Pascal Wehrlein está para ser anunciado na Sauber, fechando a penúltima vaga para o mundial de 2017

Mesmo preterido para a vaga na Force India, Pascal Wehrlein segue prestigiado pela Mercedes
Mesmo preterido para a vaga na Force India, Pascal Wehrlein segue prestigiado pela Mercedes

Já em sua primeira semana, 2017 fortaleceu ainda mais a tendência de a Mercedes fechar com Valtteri Bottas. O boato da vez é de que o finlandês, ainda sob contrato com a Williams, já teria visitado a fábrica do time alemão. Não seria uma surpresa se a ocasião já tiver servido para pegar as medidas do piloto, moldar o banco e preparar o conteúdo para o anúncio oficial de um acordo que já pode estar fechado há mais tempo do que se imagina. A surpreendente aposentadoria de Rosberg deixou os alemães em uma situação difícil, que exigiu muita diplomacia para se resolver sem desagradar todas as partes envolvidas, incluindo equipes clientes, patrocinadores e pilotos de seu programa de desenvolvimento.

 Outro sinal de que as peças já se moveram é o “vazamento” na imprensa especializada de que Pascal Wehrlein já teria acordado a sua transferência da Manor para a Sauber. O jovem alemão era, teoricamente, o primeiro da fila de pilotos tutelados pelo time campeão de 2016. O curioso do caso dele é justamente a mudança para uma escuderia que não é cliente da Mercedes. Depois de ter sido preterido em benefício de Esteban Ocon para a vaga aberta na Force India (que usa os motores alemães, assim como Williams e Manor). Será que a Mercedes acenou com o fornecimento de seus ótimos motores para os suíços da Sauber em 2018? Para os coitados, que já haviam aceitado correr com motores Ferrari defasados em 2017 para não gastar, seria uma luz no fim do túnel. Mesmo assim, seria mais fácil manter Wehrlein na Manor, que já corre com os propulsores alemães e, inclusive, já vinha superando a Sauber desde o ano passado.

Manor morrendo na praia

Acontece que, nesta mesma semana, esse mistério foi desvelado. Os ingleses da Manor acabaram dando entrada com um pedido de falência. O resultado mais do que surpreendente de Felipe Nasr em Interlagos, com um nono lugar e dois pontos quase no apagar das luzes do campeonato fez a Sauber tomar a 10ª posição no mundial de construtores e as dezenas de milhões de euros a que ela dava direito, criando um enorme buraco no orçamento de seus adversários mais próximos, deixando muito pouco tempo hábil para que eles conseguissem uma solução alternativa. O caso é sério o suficiente para Totto Wolf (cartola da Mercedes) se preocupar em evacuar seus pupilos para equipes que estejam garantidas no grid esse ano. Dúvidas são péssimas para os negócios.

Mesmo preterido para a vaga na Force India, Pascal Wehrlein segue prestigiado pela Mercedes. Na pista, ele bateu seus dois companheiros de equipe em 2016 e marcou o único ponto da Manor. Seria uma enorme injustiça perder a promoção para Esteban Ocon e ainda ficar a pé em 2017.

Felipe Nasr não sabe aonde está nem para onde vai

Com a grana curta, os dias de Felipe Nasr na Formula 1 parecem contados
Com a grana curta, os dias de Felipe Nasr na Formula 1 parecem contados

Nos anos 80, o presidente americano Ronald Reagan, em visita à América do Sul, teria saudado o povo colombiano em uma coletiva de imprensa durante sua estada na Bolívia. Alertado para a gafe diplomática,  o ex ator de faroeste disparou a Colômbia seria a sua próxima parada, o que também não era verdade. Na manhã seguinte, a manchete de um grande jornal afirmava que: Reagan não sabe onde está nem para onde vai. Trata-se de uma insinuação carregada de ironia contra o homem que demoliu a URSS, mas que pode ser verdade se aplicada a Felipe Nasr.

Com os pontos conquistados heroicamente no Brasil, o jovem brasiliense pode ter selado seu destino negativamente. O nono lugar garantiu dois pontos e 30 milhões de euros para a Sauber que, graças a eles, superou a Manor no mundial de construtores. O dinheiro pertence já ao time suíço, que pode dispor dos recursos e da vaga de Nasr para encher ainda mais seus cofres vendendo o assento para outro piloto. Se ele realmente pensa que uma equipe de F1 pode se sentir constrangida a renovar seu contrato por causa de um dinheiro que já está em suas mãos, ele está muito enganado e, decisivamente, não sabe aonde está.

Praticamente abandonado pelo Banco do Brasil, Felipe poderia levar o que resta de seus patrocínios justamente para a Manor. A equipe inglesa seria uma ótima pedida para o brasileiro. Em 2016, ela já começou a emparelhar com a Sauber. Enquanto a tradicional equipe da Suíça lutava para sobreviver, já havendo acertado o uso de motores velhos da Ferrari para 2017, a Manor vinha ascendente, mantendo o desenvolvimento de seus carros e tendo o melhor motor do grid graças ao apoio da Mercedes. O segundo semestre de 2016 via o recente equilíbrio entre as duas escuderias começar a pender em benefício dos ingleses. Tudo indicava que a próxima temporada seria a da virada, quando a Manor deixaria a lanterna da Formula 1 definitivamente nas mãos da Sauber.

