Christian Fittipaldi encerra uma carreira tão discreta quanto brilhante

Melhor piloto de endurance do Brasil, Christian Fittipaldi se aposenta sem alarde.

Um piloto um tanto subestimado, egresso da antiga F3 SUDAM/Brasil em seus melhores anos, Christian Fittipaldi sempre me deu a impressão de ter aproveitado bem o fato de a categoria realizar provas com quase o dobro da duração dos <i>sprints </i>das F3 europeias (particularmente da inglesa). Ele já chegou na F3000 sabendo poupar pneus sem perder velocidade e conquistou o título de primeira num momento em que a série vivia seu auge em termos de importância com vários fabricantes de motor e chassis além de pilotos que corriam lá vários anos seguidos, acumulando experiência, dando ao campeonato um brilho próprio incomum em “categorias escola”. Penso mesmo que foi o que mais próximo tivemos de uma terceira grande categoria de monopostos a nível mundial (muito maior que Super Fórmula ou F2 são atualmente).

Na F1, suas melhores atuações foram fruto dessa qualidade, apostando muitas vezes em fazer a prova sem trocar os pneus (bons tempos) e marcando bons pontos, andando quase tão bem quanto Barrichello enquanto os dois estavam no mundial. Depois foram oito temporadas na Indy, com duas vitórias, uma pole e vinte pódios, incluindo um segundo lugar em sua primeira e única 500 Milhas de Indianópolis, prova que não disputou mais por causa da fragmentação da categoria. O excesso de pit stops e a loteria das bandeiras amarelas trabalharam contra as melhores qualidades de Christian nas pistas dos EUA tanto nos monopostos quanto em sua aventura pioneira e sem resultados na NASCAR. Tudo se encaminhava para um fim de carreira melancólico se incluirmos suas passagens sem brilho pela Stock Car e no time Brasil da A1 GP, mas ele conseguiria retomar o protagonismo da juventude nas competições de longa duração para as quais se dedicou no outono de sua vida como piloto.

Vencedor das 24 Horas de Spa e das Mil Milhas Brasileiras na primeira metade dos anos 90, Christian só retomaria as provas de longa duração depois de se aposentar dos monopostos, no início do século XXI. Os resultados falam por si, bicampeão americano de endurance, incluindo três vitórias nas 24 Horas de Daytona e uma nas 12 Horas de Sebring. Ficou faltando uma conquista em Le Mans para completar a tríplice corôa da modalidade, mas a prova era e ainda é dominada por grandes montadoras com poucas vagas competitivas disponíveis. Jamais houve uma oportunidade.

De todo modo, pode-se dizer que estamos falando do piloto brasileiro mais bem sucedido de sua geração em corridas de resistência e um dos melhores no geral, junto com Rubens Barrichello, Gil de Ferran, Helio Castroneves e Tony Kanaan, recebendo apenas uma fração da atenção e reconhecimento dos outros quatro. Aparentemente em paz consigo mesmo, Fittipaldi encerrou sua carreira no último fim de semana, uma despedida discreta no palco de suas maiores conquistas. Vencedor em Daytona no ano passado, Christian se aposentou numa boa, sem buscar pelos holofotes que merecia enquanto todas as atenções se voltavam para a equipe liderada Fernando Alonso no lugar mais alto do pódio.

Pietro Fittipaldi pode ser a terceira geração de sua família no mundial de Fórmula 1

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Neto de Emerson Fittipaldi é confirmado como piloto de testes da Haas e pode ser a terceira geração da família a correr na F1

Em sequência ao anúncio de Sérgio Sette Câmara como piloto de testes e desenvolvimento na McLaren, foi a vez de Pietro Fittipaldi ser oficializado para a mesma posição na Haas para 2019. O neto de Emerson já vai inclusive participar dos testes coletivos em Abu Dabi depois do encerramento da temporada. Depois de um ano muito complicado, incluindo um grave acidente no WEC em Spa, Pietro fez boa figura na provas finais da Indy e concluiu as negociações com o time americano, que se arrastavam desde o meio do ano. Resta saber como Pietro vai se ocupar em 2019 para conseguir a superlicença e se tornar um postulante válido para uma vaga no mundial.

