Sarney e os comunistas?

O ex-presidente José Sarney e seu grupo hoje deitam o malho no comunista Flávio Dino, por tê-los derrotado nas urnas de 2014. Entretanto, vale lembrar que, no governo Sarney, o Brasil reatou as relações com Cuba de Fidel, com a antiga União Soviética comunista, com a China comunista, e, de quebra, tirou o PCdoB da clandestinidade. No 1º governo Roseana, o PCdoB fez parte, com Marcos Kovarick no Iterma.

Sermão aos Peixes

Entre as várias operações a serem mantidas na gestão do novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, ele citou na posse a Lava-Jato e a Sermão aos Peixes, desencadeada no Maranhão, cuja 5ª fase ocorreu na semana passada. Seria oportuno que a PF e o Ministério Público Federal dessem a conhecer o andamento dos processos das operações anteriores.

Posições controversas

Atrás e ao redor do ex-presidente José Sarney gravita uma legião de admiradores que o seguem cegamente. São os que levam vantagens da proximidade e os desinformados que o consideram a expressão máxima da política até maior do que o próprio Maranhão, que ele mandou e comandou por meio século. De todos os oligarcas que dominaram o Maranhão, José Sarney foi o maior, mais duradouro,
mais poderoso, mais intelectualizado e o mais competente. Por isso, a claque continua firme, torcendo contra qualquer projeto de governo que contrarie Sarney. É a ideologia da centralização da riqueza maranhense em mãos de uma minoria, mesmo pregando desenvolvimento social, que não chega aos grotões da pobrezona esparrada.

É inimaginável um político com tanto poder no Brasil não conseguir, durante tantos anos de mando, tirar o Maranhão da condição de estado mais pobre do país, mesmo com o maior potencial econômico, turístico, cultural, geográfico e até hidrográfico do Nordeste. E, apesar de tudo isso, o sarneísmo continua a enfeitiçar tantos seguidores, até os mais miseráveis que nunca tiveram qualquer oportunidade. Para essa população, nada mudou desde 1965, época dos discursos inflamados de Sarney contra o estado deplorável que herdou de outras oligarquias igualmente perversas.

Em 2003, fim do governo Roseana Sarney, que sucedeu João Alberto, que substituiu Edison Lobão, sucessor de Epitácio Cafeteira, a Fundação Getúlio Vargas publicou o índice de pobreza do Brasil, tendo por base o censo de 2000. Mostrou o Maranhão com 68,75% de famílias em situação de pobreza absoluta. O pior índice do Brasil e com o maior
número de pessoas miseráveis. Centro do Guilherme, na época, tinha 95,32% de sua população vivendo com menos de R$ 80 por mês. Em 2012, a posição do Maranhão não melhorou, continuou com o pior índice do Brasil. Das 10 cidades com menor IDH, quatro estavam no Maranhão.

Agora, em 2017, com Flávio Dino rompendo apenas três anos de mandato à frente do governo, Sarney e suas mídias tentam transformá-lo no mais incompetente, por não ter conseguido fazer o que ele, sua filha e seus comandados não conseguiram em 50 anos: “Construir o Novo Maranhão”. Mesmo assim, uma legião de admiradores e deserdados do poder tentam desconstruir a imagem de Flávio Dino, por ser comunista, ou por ter derrotado o sarneísmo pela via democrática do voto. É o jogo da tentativa de retorno em 2018, com o mesmo discurso de 1965.

Seguir em frente

Doa a quem doer, mas as operações da Polícia Federal, com os órgãos de controle (RF, CGU e MPF), precisam ser amplas, imparciais e suficientemente técnicas, com provas robustas que levem os corruptos aos rigores da lei. O Brasil precisa urgentemente deixar de ser referência mundial em corrupção. Não combina com a índole do brasileiro.

Coutinho melhora

O médico Dr. Zequinha, que acompanha o tratamento do deputado Humberto Coutinho em Caxias, disse ontem que ele teve melhora significativa e já pode ter alta esta semana. Deve até retornar logo ao cargo de presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão. A família diz que as correntes de orações por ele valeram muito.

Apurando resultado

Para o procurador-chefe do MPF no Maranhão, José Leite Filho, os estudos sobre o compartilhamento estão concluídos e avaliados. Só resta ser colocados em prática. Primeiro analisar as rotinas de trabalho de cada órgão. Daí então, na etapa seguinte, verificar se a fusão realmente é uma boa saída para a falta de recursos.

Ideia apreciável

A ideia não deixa de ser bem vista pela população, razão dos serviços oferecidos pelo MPF e MPT. Além de facilitar o atendimento às pessoas, os dois órgãos estão fazendo uma coisa necessária e urgente: economizar dinheiro público sem prejudicar suas funções para as quais
são pagos pelo contribuinte. Merecem ser imitados.

Peso da crise

Por redução orçamentária da União, os órgãos Ministério Público do Trabalho e Ministério Público Federal já discutem no Maranhão como fundir as duas instituições para dar maior eficiência ao papel de cada uma. O compartilhamento e racionalização de ações e espaços permite maior eficácia na prestação dos serviços à população.

Candidatura vermelha

Nos dois extremos do Brasil, a cor da bandeira vermelha do PCdoB se faz notar. A deputada estadual do Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila foi aclamada pela militância do partido mais antigo do Brasil (PCdoB) como pré-candidata à Presidência da República em 2018. No extremo-norte, quem dá as cartas no poder estadual do Maranhão é outro vermelho,
Flávio Dino, que carimba em sua biografia o fato histórico de ser o primeiro governador do Partidão, numa eleição em que defenestrou do Palácio dos Leões o grupo Sarney.

Dino chegou a ter o nome metido nas especulações de ser o candidato à eleição presidencial, mas ele mesmo se encarregou de desfazer os boatos, reafirmando o seu projeto de concorrer a um novo mandato de governador. Foi o suficiente para a disputa se transformar numa guerra política e midiática. A aclamação de Manuela D’Ávila ocorreu durante a
abertura do 14º Congresso da legenda, realizado em Brasília, sexta-feira. O governador Flávio Dino é contra a candidatura própria, porém, não fomenta discussão interna a respeito, que tem como forte ingrediente a candidatura de Lula, do PT.

Manuela disse que o seu partido tem proposta. Citou, como exemplo, o governo de Flávio Dino. Para ela, o PCdoB também demonstra na prática que os comunistas sabem governar. “Flávio comprova a experiência de gestão bem sucedida, ou seja, eficiência do governo comprometida com
a existência do Estado para os que dele precisam”, declarou. Sobre uma eventual frente unificada de esquerda nas eleições, D’Ávila pontuou: “Acredito que são os partidos que têm compromisso com a justiça social, com investimentos em políticas públicas que diminuam as desigualdades, num Estado sendo o motor do desenvolvimento”. Manuela defendeu mudanças radicais na economia. E tirar o país do tripé macroeconômico, cujo objetivo é remunerar o rentismo, explorando as riquezas do trabalho para transferi-las ao mercado financeiro.

Lembrando a Balaiada

Assembleia Legislativa do Maranhão aprovou Projeto de Lei que institui a data 13 de dezembro como o Dia da Balaiada, o maior movimento revoltoso e popular do Maranhão, liderado pelo Negro Cosme. Autor da iniciativa, o deputado estadual Bira do Pindaré (PSB) destacou a importância da data para a história do Maranhão.