Acontece que o resultado que Nasr conquistou no Brasil bagunçou o coreto. Agora, sem dinheiro, a Manor pode ter de ser vendida para manter a sua operação. Ron Dennis, recém limado da McLaren por um grupo de investidores, já aparece como candidato e ninguém sabe quem ele pensa em colocar atrás dos volantes. Com  as cartas tão reembaralhadas, qualquer coisa pode acontecer. No entanto, é certo que cada centavo é importante e, com grana curta, o brasileiro ainda não sabe para onde vai.

Uma aposentadoria anula a outra e saída de Rosberg traz Massa de volta para 2017

Podemos dizer que o campeonato de 2017 começou com o anúncio da aposentadoria de Nico Rosberg. As razões mais ou menos públicas seriam o excesso de pressão provocado pelo constante atrito com Lewis Hamilton. Rosberg mesmo disse que prevaleceu a sensação de alívio depois da bandeirada em Abu Dabi. Ele está exausto e sabe que teve de lutar contra um piloto tecnicamente muito superior cuja personalidade imatura abre as portas para as atitudes mais desrespeitosas no dia a dia de um trabalho esquadrinhado pela mídia a todo momento.

Nico achou forças para se aproveitar dos erros e da arrogância de seu adversário, levou o caneco, mas resolveu sair. Por um lado, é uma maneira de negar a Hamilton a chance de uma revanche da qual o alemão sabe que teria poucas chances de sair com vencedor. Pior, o histórico de Hamilton indica que ele voltaria com força total em sua insistente vontade de humilhar Rosberg. Ao saber da aposentadoria, Lewis disse que não era surpresa, que esta teria sido a primeira vitória de Nico sobre ele em 18 anos, destilando uma falta de elegância que ainda pode tisnar a sua reputação.

A bomba caiu mesmo no colo da Mercedes. Quem colocar no lugar de Rosberg? O fato de não ter anunciado imediatamente um de seus pupilos como Paschal Werlein ou Steban Ocon, os alemães preferiram agir nos bastidores, deixando no ar especulações sobre Alonso, já dissolvidas pelo emaranhado de problemas contratuais. Experiencia é um produto muito valorizado em tempos de mudança de regulamento. Ficou claro que a equipe quer uma solução de curto prazo, alguém comprovadamente competitivo para andar próximo de Hamilton e garantir o time no multimilionário campeonato de construtores. O eleito parece ter sido Valtteri Bottas, piloto da Williams, que usa motores Mercedes e pode ser pressionada.

Pois bem, as engrenagens dos bastidores se moveram. O time de Grove não podia ficar sem um piloto experiente para liderar sua campanha já fragilizada pela estreia de Lance Stroll, canadense de apenas 18 anos. Eis então que Felipe Massa renovou com a Williams para 2017. Trata-se de uma decisão obviamente provocada pela surpreendente aposentadoria de Nico Rosberg e praticamente uma prova de que a Mercedes fechou com Bottas  para substituir o campeão de 2016. Para Massa, fica aquela situação chata em que se faz a festa de despedida e ela não se concretiza. O Brasil ganha mais um ano com presença garantida no mundial.

Todos respiram aliviados? Ainda não. Todas essas reviravoltas podem ter fechado a tampa do caixão da campanha de Felipe Nasr por uma vaga para o ano que vem. Algo a ser tratado com mais calma no próximo post…

E foi assim que a tartaruga venceu a lebre.

Como na fábula, o trabalho duro venceu o talento temperado com arrogância
Como na fábula, o trabalho duro venceu o talento temperado com arrogância

Há quem tente vender a conquista de Nico Rosberg como uma espécie de redenção dos “segundos pilotos”. Essa figura do escudeiro, tão desprezada pela crítica, é uma realidade menos presente do que estamos acostumados a pensar. Trata-se de uma narrativa talhada ainda pelo rancor que grande parte da torcida e da imprensa (?) sente por Rubens Barrichello, que para sempre carregará a culpa de não ter dado continuidade ao ciclo vitorioso do Brasil no mundial de Formula 1 depois da morte de Ayrton Senna.

Por um lado, é verdade que Nico foi bem sucedido em vencer um piloto tecnicamente muito superior com o mesmo equipamento, mas também é fato que a Mercedes jamais impôs sobre ele uma pressão semelhante à que a Ferrari, por exemplo, exercia sobre Rubens Barrichello em relação a Michael Schumacher ou, posteriormente, sobre Felipe Massa em relação a Fernando Alonso, no sentido de trabalhar pela conquista de seus colegas. Podemos incluir na conta também o escandaloso crash gate, quando Nelsinho Piquet recebeu ordens para bater deliberadamente de modo a beneficiar o mesmo Alonso em 2008, no GP de Singapura.

