E agora? Como fica a audiência da F1 depois da aposentadoria de Felipe Massa?

Emerson Fittipaldi em sua Lotus 49C iniciou a série ininterrupta de brasileiros na F1 desde 1969

Com a aposentadoria de Felipe Massa, generalizou-se uma preocupação que já se apresentava entre o pessoal do meio automobilístico. O que vai ser da audiência das corridas do mundial sem um brasileiro no grid? Detentora dos direitos de transmissão, a Rede Globo vem promovendo o campeonato com um foco cada vez maior nos protagonistas da disputa ao invés de insistir em exagerar a exposição de nosso derradeiro representante.

Como resquicio do mote tradicional da emissora, podemos notar o quanto eles se esforçam para destacar os vinculos emocionais que unem Lewis Hamilton a seu idolo Ayrton Senna, algo a ser requentado sempre que a oportunidade se apresentar ou puder ser produzida, com direito a lagrimas, eventos com a fundaçao e presentes na forma de capacetes do falecido heroi nacional.

Ainda não se sabe ao certo se a estratégia de substituição está funcionando plenamente. Depois de muitos anos, a audiência da F1 vem aumentando, mas devemos reconhecer que tivemos campeonatos anormalmente disputados em 2016 e 17, mesmo considerando a conquista de Hamilton já no GP do México. Será que essa dramatização se sustenta num ano menos polarizado?

O espaço da F1 na grade de programação sofreu um revez com o fim da transmissão dos treinos oficiais, mas jamais recuaram para aquem do espaço que a categoria recebia nos áreos tempos de Piquet e Senna, quando apenas as provas eram transmitidas _ desde que não coincidissem com um jogo de futebol mais ou menos relevante _. Se, por um lado, a migração para as TVs por assinatura já é uma tendência consolidada ao redor do mundo, é bem provavel que a TV brasileira o faça por último por uma questão de inércia ou mesmo a evite caso os números dos anos 80 e 90 sejam recuperados.

De todo modo, tal cenário é quase impossível. Além da virtual falência de nosso automobilismo de monopostos, muito menos capaz do que já foi no sentido de preparar novas geraçõẽs para o mundial, devemos considerar também que a sociedade mudou muito de lá para ca. Colocando tudo em suas devidas proporções, a F1 vai ser mais um termômetro para medir nosso gráu de amadurecimento.

Felipe Massa anuncia sua segunda e definitiva aposentadoria da Fórmula 1

Cansado de esperar uma definição da equipe, Massa decidiu se aposentar definitivamente.

Agora é para valer. Felipe Massa cansou de esperar uma definição da Williams e resolveu se aposentar mais uma vez. O anúncio foi feito em uma das redes sociais do piloto, dando a entender que ele nem quis esperar para organizar uma coletiva de imprensa conjuntamente com a equipe, que se limitou a divulgar uma nota agradecendo pelos serviços de Felipe e pelo “favor” que ele fez ao retornar de sua primeira despedida quando da saída surpresa de Valteri Bottas para a Mercedes.

Muito embora as chances de Massa permanecer na equipe para 2018 ainda fossem grandes, o orgulho parece ter tido um papel importante na decisão do brasileiro, incomodado com o fato de a Williams estar a analisar outros nomes. Felipe era a opção de segurança, para o caso de Robert Kubica não atender aos requisitos físicos necessários para completar um Grande Prêmio de forma competitiva e segura em condições de corrida, para o caso de Paul Di Resta, piloto reserva do time, não aparentar ser capaz de entregar o mesmo nível de pilotagem do experiente brasileiro, ou ainda para o risco de a Martini, fabricante de bebidas alcoólicas, insistir em manter alguém com mais de 25 anos, o que eliminaria candidatos recém desempregados como Daniil Kvyat e, principalmente, Pascal Werlein, que conta com apoio da Mercedes.

