Pra onde vai o PMDB?

O PMDB de São Luís, comandado pelo deputado Roberto Costa, cujo donatário no Maranhão é o senador João Alberto, está perto de decidir o que fazer sobre as eleições da capital. As opções do maior partido no Maranhão, por incrível que pareça, são: fazer aliança na capital, saindo puxado pelo PDT de Edivaldo Júnior, ou do nanico no Maranhão, PP, do deputado Wellington do Curso. A segunda alternativa é relaxar e apoiar a candidatura própria do vereador Fábio Câmara à prefeitura.

Fábio Câmara está no meio de um caminho tortuoso. Buscar um segundo mandato na Câmara de Vereadores, ou partir com tudo, por conta e risco, para disputar a prefeitura, mesmo em completa desigualdade em relação a pelo menos quatro candidatos: Edivaldo Júnior (PDT), Eliziane Gama (PPS), Wellington do Curso (PP) e Eduardo Braide (PMN). É o sinal de que ele terá um imenso desafio de ganhar a confiança do partido e do eleitorado, se deslocando de onde estar nas pesquisas, beirando os 3%.

O senador João Alberto, que a princípio fazia restrição à candidatura de Câmara, hoje está naquela de lavar as mãos. Por sua vez, o deputado Roberto Costa, que tem o domínio do diretório municipal, também está mais maleável sobre Câmara arriscar seu projeto de candidato à sucessão de Edivaldo Júnior.

Roberto Costa está mais preocupado hoje é com sua candidatura à prefeitura de Bacabal, onde encontra-se bem colocado, esperando apenas que o ex-deputado Zé Vieira receba o cartão vermelho da fixa suja, por um pacote de contas reprovadas no TCU quando foi prefeito daquela cidade. Ele está na espreita apenas de Vieira registrar sua candidatura, para buscar a impugnação necessária, via Ministério Público. É o jogo sendo jogado.

O xadrez eleitoral de São Luís

 

O PSB de São Luís vai ter que resolver a parada: o deputado Bira do Pindaré surgiu como candidato a prefeito e deixou o governo Flávio Dino para se desincompatibilizar. Ele mandou recados duros à deputada Eliziane Gama, que se preparava para assumir o PSB e ser a candidata. Ela ‘desarmou’ a Rede e voltou ao PPS.

Nem bem a poeira dessa encrenca baixou e já surgiu o vereador Roberto Rocha Júnior, filho do senador Roberto Rocha, como candidato a prefeito. O pai vinha colocando toda a força na opção Eliziane Gama. Agora o vento socialista mudou de direção e Bira vai ter que se entender com o vereador.

Por sua vez, o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PDT), também entrou no jogo ‘socialista’. Exonerou o representante do PSB, Aldo Rogério Ribeiro Ferreira, da pasta de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semapa). Para o lugar, foi Maria do Carmo Mendes, indicada diretamente pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, mandachuva do PSD.

No último fim de semana o prefeito Edivaldo Júnior recebeu a adesão à sua candidatura à reeleição, do PEN, comandado pelo deputado federal Júnior Marreca e pelo ex-deputado Jota Pinto. A reunião na sede do PEN reuniu ainda o deputado César Pires e os pré-candidatos a vereador por São Luís.

Em se plantando, dá

Prefeito-Edivaldo-HolandaAo receber o prêmio de “Prefeito Empreendedor”, do Sebrae, o chefe municipal de São Luís, Edivaldo Júnior, provou que, quando o poder público quer, faz. O projeto “Fomento aos Negócios do Campo” é uma iniciativa de sucesso, mas que precisa ser ampliada o máximo.

Com ela, pequenos plantadores de hortas e frutas terão como produzir, obter renda e acabar com a “importação” de cheiro-verde e cebolinha do Pará e Ceará. A Ilha Upaon-Açu é cortada de rios, com imensas áreas que podem ser utilizadas pelos pequenos produtores, com potencial para diversificação de culturas.

Uma perda gigante em Balsas

O principal polo agrícola do Maranhão, centralizado na região de Balsas, no sul, pode perder na safra deste ano algo em torno de 20%, segundo estimativa do deputado estadual Stênio Resende. Ele é um dos produtores de grãos na região e tem por lá sua base eleitoral.

A colheita da soja já começou e os produtores calculam prejuízo em torno de R$ 500 milhões, causado pela falta de chuvas no tempo certo do plantio. As plantações foram afetadas ainda por praga, o que aumentou o custo. As lavouras ficaram “ralas” porque as plantas não cresceram como deveriam, reduzindo a produtividade.

Dilma com a caneta cheia

Ao precipitar o desembarque do governo, julgando ser o impeachment de Dilma Rousseff favas contadas, o PMDB de Michel Temer até agora não cumpriu o anunciado, festivamente, por uma banda da cacicada interesseira. A presidente petista mandou encher a caneta para assinar a demissão de 800 peemedebistas e até agora não conseguiu nem meia dúzia.