Diferentemente de Sette Câmara, ele já tem 20 pontos acumulados com sua conquista do derradeiro campeonato da World Series ano passado. Aparentemente já era essa a prioridade do piloto quando escolheu disputar Indy, WEC e Super Fórmula ao mesmo tempo em 2018, ver onde se dava melhor e, quem sabe, somar alguma coisa em cada uma das categorias além de se manter em evidência depois de fracassar em conseguir uma vaga para a F2 ainda esse ano. Apesar do acidente, acabou ficando claro que seu melhor desempenho foi nos EUA. O problema é que esse bom desempenho para um estreante ainda estaria muito longe de apontar para as primeiras colocações naquele certame cada vez mais competitivo, onde ele precisaria chegar pelo menos em terceiro na tabela para garantir os 20 pontos que faltam para a superlicença. seria mais fácil garantir a mesma posição (e pontuação) no mundial de endurance com uma boa equipe. Sem uma vaga lá e depois do fraco desempenho na série japonesa, também muito competitiva, o mais seguro seria conseguir uma boa vaga na F2, que é muito disputada mas também distribui muito mais pontos neste sentido.

Além do sobrenome e dos recentes bons resultados, outro fator que trabalha a favor de Pietro é o fato de ele ser nascido e criado nos EUA. A Haas é uma equipe local e segue sendo muito cobrada por não dar uma chance a um piloto ianque, tendo insistido com Magnunsen e Grosjean que, apesar da eficiencia, não demonstram capacidade para fazer o time subir de patamar. Os recentes escândalos de péssimo comportamento de Santino Ferruci (pupilo americano da escuderia na F2) tendem a reforçar a posição do jovem Fittipaldi na disputa por uma vaga a partir de 2020. Isso, é claro, se ele fizer a parte dele em lugar ainda desconhecido no ano que vem. Depois do avô e do tio avô nos anos 70 e de seu primo Christian nos anos 90, as chances são reais para a F1 ver a terceira geração da família alinhando em seu grid nos próximos anos.

Brasileiro confirmado como piloto de desenvolvimento na McLaren

Estar na McLaren não parece ser a melhor opção na F1. De todo modo, Sérgio Sette Câmara parece ter dado a sorte grande ao ser confirmado como piloto de testes e desenvolvimento da equipe num momento em que isso aconteceu. Hoje, o brasileiro ainda não tem pontos o suficiente para obter a superlicença que permite participar do mundial mas há tempo disponível para corrigir a situação.

Com Alonso e Vandoorne de saída, a McLaren está iniciando um novo ciclo com Lando Norris e Carlos Sainz Jr. Em caso de catástrofe com algum deles, o mais provável seria optar por retornos pontuais de Alonso ou Button. Sette Câmara deu sorte também no sentido de que Norris, seu companheiro de equipe na F2, foi promovido mesmo sem ser campeão esse ano, transformando-o em líder de sua equipe para o ano que vem. A Carlin é um time forte e pode-se dizer que foi uma decepção que Lando não tenha levado o caneco depois de tanta badalação. Mais do que isso, o também britânico Scott Russell já fechou com a Williams para 2019 depois de dominar a categoria em 2018, transformando o mineiro em um dos franco favoritos para o próximo campeonato da categoria de acesso.

Ainda em sexto na tabela, Sérgio marcaria 10 pontos na tabela para conseguir a superlicença, sendo que ainda pode subir para quinto na rodada dupla que falta para o fim do certame em Abu Dabi. Desta feita, aumentaria sua pontuação para 20, metade do que precisa para poder disputar o mundial. Algo que deve ser fácil se ele ao menos lutar pelo título ano que vem. Se for campeão, aumenta ainda mais as suas chances se contabilizar o patrocínio da Petrobras somado ao prestígio que tem com Gil de Ferran, ex piloto franco-brasileiro que passou a chefiar a McLaren agora em 2018. Tudo, é claro, dependendo do desempenho da dupla titular.