A verdade é que a permanência do brasileiro dependia mais dos obstáculos enfrentados pelos seus concorrentes do que da expectativa de bons resultados que, em condições normais, Kubica, Werlein e mesmo Di Resta e Kvyat poderiam trazer na pista. O próprio crescimento do polêmico Lance Stroll ao longo da temporada, com o jovem canadense tendo inclusive superado a pontuação de Felipe desde o GP do México, diminuiu bainda mais a insegurança que fez Claire Williams pedir que Massa cancelasse a sua primeira aposentadoria no final de 2016. Felipe simplesmente parece ter cansado de esperar e não quis correr o risco de ser deixado de fora de maneira melancólica, com anúncio de outro nome enquanto ele ainda manifestava a vontade de continuar.

Enquanto segue a indefinição da Williams, fica a dúvida a respeito do que vai fazer Felipe Massa depois da Fórmula 1. Ele já demonstrou publicamente interesse em correr nos carros elétricos da Fórmula E, nos “stock cars” alemães da DTM e no mundial de corridas de longa duração (WEC), mas qualquer resposta pode ter de esperar até o ano que vem por ele ter demorado até novembro para se aposentar novamente e pela própria reestruturação pela qual algumas dessas categorias vem passando. No mais, fica a informação de que 2018 será o primeiro ano sem brasileiros no mundial de F1 desde a estreia de Emerson Fittipaldi em 1969.

 

GP dos EUA, uma prova movimentada marcada por boas estreias

Brandon Hartley finalmente chegou à Formula 1 quando nem ele mesmo esperava mais

O GP dos EUA foi uma corrida bem movimentada, com muitas ultrapassagens e grandes atuações de vários pilotos. Ainda assim, gostaria de chamar a atenção para alguns pilotos que, de maneiras distintas, fizeram suas estreias em Austin.

Depois de apenas nove  participações (boas) pela saudosa Manor em 2016, Esteban Ocon vem brilhando mais que seu colega de Force India, o bom pilotos Sergio Perez. Apesar se estar ainda um pouco atrás do mexicano na tabela de pontos, o jovem francês faz apenas seu primeiro ano em uma equipe razoavelmente competitiva e roubou os holofotes para si, demonstrando potencial para voar mais alto, enquanto Perez tem repetidas vezes pedido por ordens de equipe no afã de supera-lo. Enquanto o protegido de Carlos Slim vê cada vez mais distante qualquer possibilidade de ser chamado para um time de ponta, Ocon já aparece nos radares de uma Mercedes desencantada com o declínio do desempenho de Valteri Bottas.

Carlos Sainz pode jamais ter conseguido a chance de assumir uma vaga no time principal da Red Bull, mas conseguiu brilho próprio suficiente para esquecerem que se trata do filho de um multi-campeão mundial de Rali. O espanhol fez uma ótima estreia pela Renault, superando facilmente o respeitado Nico Hulkenberg na esquadra francesa e completando a prova com um surpreendente sétimo posto num carro que acabou de conhecer. bem a frente de Hulk, com uma vantagem construída ao longo do ano pontuando pela errática Toro Rosso, Sainz parece mais apto a vencer o desafio que derrotou Sergio Perez em seu único ano de McLaren, o de provar que pode ser piloto de equipe grande e, quem sabe, liderar a Renault para uma nova era de conquistas. É pagar para ver…

Nosso estreante mais digno do adjetivo no Texas foi o neozelandês Brendon Hartley. Surpreendido com a vaga deixada em aberto pela saída de Sainz da Toro Rosso e a insistência da Honda para que Pierre Gasly voltasse para a última etapa da Super Fórmula (onde luta pelo título empurrado pelos motores japoneses) , o piloto de 27 anos não guiava um monoposto desde 2012, pouco depois de ter sido excluído do programa de jovens pilotos da Red Bull. A bem da verdade, sua carreira havia dado uma guinada definitiva no sentido de se profissionalizar no mundial de endurance, onde lidera o mundial na equipe oficial da Porsche.