A rigor, Rosberg teve algumas vantagens em relação aos dois brasileiros. A primeira é o fato de o jogo de equipe pegar muito mal desde que começou a ser feito de maneira muito escancarada pelos italianos, como na Áustria em 2002 e na Alemanha em 2010. Mais recentemente, pilotos que se rebelaram abertamente contra esse tipo de ordem de equipe acabaram saudados pelo público, empurrando ainda mais para debaixo do tapete essas manipulações de resultado. Sim, estou falando de Max Verstapen, mas outros lhe seguiram o exemplo. Adicione-se à equação o fato de Nico ser alemão e de já estar na equipe desde 2010, além de ter batido Schumacher de maneira totalmente inesperada quando o heptacampeão mundial retornou da aposentadoria para liderar o time das Flechas de Prata, enchendo Nico de moral em três temporadas que merecem uma análise a parte.

Mesmo quando começou a dividir o time com Lewis Hamilton, Rosberg sempre foi capaz de andar bem próximo do inglês, sendo grande o número de dobradinhas entre eles. Nico sempre estava perto o suficiente para se aproveitar de qualquer erro de Lewis. A partir de 2014, quando começou a hegemonia da Mercedes, isso se traduziu em conquistas tranquilas de dois vice campeonatos por parte do alemão em três anos. Rubens Barrichello, por exemplo, foi vice duas vezes em cinco anos com Schumacher na Ferrari, num período maior e em que a concorrência de outras equipes era mais próxima. Diferentemente do brasileiro, Nico jamais precisou agir como escudeiro de Hamilton.

Na verdade, a imagem de piloto competente e cerebral de Rosberg só seria arranhada por ele mesmo. Ninguém esperava que ele pudesse bater Lewis Hamilton. O inglês sempre foi reconhecidamente mais talentoso. O que pegou relativamente mal foi o fato de Nico ter tido duas ou três vezes a oportunidade de abrir na liderança graças a erros ou problemas do inglês e ter se mostrado repetidamente incapaz de aproveitar as chances. O alemão parecia não ter a única vantagem que se esperava dele diante de um adversário sabidamente instável psicologicamente.

Com o tempo, Hamilton também passou a acreditar que podia brincar com Nico, que ele não representava um risco real para suas conquistas, como demonstrou em grosserias como arremessar seu boné num Rosberg já derrotado, na ante sala do pódio em Austin, 2015. Iniciou-se então uma versão ao vivo da fábula da Lebre e da tartaruga. Lewis simplesmente não resistia a uma oportunidade de humilhar seu colega, sentia-se onipotente e continuou esticando a corda até que ela finalmente arrebentou em 2016.

Isoladamente, pode-se escolher quando foi que Hamilton jogou o mundial fora. Pode ter sido ao não ter paciência para ultrapassar Nico em Barcelona, quando os dois bateram ainda nas primeiras curvas, ou ao não se esforçar para estudar os complexos controles do carro quando proibiram as instruções pelo rádio e ele se embananou em Baku, quando ele largou mal no Japão e acabou preso numa arriscada batalha com Max Verstapen. O próprio Lewis chegou a insinuar que sua quebra de motor enquanto liderava na Malásia teria sido suspeita, mas o fato é que ele falhou mais de uma vez com suas obrigações. Enquanto Nico estava virando a noite estudando os manuais dos complexos controles do volante, o inglês era figurinha fácil das badalações com celebridades e chegou a lançar um disco! Cada um dos vacilos citados neste parágrafo, se evitado, poderia ter feito a diferença para superar os cinco pontos de vantagem que deram o caneco para Rosberg.

Provavelmente, o mais correto é atribuir a conquista do alemão a seu trabalho duro e sistemático, aliado á ausência de outras equipes competitivas nós últimos anos e, finalmente, a falta de foco de Hamilton. O título é mais do que merecido e deve ficar para a história como uma daquelas raras ocasiões em que a Formula 1 puniu a arrogância premiando quem simplesmente deu o melhor de si.

Com pressão até o fim, Hamilton acabou sublinhando o merecido título de Rosberg

Contra todas as expectativas, Nico Rosberg finalmente bateu Lewis Hamilton e se fez campeão mundial
Contra todas as expectativas, Nico Rosberg finalmente bateu Lewis Hamilton e se fez campeão mundial

É tentador afirmar que Lewis Hamilton atirou o fair play pela janela na etapa de encerramento do mundial de 2016. Por um lado, é verdade que ele simplesmente não tinha outra opção se quisesse interferir com Rosberg. Manter a liderança na largada e segurar o ritmo era só o que ele podia fazer para expor Nico aos ataques de Red Bull e Ferrari e, quem sabe, vê-lo perder as duas posições que lhe dariam o título junto com a vitória. Por outro lado, ele sabia que a manobra seria polêmica e que só poderia ser tentada em Abu Dabi. Fizesse o mesmo em corridas anteriores, é bem provável que a polêmica tivesse tempo de se transformar em punições para ele ou em novas regras no já bizantino manual da Formula 1.

