperar da F1.

Banalizar as manobras em busca de números melhores pode ter o efeito inverso, impossibilitando defesas de posição eficientes e premiando uma vantagem técnica qualquer em detrimento da habilidade dos pilotos num nível em que não teremos mais disputas efetivas e sim corridas individuais contra o relógio nas quais mesmo a preocupação com o tráfego será irrelevante. Podemos estar matando o campeonato de 2019 agora, sem muita oportunidade de voltar atrás dada a importância da aerodinâmica e o fato de as equipes começarem a trabalhar cada vez mais cedo nos modelos do ano seguinte. Uma revisão mais a frente pode ser vista como uma rasteira pelas equipes.

Depois da Ferrari, Red Bull prova que também pode bater a Mercedes nesse 2018 marcado pelo equilíbrio

Vitória de Daniel Ricciardo reforça equilíbrio de forças que vem marcando a F1 em 2018

Um dos aspectos mais interessantes dessas três provas já realizadas do mundial de 2018 é a competitividade. O relativo equilíbrio de forças que estamos testemunhando entre Mercedes e Ferrari só tem a ganhar depois que a Red Bull provou, graças a Daniel Ricciardo, que tem plenas condições de se meter na briga por vitórias em caso de vacilo de alemães e italianos. Mais do que isso, o resto do pelotão nunca foi tão compacto. Surpreendentes desempenhos de Sauber, Toro Rosso e Haas, aliados à aparente decadência de Williams e Force India, uma discreta melhora da McLaren e a estabilidade relativa da Renault em relação a 2017, criaram um verdadeiro grupo do Deus nos acuda.

Em geral, as surpresas de início de ano costumam perder o fôlego com a chegada do GP da Espanha, quando as equipes (perto de suas fábricas) costumam implementar suas primeiras atualizações. Por “fôlego”, leia-se capacidade de investimento. A festa teria sua última etapa em Baku, mas pode ser que as coisas já não sejam tão simples como antes. Enquanto a McLaren ainda busca patrocínios para cobrir o rombo do divórcio com a Honda, os japoneses vem remediando a vida da STR. Além das benéficas relações carnais com a Haas, a Ferrari voltou a apadrinhar a Sauber, trazendo o time suíço (que quase virou Alfa Romeo) da última fila para a briga no meio do pelotão. Se a torneira não secar, equipes que vinham flertando com o pelotão da frente vão ter de brigar para repetir o resultado do ano passado.

Reforçando a bacia das almas, temos a Force India, que finalmente está sentindo na piora dos resultados os problemas financeiros de seu dono, Vijay Mallya (incluindo pendências judiciais) e a Williams vivendo seu verdadeiro fundo do poço com um carro que prometia muito e não entregou nada, valorizando como nunca os nomes de Felipe Massa e Robert Kubica justamente por não estarem pilotando em 2018. Lá, há dinheiro, mas sobram dúvidas quanto à capacidade de seus jovens pilotos no sentido de liderar uma reação. Em suma, quem tem know how reconhecido está com a grana curta, desorganizado ou com problemas de recursos humanos justamente quando a turma do fundo do grid recebeu uma forte injeção de capital e parece ter acertado a mão em seus projetos.

Não me entenda mal. A tendência ainda é a da tradição de excelência se impor ao longo do ano, mas 2018 pode ser a grande chance de muita gente mostrar seu valor tanto dentro quanto fora da pista. Fica a nossa torcida para que o GP do Azerbaijão mantenha ou aprofunde este equilíbrio, no final do mês…

Duplo abandono da Haas beneficia Ferrari e levanta suspeitas na Austrália

Magnunsen seguia na briga pelo quarto lugar quando abandonou o GP da Austrália

O grande destaque do primeiro fim de semana de F1 em 2018 foi o desempenho da equipe Haas, para o bem e para o mal. Sabe-se desde sua estreia em 2016 que o time americano aposta em uma parceria técnica com a Ferrari no nível mais profundo permitido pelo regulamento, que exige que cada equipe projete e construa seu próprio carro, abrindo exceções para a compra de motores, caixas de câmbio, suspensão e outras peças de outras equipes ou fornecedores independentes. A fórmula que garantiu um ótimo primeiro ano parecia ter chegado a seu limite no ano passado, a ponto de muitos insinuarem que os limites do regulamentares teria sido ignorados, que os ianques pura e simplesmente copiaram a Ferrari de 2017 para surgirem tão mais competitivos esse ano.

Até aí, pode-se contra argumentar que se trata de um exagero, que o mesmo boato deu as caras em 2016 mas que, desde lá, a Haas tem constantemente começado bem o campeonato e caído de produção no correr do ano. O time tem por hábito abandonar o desenvolvimento de seus projetos durante o ano em benefício da próxima temporada. Focando apenas nos últimos GPs da Austrália, podemos aferir a melhora dos americanos. Três anos atrás, Romain Grosjean marcou pontos com um 6º lugar, depois de largar 19º, com uma corrida de resistência. Ano passado, o piloto francês da Haas largou em sexto, a menos de dois segundos do tempo da pole, abandonando na 13ª volta. Domingo passado, o dinamarquês kevin Magnunsen largou imediatamente a frente de seu companheiro, na mesma 6ª posição a mais ou menos os mesmos dois segundos de diferença para o melhor tempo.