A experiência adquirida nas provas de longa duração parecem ter feito muito bem Hartley, que tinha fama de se arriscar demais nas categorias de base. Já campeão mundial no WEC em 2015, incluindo uma vitória nas 24 Horas de Le Mans agora em 2017, Brandon fez uma prova de chegadas, mantendo-se rápido e constante, chegando em 13º depois de largar em último por causa de punições que lhe tomaram um decente 18º posto no grid de largada. Herdando as posições que podia, defendendo-as bem, chegando a fazer a 8ª melhor volta da prova já perto do final, demonstrando confiança e conseguindo uma prorrogação de seu contrato surpresa para o GP do México, em que pese a grande atuação de Daniil Kvyat, que salvou um ponto com o 10º lugar, mas já não conta com a paciência da Red Bull depois de tantas chances desperdiçadas nas duas equipes mantidas pela marca de energéticos. Hartley dividirá a equipe com Gasly no circuito Hermanos Rodriguez…

Felipe Massa luta para manter um casamento sem amor com a Williams de olho em Kubica

Para alguém que se aposentou com estilo no final de 2016 e que fez questão de lembrar, ainda que educadamente, que pilotaria no ano seguinte como uma espécie de favor para a equipe Williams que tão bem o recebera na vida pós Ferrari, Felipe Massa parece estranhamente apegado á ideia de manter suas atuais funções para o ano que vem. O que teria mudado de lá pra cá? Por mais que as novas regras tenham deixado os carros mais dentro de seu estilo de pilotagem, não há o menor indício de que a equipe esteja a beira de um salto de competitividade para 2018.

Apenas o prazer de guiar no meio do pelotão vale o vexame de pedir para continuar depois de abrir mão de uma aposentadoria mais do que digna? Felipe pilotou nos limites de seu equipamento para marcar apenas dois pontos com um nono lugar. Algo um tanto impróprio para um piloto com histórico vencedor já sem expectativas de conseguir algo melhor para fazer no mundial.

Fato é que a Williams colocou Robert Kubica e Paul di Resta para andar com o carro de 2014 em testes privados. Ambos tem idade para preencher atender as exigências da Martini (principal patrocinador da equipe). Pode ser que o escocês de sobrenome italiano esteja sendo usado como contraste para avaliar o polonês sobre cujas capacidades físicas pairam sérias dúvidas. Entretanto, como existem detalhes que só ficariam claros se Kubica de fato alinhar em alguns GPs  para ser observado em situações de corrida, também pode ser que exista a possibilidade de ele ser efetivado para o ano que vem e, em caso de desastre, possa ser sacado, dando lugar a di Resta, supondo que voltar em tais circunstâncias seria demais para o orgulho de Felipe Massa. Ou seja, o brasileiro quer ficar, pediu para ficar, mas quer _ em atitude contraditória _ se sentir querido. É como alguém que luta para manter o casamento mesmo sabendo que sua esposa está dividida entre manter tudo como está ou apostar em uma nova paixão.

 

 

O adeus do GP da Malásia e o novo momento da F1

Já completou 18 anos a vitória inaugural do GP da Malásia, com Eddie Irvine pela Ferrari em 1999

Esse fim de semana deve marcar a despedida do GP da Malásia de Fórmula 1. No calendário desde 1999, Sepang é uma relíquia da expansão final do circo sob o império de Bernie Ecclestone. Em movimentos apenas comparáveis ao que João Havelange e sua turma fizeram com a FIFA, o cartola mor da F1 transformou o campeonato anual no maior evento esportivo do mundo. Há décadas que não se organiza um Grande Prêmio pensando em lucrar com a bilheteria nos autódromos. Sediar uma prova do mundial, na verdade, costuma dar um bom prejuízo por causa dos preços exorbitantes cobrados inventados por Ecclestone, preços que costumam ser pagos com apoio estatal, elevando tudo a um status geopolítico.

O Azerbaijão pagou para ressuscitar o “GP da Europa” nas ruas de Baku com o flagrante objetivo de aproximar o país, que fica nos obscuros limites entre aquele continente e a Ásia, do Ocidente. Interesses turísticos e comerciais estão por trás do investimento e também promoveram a construção de autódromos em Abu Dhabi, Bahrein, China, Coréia do Sul, Cingapura, Índia e outras praças com pouca ou nenhuma tradição no automobilismo de competição. Fazer parte do  calendário do mundial funciona como a carteirinha de um clube visto positivamente pelos mercados. Qual seria então a razão do adeus malaio?