É preciso dizer que Lewis poderia ter sido bem mais agressivo em sua abordagem. Apenas na última volta o inglês segurou o pelotão a ponto de os quatro primeiros aparecerem juntos no vídeo. No resto da corrida, Hamilton evitou sumir na liderança, mas sempre deixou espaço para Rosberg correr poucos riscos. A retranca do líder chegou a colocar Max Verstapen entre ele e Rosberg depois de uma rodada de pit stops da qual o jovem holandês se absteve. Nico colocou a faca nos dentes e ultrapassou Max que já vinha com pneus muito desgastados.

O engarrafamento provocado por Hamilton bem poderia ter sido causado naturalmente por algum problema ou confusão. Prefiro acreditar que a manobra ocorreu dentro dos limites de segurança, o que pode legitimá-la para uso futuro, sendo levada ao limite apenas no final, quando Vettel se aproximou perigosamente. Acabou abrilhantando a conquista do piloto alemão.

O horroroso autódromo de Yas Marina tem um traçado problemático me termos de ultrapassagens (Alonso que o diga), mas acabou servindo bem ao plano de Hamilton. Se o campeonato do ano que vem não trouxesse tantas mudanças de regulamento técnico, as equipes teriam investido mais no desenvolvimento dos carros de 2016 na expectativa de aproveitar os resultados na temporada seguinte. Ferrari e Red Bull poderiam ter encostado mais na Mercedes, quem sabe?

No final, foi como deveria ser. Rosberg deu tudo de si e conseguiu aproveitar os erros de um piloto sabidamente superior para conquistar o mundial e isso tem muito mérito. Ele sabe que essas circunstâncias dificilmente se repetirão e surpreendeu o mundo com o anúncio de sua aposentadoria dias após a conquista, notícia que caiu como uma bomba no mercado de pilotos e é assunto para outro post. Por hora, ficam os parabéns e a certeza de que Nico deixou a sua marca.

Na semana marcada pela tragédia que se abateu sobre a delegação da Chapecoense, fica a lição de que a vida é muito maior que o esporte, que deve ser respeitada e vivida fazendo o que se gosta e perto de quem se ama. Nico Rosberg escolheu ter mais tempo para a família e teve o privilégio de fazê-lo depois de sua maior conquista. Uma oportunidade negada às vítimas do criminoso voo da LAMIA, que acabou matando dezenas de pessoas por insistir em economizar um punhado de dólares.

Banco do Brasil abandona o barco e torna crítica a situação de Felipe Nasr na Formula 1

Sem novos patrocinadores, o brasileiro dificilmente alinha no grid da Formula 1 em 2017
Sem novos patrocinadores, o brasileiro dificilmente alinha no grid da Formula 1 em 2017

Como previmos, a situação de Felipe Nasr na Formula 1 continua se deteriorando. O Banco do Brasil, que acompanha o brasiliense desde 2012, anunciou que não vai renovar o patrocínio com a Sauber. Trata-se de um verdadeiro desastre somado ao já conhecido recuo da Petrobras, que também vai abandonar suas ações de publicidade no mundial depois do GP de Abu Dabi. Passada a festa pelos pontos no Brasil, representantes da equipe suíça já fizeram questão de lembrar que a situação financeira do time já estava assegurada com a sua compra pelo grupo de investimentos Longbow Finances. Os milhões praticamente garantidos com a atuação de Nasr seriam um bônus e, de todo modo, estão na conta deles independentemente de quem pilotar os carros no ano que vem.

Obviamente não existe isso de alguém dar de ombros para dinheiro na F1. Não é de hoje que pilotos pagantes são a regra e dizer não para a fila que eles devem estar fazendo na porta da Sauber simplesmente não faz sentido. Apenas um milagre na forma de novos patrocinadores pode manter Felipe Nasr no mundial em 2017. Está começando a ficar caro demais. Hoje, o mais provável, que se inicie uma reação em cadeia com a migração definitiva das transmissões das corridas para a TV fechada. Dependendo de como se desenvolver o processo de privatização de Interlagos, podemos perder o GP do Brasil em pouco tempo.

Felipe Nasr finalmente mostrou a que veio, mas pode ter sido tarde demais

Felipe Nasr pode ter salvado a equipe, mas pode ser que a Sauber não tenha como devolver o favor
Felipe Nasr pode ter salvado a equipe, mas pode ser que a Sauber não tenha como devolver o favor

Felipe Nasr fez a corrida de sua vida no último GP do Brasil, mas é preciso dimensionar tudo que está acontecendo. Mesmo esta exibição condensada de seus predicados e os muitos milhões de Euros que ela garantiu nos cofres de sua equipe podem não ser o suficiente para manter o brasileiro na F1 em 2017. As boas notícias para Nasr meio que acabam por aqui.