Apesar de não haver nada realmente certo, é preciso reconhecer que Câmara reconstruiu sua carreira depois de ter perdido o apoio da Red Bull com uma passagem fraca pela F3 Europeia. Ele apareceu bem com duas boas participações no GP de Macau de F3, chegando a disputar a vitória ano passado, e com um segundo ano sólido na F2, demonstrando muito amadurecimento. Mesmo se não aparecer a vaga no mundial logo, a McLaren teria como ajudar seu piloto a ficar ocupado em outras categorias ainda por algum tempo, como fez com Vandoorne e ele ainda poderia arrumar alguma outra vaga conquistando os pontos que faltam para a superlicença. A situação não está definida, mas é inegável que ele é a chance mais palpável de um brasileiro figurar no grid da F1 desde a aposentadoria de Felipe Massa.

Pentacampeão mundial, Hamilton consolida sua hegemonia na Fórmula 1

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Em 2018, Lewis Hamilton se colocou sozinho no patamar mais alto do automobiilsmo mundial

Até 1986, o mundo do futebol estava dividido no sentido de apontar quem era o melhor jogador do mundo naquele momento. Havia uma dúvida sincera entre os defensores de Zico, Michel Platini e Diego Maradona. Depois daquela segunda Coa do Mundo do México, o argentino se tornou quase uma unanimidade depois de praticamente carregar uma seleção medíocre nas costas até a conquista do título. Algo parecido se passou na F1 no mesmo ano, quando Prost conquistou seu bicampeonato na bacia das almas contra Piquet e Mansell que se digladiavam numa Williams já tecnicamente superior. Naquele momento, o Professor era indiscutivelmente o melhor de sua geração para a ampla maioria da mídia especializada _ algo que  voltaria a ser questionado com o início de sua rivalidade com Ayrton Senna, em 1988.

O penta de Lewis Hamilton agora em 2018 parece ter tido o mesmo efeito. O fato de ter sido vitorioso contra uma Ferrari mais rápida que sua Mercedes, contra um Sebastian Vettel até então tido como seu par em termos de talento e de te-lo feito com autoridade enquanto seu adversário desmoronava emocionalmente simplesmente rebaixou o alemão para o nível apontado por Fernando Alonso na época em que o espanhol se esforçava para evitar o tetracampeonato de Seb, falando para quem quisesse ouvir que seu adversário não era o piloto e sim a supermáquina projetada por Adrian Newey, uma afirmação que nunca pareceu tão acertada quanto agora.

Ainda que muitos (incluindo quem vos escreve) considerem Alonso o piloto mais completo do grid, fica difícil argumentar a favor dele quando lembramos que foi a estreia espetacular de Lewis em 2007, quando dividiu a McLaren com o espanhol e quase foi campeão pode ser tranquilamente considerado o momento em que a esperada era de dominação do asturiano foi efetivamente sustada. Mesmo que seja lícito acreditar que um segundo round com carros equivalentes poderia ter um resultado diferente, o fato é que a maneira como o primeiro terminou depõe a favor do britânico e a saída de Alonso do mundial no final do ano provavelmente liquida a possibilidade de um novo embate.

Onze anos depois de entrar no circo, Lewis contabiliza uma estreia avassaladora, um título já no segundo ano, ter feito a diferença na elevação de patamar da Mercedes de uma equipe vencedora de corridas para uma era de hegemonia, ter sido campeão com e sem o melhor carro do grid, ser o melhor piloto na chuva contra uma geração forte nesse quesito e, à sua maneira, se tornou a figura capaz de atrair uma nova geração de fãs para a F1 dentro e fora das pistas. Com as marcas de Schumacher ao alcance das mãos, o céu é o limite para Hamilton…

Indy fecha a temporada em alta e já de olho em 2019

Confirmado pentacampeão em 2018, o neozelandês Scott Dixon promete ser uma boa referência para Alonso ano que vem.

O pentacampeonato de Scott Dixon na Indy foi extremamente valorizado por ter sido conquistado contra uma das gerações mais fortes de pilotos que o certame americano já apresentou. Alexander Rossi, Will Power, Ryan Hunter-Reay, Joseph Newgarden, Simon Pagenaud, Sebastien Bourdais não fariam feio no grid do mundial. A categoria sempre recebeu pilotos renegados pela F1, mas hoje o é o caso de dizer que foi a categoria rainha que falhou em não ter como recebe-los e não o contrário. Trata-se de uma turma forte o suficiente para impedir que Alonso repita o passeio que Nigel Mansell protagonizou em 1993, quando atravessou o Atlântico para triturar a concorrência.