Acontece que o cálculo mudou. O custo é simplesmente muito alto para ser mantido indefinidamente enquanto uns e outros consideram que a aventura foi um erro ou que já cumpriu o seu objetivo inicial, que nada tinha a ver com corrida de automóvel. Triste ver que tanto investimento nãos e transformou em arquibancadas cheias (ingressos caríssimos). Só estudos mais detalhados poderiam aferir se houve ou não um incremento na prática local do esporte.

Os novos donos da F1 sabem que o modelo anterior de gestão da categoria está totalmente esgotado e, ao mesmo tempo em que investem em áreas anteriormente ignoradas como relacionamento com o público, internet e redes sociais, vêem-se na urgência de abandonar a abordagem geopolítica de Bernie em benefício da restauração de mercados mais tradicionais, de um calendário que pode até aumentar, mas com GPs em praças com mais tradição. É hora de restaurar uma relação mais direta com os fãs e a bilheteria, tanto nas arquibancadas quanto pelo streaming.

Reação em cadeia deixa a Williams entre Felipe Massa e um “Corredor Polonês”

Depois de retornar da aposentadoria, Felipe Massa quer continuar, mas tem seu lugar ameaçado pelo fantasma de Robert Kubica.

 

Pois é… Alonso separou a McLaren da Honda, que foi para a Toro Rosso, que aceitou trocar de lugar com os japoneses por levar Carlos Sainz consigo para sua equipe oficial. Todos ganharam? Parece que não. Os franceses aproveitaram para anunciar que não pretendem renovar com a Red Bull para 2019, que pode ter de se virar com os problemáticos motores nipônicos depois de passar os últimos anos cuspindo no prato em que comeu. Uma verdadeira troca de casais. Outro prejudicado pela reação em cadeia provocada pelas mudanças foi Robert Kubica. Bem cotado para tomar o lugar do sofrível Jolyon Palmer na Renault, o polonês pode ter ficado sem opções para seu desejado retorno ao mundial.

De fato, o sucesso dos testes com a Renault conseguiram colocar o polonês de volta no mercado da F1, mas estamos falando de algo cada vez mais restrito. Hoje temos apenas dez equipes. Quase todas mantem algum tipo de programa para a prospecção de jovens talentos, com alguns sendo mantidos sob contrato desde o kart, criando situações conflitantes em que filas imensas se formam á espera de uma das vinte vagas. Filas difíceis de quebrar, que podem ser facas de dois gumes, evitando que esses pilotos aceitem oportunidades em times rivais. Muita gente boa e barata que pode ficar na geladeira para sempre. Nesse contexto, Kubica ainda é uma aposta bem arriscada.

A favor do polonês veio a notícia de que o atual campeão mundial, aposentado no final do ano passado, é seu novo empresário. Nico Rosberg ainda mantem laços profissionais com a Mercedes, o que pode facilitar os contatos com equipes que usam o motor alemão. Com Hamilton e Bottas já renovados no time de fábrica e a fila de jovens talentos já contratados esperando vagas a serem negociadas com Force India e Williams, o lugar mais visado acaba sendo o de Felipe Massa. A exigência de um piloto com mais de 25 anos por parte do principal patrocinador da equipe (marca de bebidas alcoólicas) elimina a garotada e abre espaço para um veterano.

A temporada de 2017 parece ter deixado claro que Felipe Massa quis se aposentar no final do ano passado por razões um tanto emocionais. O brasileiro não chegou a levar uma surra de Valteri Bottas nos anos anteriores, mas a superioridade do finlandês ficou bem evidente. Seu retorno se deveu tanto à vontade de ajudar a equipe que lhe recebeu muito bem depois do purgatório que foi o fim de sua relação com a Ferrari, mas também pelo fato de que seria o líder inconteste da Williams enquanto Lance Stroll amadurece. Felipe já deixou claro que gostaria de continuar, demonstrando que seu retorno está sendo bacana como está. Sem pressão, ele parece se divertir mesmo não brigando pelas primeiras posições, abrindo mão de buscar vitórias na Formula E, para onde já disse que vai depois que se re-aposentar da F1. A ressurreição de Kubica enquanto opção realista ameaça cortar o barato.