Desde a corrida anterior, quando muita gente importante estava cravando como certa a sua ida para a Force India, muita coisa mudou. A força por detrás do boato estaria num suposto apoio de Bernie Ecclestone, o manda chuva da categoria, que estaria interessado em manter um piloto brasileiro num carro minimamente competitivo depois da aposentadoria de Felipe Massa, reforçando os laços com um dos maiores mercados do mundo. Acontece que esse é o mesmo Bernie que vive ameaçando os organizadores do Grande Premio do Brasil com o cancelamento da prova por variadas razões. Depois de o cartola britânico cogitar inclusive a compra de Interlagos caso o autódromo seja de fato privatizado pela nova gestão municipal, só podemos reforçar a lição de que, dele, podemos esperar tudo, inclusive que ele dê de ombros e mude de objetivo a qualquer momento.

Nesse meio tempo, a equipe indiana sofreu pressão para seguir o rumo natural de contratar um dos pilotos afilhados da Mercedes, que lhe fornece os motores e poderia oferecer um desconto. O escolhido foi Esteban Ocon. Paralelamente, Banco do Brasil e Petrobras acenam publicamente com o desejo de reduzir ou encerrar seus investimentos na F1, praticamente puxando o tapete de Felipe Nasr no pior momento. Difícil não supor que os dois maiores patrocinadores brasileiros na categoria já não estivessem dando segurança de seu apoio quando Nasr perdeu o bonde durante o ano, deixando de fechar acordos com Renault e Williams. Ainda assim, não podemos culpar as duas estatais pelo fraco desempenho do piloto de Brasília em 2016.

É preciso reconhecer que, num momento de grave crise política e econômica, Felipe Nasr teve um desempenho medíocre em 2016, sendo superado sistematicamente por Marcus Ericsson numa Sauber cada vez mais decadente. Uma combinação péssima para quem contava com apoio das estatais a ponto de se reunir com o governo federal. Por mais que o resultado esperado tenha vindo justamente no GP do Brasil, pode ter sido muito pouco  e tarde de mais. No final do ano, as empresas já costumam ter decidido o planejamento publicitário para o período seguinte, num momento em que chega a ser um desafio político separar dinheiro público para o automobilismo, tido como esporte de elite por excelência. Some-se a isso o fato de Nasr ser uma espécie de “último dos moicanos” com o automobilismo brasileiro caindo pelas tabelas. Sem nome algum enchendo os olhos nas categorias de base, o Brasil pode ficar um bom tempo sem novos pilotos no mundial.

Viva México!

Enquanto nós vivemos o fim dos frutos de um ciclo vencedor iniciado por Emerson Fittipaldi em 1972 e encerrado por Ayrton Senna em 1991, a América Latina parece ter encontrado um novo representante no México. O país tem uma economia quase do tamanho da brasileira, fala a língua mais difundida no continente e representa uma porta dos fundos para os EUA, sendo a maior minoria entre os americanos, com mais de 30 milhões de mexicanos vivendo ao norte do Rio Grande, principalmente em seus antigos territórios tomados pelos ianques da Califórnia ao Texas (sede do GP dos EUA).

Para além disso, o GP do México voltou com tudo, sendo um sucesso de público e os pilotos locais seguem com enorme apoio financeiro, incluindo ai o apadrinhamento de Carlos Slim, bilionário que se alterna com Bill gates no posto de homem mais rico do mundo. Sérgio Perez é tido em altíssima conta por seus conterrâneos e vem mantendo uma sólida carreira na F1. O problema se complica ainda mais para Nasr por causa do outro mexicano da categoria.

Esteban Gutierrez teve a chance de sua vida pela Haas, equipe americana (lembram dos mercados limítrofes?) que estreou muito bem este ano com Romain Grosjean. Ofuscado, o jovem mexicano acabou perdendo a vaga para o ano que vem e já foi bater na porta da Sauber, interessado na vaga do brasileiro. Dinheiro ele tem de sobra, enquanto Nasr não tem como levar os milhões que seus pontos podem ter garantido para a equipe suíça para lugar algum.

Mato sem cachorro

A Formula 1 não é alheia a valores como ética e honra, mas o dinheiro costuma falar mais alto. Nasr pode ter ajudado a salvar a Sauber com seus pontos, mas a equipe segue em grave crise. Comprada este ano por um fundo de investimentos, ela mal pagou suas contas. Preocupada em sobreviver, a escuderia suíça viu prejudicado qualquer esforço no sentido de desenvolver um carro para o ano que vem, que trás um regulamento bem diferente do atual.

Pior, eles fecharam um acordo para usar um motor Ferrari de 2016 para a próxima temporada. Sem desenvolvimento, eles tendem a começar mal e terminar o ano ainda piores em termos de potência. Pode ser que Nasr fique, mas a tendência é que o mexicano e sua maleta cheia de pesos vençam a parada se Felipe não conseguir cobrir a aposta com novos patrocínios não se sabe de onde. Isso tudo, para ficar no que já é a pior equipe do grid.