A vinda do espanhol vai colocar o campeonato no foco dos holofotes do mundo inteiro num nível que eles não experimentam desde o início dos anos 90. Trata-se de uma ótima notícia para a Indy, cuja vocação internacional é mais evidente do que nunca e que segue abertamente em busca de mais um fabricante de motores, mas nem tudo são flores. A insegurança dos ovais, parte básica de sua identidade, segue matando e aleijando, tendo vitimado simplesmente o melhor estreante do ano. Com várias lesões na coluna depois de ser transformado em um peão  pelo alambrado do Pocono Speedway, tudo indica que o canadense Robet Wickens vai ter sorte se conseguir recuperar algum movimento abaixo do pescoço. Ainda que os soft wall tenham sido um grande avanço, os cartolas precisam agilizar seu equivalente do halo e trocar essas grades por algum tipo de superfície lisa e transparente, que proteja o público o mesmo tempo em que não agarra os carros.

Ainda sobre a segurança, é preciso considerar que o kit aerodinâmico do ano passado dificultava, ainda que precariamente, o toque entre os pneus, parcialmente envolvidos por carenagens. O novo layout dos carros de 2018 olhou para o passado, eliminando essa proteção em nome de uma aparência mais vintage de maneira irresponsável, algo que poderia ser revisto pelo menos para os ovais onde, inclusive, o novo carro teria, segundo os pilotos, dificultado em muito andar no vácuo de quem vai a frente. Uma tragédia com Alonso poderia marcar a Indy negativamente no mundo inteiro.

Os brasileiros

Aos 44 anos, o baiano Tony Kanaan fez um campeonato honesto pela pequena e tradicional equipe Foyt. Fechando o ano em 16º na tabela de pontos, o veteraníssimo (campão da Indy em 2004 e das Indy 500 em 2013) é o piloto referência para o time e uma grande oportunidade para que o mesmo tente subir de patamar _ algo improvável, precisamos admitir, diante do histórico da empresa _. Ser o melhor brasileiro na pontuação, nessas circunstâncias, demonstra como está demorando  a renovação efetiva de nosso pelotão, incluindo muita gente boa que não conseguiu se firmar nas últimas décadas.

De várias maneiras. Matheus Leist fez um bom ano de estreia justamente pela comparação direta que se pode fazer com Kanaan, seu companheiro de equipe, fechando o ano em 17º na tabela, tendo sido o terceiro melhor estreante num ano em que a concorrência foi forte, incluindo 12 outros rookies . Ainda que não tenha commpetido apenas em parte da temporada, como muitos dos outros, o jovem gaúcho só perdeu para o acidentado Wickens, grande revelação do ano, e para o americano Zach Veach, que correu pela Andretti, uma das melhores equipes do campeonato.

O melhor aproveitamento acabou sendo o de Helio Castroneves. Remanejado para a divisão de endurance da Penske, o veterano brasileiro teve a chance de fazer o GP de Indianapolis e as Indy 500, chegando em 7º no misto e abandonando no oval depois de andar entre os primeiros. Quarenta pontos em duas corridas. Nada mal para alguém em quem a equipe já não aposta para a temporada inteira. No mínimo, o tricampeão das 500 Milhas mais famosas do mundo deve ter garantido sua participação avulsa nas do ano que vem.

De todo modo, quem realmente surpreendeu foi Pietro Fittipaldi. Correndo com nacionalidade brasileira apesar de ter nascido, crescido e iniciado sua carreira nos EUA, o neto de Emerson perdeu parte do ano se recuperando de um grave acidente no WEC, um ano em que ele procurava correr de tudo que podia, Super Formula, Endurance e Indy, depois de não conseguir uma vaga na F2. Aparentemente procurando recuperar o tempo perdido em uma carreira com poucos resultados relevantes, Pietro não vinha bem até a batida em nenhuma das categorias. Conseguindo retornar para as últimas cinco provas da categoria americana, ele mostrou serviço andando bem, chegando a terminar uma delas em 9º e andando no primeiro pelotão com alguma consistência. tendo corrido apenas seis etapas, ele marcou uma média de 15,16 pontos por corrida, melhor que Leist (14,88) e perto de Kanaan (18,35). A soma da boa impressão com o sobrenome influente devem garantir uma temporada completa para o ano que vem.