Desde o acidente em que quase perdeu o braço direito, Robert Kubica participou de vários ralis em diversas categorias com resultados medianos intercalados por vários acidentes. Acidentes, aliás, são uma tônica na carreira e na vida do corredor polonês desde as categorias de base, das ruas e no mundial. Quem não lembra de seu pavoroso encontro com o muro em Montreal? Apesar de alguns contatos com o WEC e a F E, ele não participa de uma corrida em circuito fechado desde 2011. São seis anos sem ultrapassar ou defender uma posição, fundamentos indispensáveis para disputar até uma corrida de kart. A Renault testou, elogiou, flertou, mas preferiu trazer Carlos Sainz Jr. Por que a Williams deveria correr esse risco?

A Williams não tem condições de enfrentar a Force India pela quarta posição entre os construtores, mas ainda depende de Massa para assegurar a quinta posição contra Toro Rosso, Haas e Renault, equipes com duplas de pilotos em condições semelhantes às do time inglês (um bom e confiável e outro imprevisível). Este é o campeonato do brasileiro que, com alguma sorte, tem chances de terminar o ano entre os dez primeiros. Kubica, por outro lado, só poderia eliminar as últimas dúvidas em torno de si disputando corridas. Com a falta de qualquer vaga na F1 ainda em 2017, ficaria a opção de se apresentar em alguma outra categoria. Com a Indy encerrando a temporada em poucos dias, restaria ao pretendente participar dos dois fins de semana restantes no calendário da F2 e/ou as duas últimas rodadas da Super Formula no Japão. Seriam boas referências por serem monopostos de alto desempenho e séries bem disputadas, mas tudo pode acontecer num mundo em que todos tem pressa… Inclusive nada.

 

Alonso conduz a dança dos motores que pode trazer alívio para todos em 2018

Honda e McLaren devem seguir caminhos separados em 2018 se a equipe quiser manter Alonso

Corridas em Spa Francochamps costumam ser interessantes para os fãs pelo simples fato de ser um autódromo à moda antiga, composto basicamente de curvas de media e alta velocidade, onde boa parte da volta é feita rondando os 300 Km/h. Trata-se de uma tarefa facilitada para os carros mais largos e com pneus maiores, mas exigente para os pilotos que tem de lidar com forças G cada vez maiores. Fernando Alonso deu mesmo um show no início da prova, escalando posições a partir do vácuo de carros mais potentes. Com o tempo o pelotão foi se espalhando naturalmente a realidade se impôs com o espanhol perdendo tudo e culpando a Honda pela enésima vez no rádio.

Questionado se ficaria na McLaren para 2018 apenas com a saída da Honda, Alonso disse que tudo se resolveria nas próximas semanas. Tudo pode acontecer. Inclusive nada, apesar de alguma mudança de motor ser o mais provável. Hoje valeria a pena até trocar a parceria com os japoneses por um motor Mercedes ou Ferrari de 2017 para o ano que vem. É consenso que ele já teria dito que só fica se os japoneses saírem, dando força mesmo a boatos curiosos como o de que já haveria um acordo entre a Williams e o bilionário “paitrocinador” de Lance Stroll no sentido de oferecer o assento de Felipe Massa para o bicampeão espanhol. Péssima notícia para o brasileiro, que anda ventilando aos quatro ventos que gostaria de continuar na ativa em 2018.

Se for verdade, a proposta indica que o pai de Stroll, que recentemente teria alugado Hockenheim para o garoto treinar com o carro de 2014, comprou não apenas a vaga para Lance, mas também algum nível de ingerência na gestão da equipe. Alonso costumava alegar (e é bom acreditar) que garantia diminuir o tempo de volta em meio segundo contra quem quer que fosse. Somando isso ao desenvolvimento posterior capitaneado por ele, seria o suficiente para fazer a Williams voltar a sonhar com alguns pódios. Um grande salto para o time. De todo modo seria uma surpresa se fosse o suficiente para voltar a brigar por vitórias e pelo título em bases sólidas no curto prazo, que é o único que interessa para quem se aproxima perigosamente dos 40 no circo. A McLaren com um motor mais potente ainda poderia ser uma melhor pedida.