Existe uma possibilidade remota de vaga na Manor, no lugar de Ocon. O problema é que o time usa motores Mercedes e o lugar tende a ser oferecido para alguém apoiado pelos alemães. Trata-se de um acento bem melhor que o atual para Nasr. A equipe vem evoluindo e já é discretamente melhor que a Sauber. Diante das circunstâncias, seria um gol espírita para o brasileiro que, na prática, está num mato sem cachorro.

Chuva, suor e lágrimas marcam o GP do Brasil mais emocionante dos últimos tempos

Felipe Massa se despediu do GP Brasil com rara dignidade
Felipe Massa se despediu do GP Brasil com rara dignidade e teve um momento só seu com o público

O acidente de Felipe Massa, felizmente sem gravidade, acabou servindo para que o piloto tivesse uma despedida digna de jogador de futebol. A interrupção da prova criou o contexto para que ele saísse do carro no meio da reta principal e, diante das arquibancadas, recebesse  ovação que merecia da torcida, incluindo os aplausos generalizados de todas as equipes na medida em que ele caminhava pelos boxes, com destaque para o afeto demonstrado pelos mecânicos da Ferrari, a verdadeira casa de Massa ao longo da maior parte de sua carreira no mundial. Diante da impossibilidade de conseguir um bom resultado com a Williams, não se poderia ter planejado uma homenagem melhor para seu último GP do Brasil. Às lágrimas, Massa se despediu com uma dignidade invejável.

A mesma chuva que provocou o fortuito abandono do brasileiro demonstrou mais uma vez os limites que a F1 vem evitando ultrapassar em nome da segurança. Interlagos é um circuito perigoso no trecho entre a junção e o esse do Senna, que já foi o cenário de acidentes mortais em categorias nacionais e alguns pavorosos no mundial, com destaque para a pancada de Fernando Alonso quando ainda corria pela Renault. A possibilidade de aquaplanagem pode criar circunstancias para batidas em “T” quando um carro desgovernado ricochetear no muro de volta para o meio da pista como num fliperama. Kimi Raikonen perdeu o controle de sua Ferrari e ficou á mercê de uma colisão de quem viesse depois no ponto mais veloz do circuito. Felizmente ele escapou do pior e a prova foi interrompida (mais de uma vez).

O holandês voador

Na briga pelas primeiras posições, penso que Max Verstapen se precipitou ao colocar pneus intermediários quando a chuva deu uma diminuída. As previsões já indicavam que ela iria se intensificar novamente e permanecer até o fim da prova. Mais do que isso, era de se esperar que houvessem novos acidentes e bandeiras amarelas criando oportunidades manter ou retomar o segundo lugar de um Rosberg que dificilmente arriscaria lutar pela posição. Pegar Hamilton era claramente o objetivo de Max, mas seriam outros quinhentos. O inglês é craque na chuva e precisava vencer para se manter vivo no campeonato. Teria sido uma batalha épica, ou não. Poderia terminar em poucos segundos num acidente que daria o título para Nico aqui mesmo no Brasil. Jamais saberemos. A meta era ousada. Ousadia, aliás, é a marca de Verstapen ,que vem conquistando cada vez mais fãs. De todo modo, o erro acabou proporcionando um show do jovem holandês em sua recuperação. Sem dúvidas, o melhor piloto da corrida.

 No mais, a chuva deu margem á boas apresentações do espanhol Carlos Sainz, Felipe Nasr e do francês Esteban Ocon. Poderíamos incluir o mexicano Sérgio Perez, mas a Force India vem andando bem faz algum tempo e ele não pode ser considerado uma revelação. Bom de chuva e um piloto sólido, Perez tem crédito para arriscar um pouco mais e está devendo uma vitória para si e seus defensores. Já passou da hora de ele provar que é isso tudo que ele acredita ser. Espera-se mais de quem tem ambições de cavar uma vaga na Ferrari e ser campeão mundial. Em pouco tempo, poderemos dizer o mesmo de Sainz. Ele vem se desenvolvendo bem, mas a comparação direta com pilotos como Verstapen, que até outro dia era seu companheiro de equipe na razoável Toro Rosso. Uma coisa que o holandês nos fez lembrar é que as equipes medias e pequenas insistem que seus pilotos sejam responsáveis, metódicos, poupem o equipamento e cheguem sempre ao final das provas, mas as grandes abrem mesmo suas portas para os ousados, para aqueles que apostam alto em si mesmos e oferecem desempenhos espetaculares.

Nasr e Ocon se enfrentaram num jogo de xadrez em meio a carros mais velozes. Eles tinha de se manter na pista em corridas de resistência que  os tinham colocado na zona de pontuação entre os dez primeiros colocados, seguindo em frente quando quem estava á frente abandonava ou parava nos boxes. Um verdadeiro fio de navalha, lembrando que Sauber e Manor são os piores carros do grid. Previsivelmente, os dois se tornaram vítimas relativamente fáceis no final da prova, sendo ultrapassados pelos conjuntos mais competitivos e inteiros. Nasr, que chegou a andar em 6º, conseguiu garantir o 9º posto e dois pontos na tabela, enquanto o francês acabou em 12º, zerado.