Raikonen e Leclerc trocam de lugar num momento de baixa na relação entre a Ferrari e Vettel

Faltou só a troca de camisas que deve acontecer em algum evento já no final de 2018. Raikonen e Leclerc saem ganhando cumprindo a última ordem de Sergio Marchione.

Parece que acertei uma das apostas que fiz no último post. A inversão de lugares entre Kimi Raikonen e Charles Leclerc tem efeitos revigorantes para a F1, dando a Kimi novamente a possibilidade de liderar uma equipe numa Sauber que ressurgiu das cinzas desde que retomou a parceria técnica com a Ferrari que, por sua vez, toma para si a tarefa de gerir o desenvolvimento de seu pupilo mais promissor desde Felipe Massa, que vai ter tempo e espaço para se desenvolver servindo de escudeiro para Sebastian Vettel, da mesma maneira que o brasileiro completou seu amadurecimento secundando Michael Schumacher em suas últimas temporadas.

Para a FIAT é um jogo em que não se perde nada. Recem falecido, seu CEO sergio Marchionne já havia tomado a decisão, reforçando a visibilidade e a competitividade de uma equipe que é praticamente um satélite e carrega o nome da Alfa Romeo (também de sua propriedade). Kimi poderia mesmo voltar no caso de emergência que pode tomar a forma de um acidente qualquer ou mesmo de uma separação mais intempestiva com Vettel, que já não parece corresponder ás expectativas que sua contratação criou. Os italianos viram Alonso fazer mais com carros menos competitivos quando de sua passagem por lá e não custa lembrar que demitiram Alain Prost por reclamações bem menores que as que o alemão vem fazendo na mídia especializada.

Ainda assim, fica a impressão de que Raikonen desceu um degrau ao assinar por dois anos com um time que melhorou muito, mas dificilmente lhe possibilitará mais do que brigar por pontos e sonhar com pódios um tanto fortuitos. Por mais que ele queira se provar, Kimi deu mostras de que gosta de outras categorias, tento competido no rali com alguma competência e até experimentado os ovais na NASCAR. Como dissemos no último post, ele já venceu em Mônaco e poderia partir para a disputa pela tríplice corôa com Alonso e Montoya, algo que pode ter de esperar até depois de ele completar 40 anos e quebrar o recorde de GPs de Rubens Barrichello. Por que? Será que ele já matou suas curiosidades? Teria entendido que a Indy anda muito perigosa depois do grave acidente de Robert Wikens? Conhecendo Kimi, pode ser que jamais saibamos…

Sair da Ferrari poderia ser a melhor alternativa para um Raikonen que ainda tem lenha para queimar

 

Kimi, como sempre, parece alheio aos que procuram jogar com seu futuro no mundial. Aqui ele ri com Charles Leclerc, que está de olho em sua vaga na Ferrari

Estamos naquela época do ano em que a central de boatos do mundial retoma a cantilena sobre a não renovação de contrato de Kimi Raikonen com a Ferrari, que isto seria o ponto final da carreira do finlandês, que já não estaria tao bem das pernas e tudo mais. Acontece que ele vem dando provas e mais provas de que ainda tem lenha para queimar, dificultando as manobras de quem quer Charles Leclerc em sua vaga já para o ano que vem.

Algo que pouca gente na imprensa especializada parece compreender é que Kimi Raikonen não perdeu nem um pouco da velocidade que tinha quando era um jovem cotado para bater e substituir Michael Schumacher ainda no início do século. O que efetivamente mudou foi o nível de atenção que o campeão de 2007 recebeu de suas equipes ao longo da carreira. Mesmo não tendo concretizado a maior parte das expectativas que haviam no passado, algo comparável ao que se espera de Max Verstappen hoje em dia,  Kimi é um sobrevivente e não deveria ser subestimado por quem se apressa em colocar Charles Leclerc em seu lugar na Ferrari para o ano que vem.