A fama de traíra de Alonso só se reforça com as implacáveis críticas ao motor Honda, afastando ainda mais a possibilidade de um time de ponta se interessar por ele. Parte disso é ele sendo ele mesmo, sem tirar nem por, mas outra pode ser o fato de ele saber que não há opção melhor que a McLaren e que ele precisa melhorar o que tem para sonhar com resultados melhores. Hoje, melhorar é sinônimo de conseguir mais potência, seja como for.

Com Ferrari e Mercedes dando de ombros, pode restar a possibilidade de a Renault ceder os seus em troca de ajuda no desenvolvimento de seu chassis. Os franceses ganharam seus dois mundiais com Alonso e vem sofrendo um desgaste semelhante ao da Honda nas mãos da Red Bull. Alguma ajuda para superar os austríacos da RBR seria bem vinda pelos franceses mesmo que trouxesse junto a disputa por posições com a própria McLaren.

E por que não trazer Alonso para a Renault? Bom, eles mesmos já disseram que não estão prontos para tanto. Traduzido, isso quer dizer que eles não querem correr o risco de sofrer as críticas com que o espanhol tortura a Honda no caso de ainda não terem um conjunto vencedor em 2018. Cedendo o motor, que pode não ser tão bom quanto os de Ferrari e Mercedes mas é com certeza melhor que o japonês, eles e todos os envolvidos ganham mais um ano para pensar no que fazer. Aos nipônicos restaria um acordo com a Toro Rosso, visando um futuro melhor numa parceria com a Red Bull…

 

Durante as férias, a F1 vive de seus boatos e muitos podem ser verdadeiros

Com a Formula 1 de férias, começou a tradicional silly season, literalmente a “temporada das bobagens”, quando questionamentos válidos dão origem a todo tipo de boatos cuja veracidade fica em suspenso até o final do ano. São muitos os balões de ensaio lançados por pilotos e dirigentes, jogando verde para colher maduro num jogo bilionário. Vejamos alguns que estão em voga.

  • Será que a McLaren deixaria Alonso correr o resto do ano na Indy? Eles dizem que não, mas fica difícil descartar qualquer coisa depois de a equipe ter encarado a aventura das 500 Milhas de Indianapolis junto com o espanhol meses atrás. Os ganhos publicitários para todos os envolvidos foi imenso. Tudo pode acontecer. Eu não ficaria surpreso se ele fizesse mais uma ou duas corridas por lá ainda em 2017.
  • Sergio Perez na Williams? Eterno candidato a uma vaga na Ferrari, o mexicano segue sob alguma pressão de Ocon numa Force India ascendente. Ir para o time inglês seria, no mínimo, trocar seis por meia dúzia. Provavelmente um passo atrás. O assédio deve estar vindo da equipe, interessada nos enormes patrocínios que Perez tem no bolso. Num mundo ideal para ClaireWilliams, o mexicano viria fazer dupla com o bilionário Lance Stroll, desafogando de vez o orçamento e devolvendo Felipe Massa aos cuidados do INSS.
  • Lance Stroll na Force India? Bom, o jovem canadense reduziu bastante as desconfianças em torno dele depois de seu primeiro pódio. A boa temporada da equipe indiana deve ter atraído as atenções de seu abonado pai, a ponto de Vijay Mallya estar cogitando abrir mão de ter uma das duplas de pilotos mais fortes do grid, o que complementaria bem o boato anterior, de Perez na Williams.
  • Giovinazzi e Leclerc na Sauber? O primeiro andou bem substituindo o lesionado Pascal Werlein no inicio do ano pela equipe enquanto o segundo tem tudo para ser campeão da F2 em 2017. Ambos são pupilos da Ferrari, que tem de resolver o que fazer com os dois. A sucessão de brigas internas que acabou cobrando a cabeça de Monisha Kaltenborn, até então a voz de comando na equipe suíça, afugentou a Honda e jogou o time de volta para os braços dos italianos. Pelo menos um deles deve ter lugar garantido por lá em 2018. Quiçá os dois, para desespero de Marcus Ericsson.
  • Felipe Massa anda ventilando seu desejo de permanecer onde está em 2018. O problema é que o cancelamento de sua aposentadoria veio numa situação de emergência que parece já ter passado. Lance Stroll vem dando indícios de não ser tão ruim como se pensava e nomes como Sergio Perez (e sua grana) ou Pascal Werlein (e seus padrinhos da Mercedes) podem estar na jogada a qualquer momento. O brasileiro pode acabar tendo uma segunda despedida melancólica depois de abrir mão de sua aposentadoria quando já havia sido justamente homenageado em 2016.