O resultado é importantíssimo. A Manor já tinha um ponto e estava na frente da Sauber no mundial de construtores, garantindo uma premiação de milhões de Euros, o verdadeiro ar que essas equipes respiram justamente no momento em que a equipe de Nasr vai ficando claramente para trás nessa disputa para não ser a pior do campeonato.

Nico Rosberg enfrenta seus demônios diante do espelho e sobrevive ao GP do México

Só Nico Rosberg sabe o duro que ele está dando para manter o campeonato sob controle
Só Nico Rosberg sabe o duro que ele está dando para manter o campeonato sob controle

Nico Rosberg e Lewis Hamilton tiveram carreiras mais ou menos paralelas desde crianças. Apesar de terem sido companheiros de equipe no kart em 2000 e de terem a mesma idade, Rosberg conseguiu se manter sempre se manter um passo à frente no caminho para a F1, disputando em um ano a categoria em que Hamilton chegaria apenas no ano seguinte. Filho do campeão mundial de 1982, o finlandês Keke Rosberg, Nico é filho da nobreza automobilística. Ele optou pela nacionalidade alemã (da mãe), abrindo as portas da maior economia europeia em busca de apoio para uma carreira que tinha tudo para dar certo, dada a rara combinação de talento e sobrenome.

Lewis é daqueles virtuosos que aparecem muito de vez em quando. O exuberante talento do inglês brilhava no escuro, chamando a atenção de gente do porte de Ron Dennis. O chefão da McLaren cuidou pessoalmente para que ele tivesse do bom e do melhor até estar pronto para guiar um de seus carros.

Chega a ser comovente o esforço que Nico Rosberg vem fazendo para ser campeão esse ano. Chegar em segundo é uma missão arriscada quando franco atiradores como Max Verstappen tem carro o suficiente para encostar nele e nada a perder. O jovem holandês chegou a mergulhar audaciosamente na presença de um retardatário, mas acabou levando o “X”. Um acidente ali e Rosberg veria sua vantagem em relação a Lewis Hamilton cair para apenas um mísero ponto com duas corridas para o fim da temporada.  Ele tem de andar rápido o suficiente para marcar Lewis sem correr riscos desnecessários nesse jogo de xadrez em que se transformou o mundial de 2016. Deixar Max passar para evitar o perigo poderia lhe expor aos ataques de Vettel e Ricciardo ou, no mínimo, lhe obrigar a chegar em segundo no Brasil e em Abu Dabi.

Tudo terminou bem, Nico pode ser terceiro em uma das duas provas restantes, mas tudo pode ser posto a perder a qualquer momento nesta que tem tudo para ser a sua única chance real de ser campeão do mundo. Red Bull e Ferrari parecem ter isso bem claro e estão jogando no erro do alemão para se intrometer entre as Mercedes e, quem sabe, estar no lugar certo se alguma chance de vitória estiver á mão. Tudo pode acontecer, inclusive nada. O normal é Hamilton impor a sua superioridade, desfilando na liderança até o final do ano, com Rosberg logo atrás, mas não se engane. Dentro do capacete, o segundo piloto das flechas prateadas enfrenta seus demônios metro a metro. Triturado por Lewis nos últimos dois anos, ele sabe que não terá outra chance de provar para a imagem no espelho que ele pode e merece ser campeão.

Nas ondas do rádio

Aos dois pilotos da Mercedes seguiu-se a confusão. Depois de quase  destruir o campeonato de Nico Rosberg, Max Verstappen acabou ficando á mercê de Sebastian Vettel e só conseguiu evitar a ultrapassagem do piloto da Ferrari cortando caminho pela grama, em flagrante quebra do regulamento. Max tinha de entregar a posição ou seria punido, mas não o fez. Vettel, desesperado, acusou o jovem de o estar segurando para que fosse ameaçado por Daniel Ricciardo. O australiano de fato chegou e só não passou por ter sido espremido pelo alemão em corajosa defesa de posição. Ao saber que o diretor da prova só julgaria as reclamações depois da prova, o ferrarista o insultou furiosamente. Tudo foi para o ar.

O que vimos no México é daqueles casos que vão constar nos manuais de treinamento para os fiscais. Quando um piloto cuja punição é inevitável  segue na pista, ele se torna um risco para todos. Em 1989, Nigel Mansell, já eliminado por uma bandeira preta, permaneceu na pista e acabou batendo em Ayrton Senna. O caso atual é ainda mais grave dada a proximidade do companheiro de equipe de Max logo atrás de Vettel, que estava a ponto de ser prejudicado duplamente. Verstappen deveria ter recebido uma punição imediatamente e não quando estava para subir ao pódio.