Estabelecida a tradição do time de Geene Haas como “cavalo paraguaio” fica ainda mais difícil de acreditar que os dois carros da equipe abandonaram com duas voltas de diferença por terem por conta da “má fixação” de um dos pneus traseiros. Jogar fora a chance de terminar com os dois carros no Top 5 por um erro tão amador cometido duas vezes seguidas costuma terminar com um mecânico demitido ou a descoberta de uma pistola defeituosa. O problema é que o timing dos abandonos beneficiou tanto a Ferrari que parece ter sido planejado em Maranello. Grosjean parece ter estacionado o carro melhor do que Magnunsen no sentido de provocar a entrada do safety car virtual, forçando a redução do ritmo de todos enquanto Vettel aproveitava para fazer o seu pit stop. Seria esse o preço do apoio ferrarista?

Impossível não lembrar do crashgate de 2008 em Cingapura, quando a Renault deu ordem para que Nelsinho Piquet provocasse uma situação semelhante batendo o carro de propósito, criando as chances para a vitória cair no colo de seu companheiro de equipe, Fernando Alonso, ele mesmo recém ejetado da McLaren depois de uma “delação premiada” num escândalo de espionagem. Não custa lembrar que só ficamos sabendo de tudo quando Piquet Jr abriu o jogo no ano seguinte. Só algo semelhante transformaria as desconfianças contra Haas e Ferrari em algo palpável. De todo modo, “ à mulher de César, não basta ser honesta, ela deve parecer honesta” e a maneira como as coisas aconteceram em Melbourne pareceu qualquer coisa menos do que normal…

Existe ainda a possibilidade de Grosjean ter abandonado com problema de motor. Ele, de fato, saiu soltando alguma fumaça dos boxes e é comum que esse tipo de quebra seja negado em público. Se foi isso, seria do interesse da própria Ferrari autorizar seus clientes a admitir que seu motor abriu o bico? Depende. Para 2018 cada carro poderá usar apenas três (!) ao longo do ano e controlar as informações em torno do tema pode ser uma precaução de interesse da própria Haas. No mais, décadas recentes elegeram os problemas “hidráulicos” ou de “gerenciamento eletrônico” como as causas genéricas mais insondáveis e eficientes para despistar os curiosos… fica a dica.

Alonso tem dois anos para completar a Tríplice Corôa do automobilismo com vento favorável

A temporada de 2018 aguarda a estreia de seu franco atirador

O mundial de 2018 está para começar e todos estão de ansiosos para ver se a a inédita combinação da McLaren com a Renault será capaz de colocar Alonso de volta ao protagonismo que ele merece exercer. Os testes em Barcelona alimentaram tais esperanças quando a soma dos tempos demonstrou que os carros alaranjados foram os que mais evoluíram em comparação com o ano anterior.

É bem verdade que o time alternou bons desempenhos com problemas e baixa quilometragem. São indícios contraditórios e podem apontar um futuro enigmático. O divórcio com a Honda se arrastou mais do que deveria e o projeto teve de ser adaptado às pressas para receber o motor francês. Não há dúvidas de que Alonso e Vandoorne tem mais potência à disposição, mas as boas performances em Montmeló podem ter vindo ao custo do sacrifício de outras necessidades.

Só o tempo vai mostrar se  os McLaren vão lidar bem com os pneus, se vão manter o desempenho em diferentes situações de corrida, com mais ou menos combustível, temperatura e tudo mais. Ainda assim, saber que eles tem condições de andar mais perto do pelotão da frente é um grande alento. Não é de hoje que o espanhol alega ter como dom a capacidade de baixar em meio segundo o tempo de volta de qualquer carro em que ponha as mãos.  Não custa lembrar que ele quase quebrou a série de títulos de Vettel na Red Bull carregando uma Ferrari apenas razoável nas costas… Com um carro mais próximo dos ponteiros, teremos um franco atirador de luxo no mundial.

Le Mans quase no bolso

Depois de uma estreia memorável nas 500 Milhas de Indianápolis ano passado, o malvado preferido do automobilismo mundial segue mais vivo do que nunca em seu objetivo de completar a tríplice corôa (Indy 500 + Le Mans 24 + Mônaco). Alonso vem treinando e participando de provas do mundial de endurance como preparação para as 24 Horas de Le Mans. Correndo pela Toyota, última equipe oficial de fábrica da categoria principal, chega a ser improvável que ele não traga o caneco num ano em que mesmo os organizadores estão dando uma força com mexidas no regulamento e mudanças de datas para facilitar a vida de Fernandinho.

Se tudo der certo, incluindo um ano forte na F1 e a conquista quase certa da clássica prova francesa, fica difícil  imaginar um 2019 em que os cartolas não procurem facilitar a vida de nosso herói, trabalhando as datas para que ele e a McLaren possam correr tanto na F1 quanto na Indy, de modo a ter mais chances de ser o primeiro piloto a repetir o legendário feito de Graham Hill…