Busca de alternativas para o “Halo” é mais uma bola dentro dos novos dirigentes da F1

Ferrari se pronta para testar o shield como alternativa para proteção da cabeça dos pilotos

Tudo indica que a nova direção da Formula 1 é lúcida o suficiente para reverter a adoção do polêmico “Halo”, anteparo visando a proteção das cabeças dos pilotos, em benefício de uma solução esteticamente mais harmoniosa.  Já nos treinos livres para o GP da Inglaterra a Ferrari deve experimentar o Shield (escudo), uma espécie de para-brisa feito de material transparente, obviamente derivado do aeroscreen, proposto pela Red Bull e reprovado em testes de impacto ano passado.

De todo modo, a feiura do halo, uma verdadeira justaposição de canos a frente da cabeça do piloto, já deveria ser o suficiente para optar pelo desenvolvimento de alternativas. Ele realmente poderia salvar a situação no caso de um pneu como o que matou o jovem Henry Surtees numa prova de F2 em 2009, mas poderia ser inútil contra a mola que quase fulminou Felipe Massa naquele mesmo ano.  Estruturas como o aeroscreen ou o shield, podem ser melhoradas a partir da utilização de tecnologia da industria aeronáutica, onde as carlingas de aviões de combate são feitas para resistir a impactos ainda mais contundentes do que os que vemos no automobilismo.

Ano passado, o Halo (a esquerda) pareceu ter vencido a concorrência do Aeroscreen (a direita)

De uma forma ou de outra, a categoria ganha tempo no sentido de adiar a aparentemente inevitável medida no sentido de fechar completamente o cockpit. Estruturas semelhantes a para-brisas estão presentes em toda a história da categoria e dos monopostos em geral, mantendo alguma continuidade e evitando qualquer descaracterização mais contundente, que poderia afetar a relação com os fãs.

(atualização – 20/07/2017)

Parece que a FIA resolveu bater o pé e manter o pavoroso halo para a temporada de 2018. A entidade abre a possibilidade de mais testes com o shield e outras opções para a proteção das cabeças dos pilotos, mas qualquer mudança já ficaria para o ano seguinte. Uma tragédia estética, mas também uma indicação de que os cartolas não querem ser pegos de surpresa por mais uma tragédia evitável…

 

 

Robert Kubica volta a testar um F1 seis anos depois de seu acidente e promove onda de boatos

Robert Kubica volta depois de seis anos em teste com carro que teria usado em 2012

Quem, finalmente, voltou a pilotar um F1 esta semana foi o polonês Robert Kubica. Desde de 2011, quando o piloto quase perdeu o braço direito em um acidente no Rali de Andorra, o piloto, que vinha em ascensão no mundial, enfrentou uma difícil recuperação parcial, onde sua capacidade de conduzir um carro de corridas virou uma incógnita.  O fato é que Kubica até conseguiu bons resultados aqui e ali, mas sempre em categorias menores. Mesmo badalado,  ele tem dificuldades até para conseguir patrocínios eventualmente, em evidente sinal de falta de credibilidade.