Dos males, teria sido o menor, mas os fiscais acabaram considerando a defesa de posição de Vettel contra Ricciardo ilegal baseados na nova regra criada depois que Max mudou de direção durante a freada no Japão para evitar um ataque de Lewis Hamilton. Verstappen , punido com 5 segundos, perdeu a posição para o alemão, que foi punido com 10 segundos e acabou atrás dos dois carros da Red Bull. Francamente. Para além da exagerada burocratização das disputas por posição na pista com regras bizantinas, estamos diante de um caso que desafia a lógica. Se Max fosse punido imediatamente, ele não teria segurado Vettel que, por sua vez, não teria sido ameaçado por Ricciardo. A situação fica ainda mais estranha quando sabemos que Vettel não foi punido pelos insultos no rádio… ou será que foi?

Faltando três rounds, Rosberg precisa apenas se manter de pé para confirmar o título

Rosberg deu mole na largada, mas conseguiu se recuperar e garantir o segundo lugar
Rosberg deu mole na largada, mas conseguiu se recuperar e garantir o segundo lugar

Mais do que a vitória tranquila, foram as declarações de Lewis Hamilton durante a semana do GP dos EUA que deram a entender que tricampeão parece estar em um trecho mais tranquilo de sua interminável montanha russa emocional. Lewis andou falando que “aceitaria a derrota como um homem”. Vinda de outra pessoa, tal afirmação poderia ser um indício de iluminação espiritual ou de um amadurecimento que ele sempre teve sucesso em tangenciar sem jamais atingir.

Faltando apenas três corridas para o fim do campeonato, a aceitação da derrota parece ter tido o efeito de retirar a pressão de seus ombros. Sendo assim, nada mais provável que Hamilton vença as provas restantes, superando as 51 vitórias de Alain Prost, e se tornando o segundo maior vencedor da história do mundial. Trata-se de um bom objetivo capaz de entretê-lo no curto prazo. Ainda distante das 91 de Michael Schumacher, Lewis deve retomar a usual ansiedade apenas no ano que vem. Isso, é claro, se Rosberg não fizer alguma bobagem.

Apesar da sólida corrida de recuperação, a péssima largada de Nico lembrou que, mesmo a missão de marcar seu talentoso companheiro de equipe, conquistando os dois segundos e o terceiro lugares fundamentais para garantir o título, ele vai precisar se esforçar. A Red Bull continua se aproximando. Daniel Ricciardo parece seguro na terceira posição da tabela. Mais atrás, Sebastian Vettel, Kimi Raikkonen e o furacão Max Verstappen estão separados por apenas 12 pontos. Todos os quatro tem bons motivos para forçar a barra se tiverem alguma chance. Qualquer erro de Rosberg pode colocá-lo no meio dessa confusão. Hamilton vacilou até deixar o campeonato nas mãos de Nico. O alemão precisa ter muito cuidado para não retribuir o favor na reta final.

Ultrapassar é preciso

A Formula 1, infelizmente, segue com sua política de desencorajar as ultrapassagens. Em que pese o fato de o mecanismo de abrir as asas em algumas retas ter ajudado a movimentar as corridas, as ultrapassagens facilitadas pelo DRS nem de longe oferecem a emoção das tradicionais em disputas de freada e outras manobras mais arrojadas. O mesmo vale para as defesas de posição. Qualquer clipe com os melhores com os melhores momentos da corrida no Texas ou do GP do Japão desse ano vão mostrar os embates entre Hamilton e Verstappen em Suzuca ou de Alonso e Massa no Circuito das Américas.

Enquanto o jovem holandês foi tremendamente criticado por ter mudado de trajetória durante a freada para a chicane, numa grande demonstração de talento, Fernando Alonso foi questionado por ter tocado rodas com Felipe Massa no miolo da pista americana. se existem riscos inerentes em qualquer corrida de automóveis, precisamos ponderar que o espetáculo simplesmente não sobreviverá se toda e qualquer manobra mais arriscada forem suprimidas. Ou os dirigentes procuram soluções para deixar os carros mais seguros, com anteparos que impeçam o contato entre os pneus, ou estamos condenados a dar razão para os críticos que comparam as provas do mundial a desfiles.

Hoje em dia, além do risco de ter de abandonar a prova por causa de um choque, os pilotos tem de pensar mil vezes antes de tentar uma manobra pela qual podem ser penalizados com acréscimo de tempo em seus resultados, passagens obrigatórias pelos boxes ou perda de posições no grid das provas seguintes. Alonso se apressou em acusar Massa de ter provocado o toque, já prevendo que os fiscais poderiam lhe prejudicar depois da manobra.

O espanhol, aliás, fez uma corrida heroica, igualando seu melhor resultado no ano, reafirmando-se como o melhor do grid mesmo dez anos depois de seu último título, ganhando sete posições desde a largada. A torcida para que a McLaren e a Honda lhe entreguem um equipamento competitivo em 2017 só cresce.