A cultura interna da Ferrari que impõe papéis claros de primeiro e segundo pilotos é bem antiga e já beneficiou o próprio Kimi em 2007. O finlandês não se furtou em devolver o favor com maior ou menor eficiência secundando pilotos como Massa, Alonso e Vettel, mas manter u m piloto do nível de Raikonen reduzido a escudeiro por muito tempo é um evidente desperdício tanto para ele, que tem capacidade de lutar por mais quanto para a equipe, que poderia gastar bem menos colocando pilotos mais baratos para atuar como escudeiro. Num contexto em que as  novas regras para conquista da superlicença se somam à necessidade de experiência em desenvolvimento e velocidade, reduzindo drasticamente a oferta de pilotos, ele deveria estar sendo disputado a peso de ouro por equipes como Williams, McLaren,  ex-Force India, Haas, Red Bull e Sauber…

Caso a F1 falhe em manter um de seus pilotos mais carismáticos (curiosamente), convém lembrar que Raikonen já venceu em Mônaco (2005) e bem poderia entrar na corrida pela Tríplice Corôa junto com Alonso e Montoya. Kimi chegou a experimentar os ovais com a Nascar antes de retornar ao mundial pela “Lotus” (Genii), numa clara demonstração de curiosidade e destemor. Não seria difícil copiar a abordagem do bicampeão espanhol, dividindo suas atenções entre Indianápolis e Le Mans. De várias maneiras, o mais surpreendente da situação é que ele tenha passado tanto tempo aceitando um tratamento de segunda categoria enquanto a Ferrari apostava tudo em um Vettel cada vez menos merecedor de confiança na disputa contra Hamilton e a Mercedes.

 

Alonso dá prioridade total para tríplice coroa e não corre no mundial em 2019

Alonso pode até não voltar, mas sai deixando as portas abertas.

O 14 de Agosto de 2018 foi palco de um conjunto de comunicados que podem até ser uma coincidência, mas tem mais o jeito daquelas informações informações inconclusivas. O que sabemos até agora é apenas onde Fernando alonso não vai estar em 2019, que os dirigentes da Indy estão trabalhando junto com a McLaren para viabilizar a entrada do time naquele campeonato e que não, o espanhol não está se aposentando. Vamos por partes.

Apesar de o vídeo divulgado pelo bicampeão ter um tom de despedida claro como água, em seu comunicado, Alonso deixa claro que acredita na recuperação da McLaren para os próximos anos e que consideraria esta a oportunidade ideal de retomar sua carreira no mundial. Sabemos que a prioridade de Alonso é concluir a conquista da tríplice coroa. Se ele realmente for para a Indy ano que vem e vencer as 500 Milhas de Indianápolis logo em 2019 ou 2020, um retorno não seria improvável, se ele ainda quiser e se tiver um carro vencedor para guiar. Se demorar mais do que isso, a idade (rondando os 40) pode começar a pesar.

Outro detalhe é que há grande chance de Alonso e McLaren serem adversários nos EUA. Ainda que tenha deixado as portas abertas no time laranja, ele visivelmente se colocou em posição de escolher aonde vai correr. Ele, sem dúvidas, tem cacife para chegar, inclusive, num time que usa o motor Honda por lá e fazer a equipe trocar de motor, se for o caso. Fica até parecendo um casamento que, antes de acabar em definitivo, tenta uma última cartada, apostando numa relação aberta esse entre Alonso e McLaren. Quem viver verá.

Para o ano que vem, ele deve completar o campeonato 2018/2019 do WEC, onde certamente será campeão. Não se espantem, inclusive, se WEC e Indy trabalharem juntas ajustando seus calendários para dividir Alonso numa boa, dando um banho nos dirigentes da F1, que ainda tenta se mover para mudar dentro dos vícios herdados da era Bernie Ecclestone…

O colapso dos times independentes aponta para uma F1 sob total controle das montadoras

 

Vijay Mallya teria sido pego de surpresa quando perdeu o controle de sua equipe 

O mundo da Fórmula 1 ainda segue bem confiante de que a troca de mãos na direção dos negócios do mundial com a saída de Bernie Ecclestone e a entrada dos americanos da Liberty. De todo modo, pode ser que a oxigenação esperada com os novos administradores pode estar demorando demais. O circo que está em movimento ainda é o legado pelo veterano dirigente britânico, que transformou o campeonato no maior negócio do mundo esportivo, mas deixou um organismo que, se não está em decomposição, parece incapaz de se renovar para iniciar um novo ciclo de crescimento.