Pode ter sido apenas uma ação de relações públicas. A Renault permitir que Kubica desse umas voltas no carro que ele iria conduzir em 2012 só pode gerar notícias positivas. De todo modo, o que se passou foi algo mais. Ele deu mais de cem voltas no circuito Ricardo Tormo e Valência, simulando ritmo de corrida e de classificação. É claro que ainda pode ser um gesto de boa vontade, mas um teste tão completo num momento em que os franceses vem parecem estar se unindo à imprensa na cobrança de melhores resultados por parte do enfadonhamente fraco Jolyon Palmer ganhou ares de coisa mais séria.

Detalhe do braço direito do polonês, o afetado pelo acidente em 2011

Bom… ,se ele consegue aguentar uma corrida e fazer tempos próximos aos de Palmer, não haveria melhor momento para ensaiar um retorno. O fato em si teria um efeito positivo para a equipe em termos de mídia, semelhante á aventura de Alonso na Indy 500.

Em que pese não terem revelado os tempos de volta, a extensão dos ferimentos que Kubica sofreu nunca foram tão claras para o público quanto agora, com a publicação daquela foto que mostra seu braço direito atrofiado. seria uma narrativa de superação, algo comovente e sem qualquer cobrança por resultados. Se não der em nada, todos saem como pessoas bacanas, se der certo (mui improvável), teremos o polonês elevado ao nível mitológico de um novo Niki Lauda…

Além de sua grande performance, Alonso surpreende com mudança de atitude

Será verdadeiro esse novo Fernandinho “paz e Amor? Só o tempo dirá.

Tudo bem, Fernando Alonso não venceu as 500 Milhas de Indianapolis, mas provou que poderia ter vencido. Andou bem em todos os treinos, liderou mais de um quinto da prova e, quando o motor Honda, ironicamente, abriu o bico, ele estava já iniciando um ataque, escalando o pelotão da frente quando abandonou em 7°, com 31 voltas para o final. mesmo assim, foi uma grande exibição de um talento já mais do que reconhecido. O espanhol já se posiciona como forte candidato á vitória se, como parece o caso, resolver insistir no ano que vem. O mundo do automobilismo sentiu o efeito dessa aventura positivamente e vem se movimentando no sentido de eliminar ou reduzir as coincidências de calendário entre as provas mais importantes do mundial, a Indy 500 e as 24 de Le Mans.

O que realmente surpreendeu em Alonso foi ele ter deixado seu comportamento folcloricamente marrento e desagregador de lado nos EUA. O bicampeão mundial se comportou como um gentleman  desde o primeiro dia. Demonstrando humildade e respeito tanto pela importância do evento como pelo pessoal da Indy, ele conquistou a todos, incluindo o público americano, que aplaudiu afetuosamente um piloto cujo histórico de traições, vigarices e fanfarronices poderia facilmente ser usado para que ele fosse visto como um vilão estrangeiro e desrespeitoso, a quem deveria ser ensinada uma lição.

É claro que pode ter sido tudo de caso pensado. Não apenas para criar um ambiente mais favorável para si em sua estreia no brickyard, mas também como uma tentativa, um tanto tardia, de começar a melhorar a sua imagem na F1, aonde vivemos o paradoxo de vê-lo reconhecido como o melhor entre os melhores ao mesmo tempo em que as melhores equipes fecham-lhe as portas por causa de seu gênio incontrolável. Aos 38 anos, Alonso se mantem muito rápido, mas sabe que, se quiser deixar o mundial por cima, tem poucos anos para voltar a vencer e tentar emplacar o tri.

O próprio apoio da dupla McLaren/Honda para que ele iniciasse desde já a sua busca pela tríplice corôa do automobilismo (já vencedor em Mônaco, faltariam as 24 Horas de Le Mans e as 500 Milhas de Indianapolis) teria sido uma tentativa de apaziguar os ânimos, tentando reforçar os vínculos do time com o piloto, que já vem se oferecendo abertamente em busca de carros mais competitivos. Sabendo ter em Alonso o seu melhor ativo, o time inglês estaria, inclusive, procurando alternativas para se livrar da parceria com a Honda… sem muito sucesso, diga-se. vamos aguardar com atenção os próximos capítulos desta novela…