O fato é que ainda estamos vendo os carros e as regras legados por Ecclestone, enquanto a Ferrari lidera a parte mais poderosa do grid num esforço para manter tudo como está, principalmente no que se refere à divisão de prêmios e verbas em geral. Nesse meio tempo, vimos o fim da Manor e acompanhamos ao vivo a agonia sem fim de McLaren e Williams, que deve seguir a Sauber e virar satélite de uma das grandes montadoras para não desaparecer. mesmo a Force India, onde a crise ainda não afetou decisivamente o desempenho, está sob administração judicial em busca de novos donos para não encerrar as atividades.

Enquanto Ross Brawn fala pela FIA garantindo que “vai fazer de tudo para ajudar a Force India a permanecer no grid” e alega-se que não falta quem a queira comprar (incluindo a Mercedes e o pai de Lance Stroll), equipes como McLaren, Williams e Renault vem criando obstáculos para a operação de salvamento seja para evitar que ela vire uma equipe satélite de uma rival, para eliminar uma forte concorrente pelas premiações ou mesmo comprar barato seu espólio e recursos humanos em caso de falência. Cada vez mais a F1 vai ficando parecida com a Moto GP, onde os times garagistas passaram faz tempo da condição de clientes para a de filiais. Isso, numa categoria com um longo histórico de manipulação de resultados com ordens de equipe…

Haas e Sauber são satélites da Ferrari, a Red Bull mantem a Toro Rosso e a Mercedes está prestes a estabelecer um controle direto sobre Force India e Williams, restando Renault e McLaren as voltas com seus próprios problemas enquanto protestam contra esse processo de concentração de poder político, esportivo e econômico…

Conspiração para vitória de Alonso empana o brilho de Le Mans em 2018

Alonso, Buemi e Nakajima vencem 24 Horas de Le Mans marcada por facilidades questionáveis

Fernando Alonso conquistou a vitória mais fácil de sua carreira na última 24 Horas de Le Mans. De fato, o espanhol está bem próximo de completar sua sonhada Tríplice Corôa (soma das conquistas do GP de Mônaco, 500 Milhas de Indianápolis e de Le Mans), caminho escolhido por ele para reafirmar seu valor diante das dificuldades que tem enfrentado na F1 com carros pouco competitivos.

Tudo indica que Alonso, que já venceu em Mônaco duas vezes na época das vacas gordas, pode até encarar uma temporada completa na Indy como preparação para completar seu objetivo. A McLaren vem agindo cada vez mais seriamente no sentido de abrir uma filial no EUA e participar do certame americano, num movimento que tanto reforça os laços com seu ativo mais importante e busca novas oportunidades de bons negócios. De fato, a tendência é que o asturiano passe a se focar cada vez mais nas 500 Milhas, principalmente se ele não conseguir um carro mais competitivo no mundial, aumentando ainda mais as chances de conquista em Indianápolis.

Mesmo assim, pode ser importante que Alonso considere a conquista de uma segunda vitória em Le Mans. Esse ano, a facilidade foi tanta que é grande a possibilidade de ficar um asterisco a diminuir seu feito. Os organizadores do mundial de endurance abriram espaço para equipes privadas na LMP1, principal categoria da competição, com motores convencionais, desde que não pudessem virar tempos mais rápidos que quem estivesse usando motores híbridos. Algo que apenas a Toyota fez esse ano. Com os recentes abandonos de Porsche e Audi, os organizadores entregaram a vitória de bandeja para os japoneses que, por sua vez, embrulharam como um presente para a estrela da Fórmula 1. A rigor, eles precisaram apenas completar a prova.

Completar a tríplice corôa ainda é difícil. Não são poucos os casos de bons pilotos que passaram a vida inteira tentando vencer no oval de Indianápolis sem sucesso. Pode ser no ano que vem como pode demorar mais de dez anos sem acontecer. Mas se acontecer, por mais heroica que seja a conquista, não será justo colocar Alonso no mesmo patamar que Graham Hill. O Mister Monaco não recebeu suas conquistas de bandeja. O pai de Damon Hill era um gentleman e merece mais do que ver seu feito diminuído pelo oportunismo de quem pode e quer lucrar com a possibilidade de o espanhol repetir a proeza… mesmo que sem o mesmo mérito.