Caneta dupla
A canetada tem que ser dupla: cada demissão, uma admissão. É gente que sai e gente que entra. O governo tem aproximadamente 22 mil cargos de livre nomeação, os que dispensam concurso público e quase todos preenchidos por indicação partidária. O PMDB, desde o governo Sarney, que chegou ao poder pela via transversal da eleição indireta de Tancredo Neves, até hoje mantém uma legião de apadrinhados encarapitados nos empregos federais “de confiança”.

As perguntas
A pergunta que não quer calar é: e se o impeachment não passar, como vai ficar o PMDB, seu presidente nacional e vicepresidente da República, Michel Temer? E na hipótese contrária, passando o impeachment de Dilma por causa das “pedaladas fiscais”, como fica a situação de Temer, que também as decretou quando no exercício da Presidência?

Contorcionismo
São essas questões que não podem ser desprezadas, até porque existe ação no STF abordando hipótese de Temer assumir. Enquanto isso, Dilma Rousseff permanece com a caneta cheia para demitir e nomear. A fila das nomeações é grande, enquanto os peemedebistas fazem contorcionismo para não abandonar os empregos, exatamente numa temporada em que encontrar outro é uma tarefa quase impossível. Esta semana, portanto, será determinante para que o “desembarque” do comandante Michel Temer se complete.

rubens_jr

Rubens Jr. contra Sérgio Moro

Oito deputados federais do PCdoB e do PT, dentre os quais o maranhense Rubens Pereira Júnior, ingressaram no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com reclamação contra o juiz federal Sérgio Moro. Motivo: interceptação telefônica da presidente da República, de ministros de Estado e de senador da República.

Dizem os autores da ação que houve desrespeito à competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal para decretação de tal medida: divulgar o conteúdo sem autorização judicial e/ou com objetivos não autorizados em lei; e ainda violar o sigilo na comunicação profissional entre advogado e cliente.

Othelino contra “o golpe”

othelino_netoO deputado Othelino Neto (PCdoB) classificou de “oportunistas” os que brandem a espada do golpe, dizendo que o impeachment não é golpe, porque está previsto na Constituição. “Não se trata disso. O que se contesta é que esse instrumento tem regra na Constituição para ser aplicado. É o crime de responsabilidade, no qual Dilma não o incorreu”, pontuou

DEM quer 50 candidatos

juscelino_filhoO deputado Stênio Resende, cujo sobrinho, deputado federal Juscelino Filho (foto), assumiu o comando do DEM no Maranhão, promete lançar pelo menos 50 candidatos a prefeito e a vice às eleições de outubro. O Democratas perdeu o deputado César Pires, mas ganhou o Cabo Campos e Stênio. Bancada de três na Alema, com Antônio Pereira.

Terceiro turno ampliado?

As posições de Flávio Dino, governador do Maranhão pelo PCdoB, e de sua antecessora Roseana Sarney (PMDB) sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff desfraldam um cenário regional fictício de “terceiro turno” sem eleição. Dino é radicalmente contra o golpe, se movimenta intensamente na defesa de sua ideia.

Na oposição
Já Roseana navega na corrente oposta. De repente, ela sai da autoflagelação política de 2014 para o ato do “desembarque” do PMDB do governo que, na prática, não aconteceu. O ato, de tão inusitado, assustou políticos, o governo e muita gente que acompanhou os peemedebistas gritando “Fora PT”. O mais espanado, entre notáveis, foi, sem dúvida, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso. Em tom de estarrecimento, ele olhou para a foto dos personagens, velhos conhecidos da Polícia Federal,de braços erguidos, entoando o coro: “Brasil pra frente, Temer Presidente”. Barroso exclamou: “Meu Deus do céu! Essa é nossa alternativa de poder?”.

Terceiro turno
Por que um “terceiro turno”? Pelo menos na imaginação de Roseana Sarney. Ela foi a Brasília para o desembarque, como quem queria mostrar a Flávio Dino que o grupo Sarney está pronto para o que der e vier. Não é, porém, o que os fatos mostram. Quem manda no PMDB maranhense é o senador João Alberto e não mais Roseana. E ele está do lado oposto ao impeachment.

Afinadíssimos
Assim como seu colega Edison Lobão, o deputado federal João Marcelo e mais Weverton Rocha, PDT, afinadíssimo com Flávio Dino, que, por sua vez, ganha destaque nacional com sua posição. De quebra, ocupa o espaço de José Sarney no Palácio do Planalto. A diferença é que ele ataca o impeachment como político, ex-juiz federal e professor universitário de Direito. A sua postura, portanto, não é de quem está buscando um posto na Esplanada dos Ministérios, mas se colocando como opção real das esquerdas no Brasil, seja qual for o desfecho da crise.

Se Dilma vai, Temer também vai?

Se Dilma for afastada do cargo em razão das pedaladas fiscais, a mesma regra pode ser aplicada contra Michel Temer, o vice que, como a presidente, também, na função de titular, “pedalou” por decreto, além de ter sido citado na delação de Delcídio do Amaral. E aí? Eduardo Cunha, presidente? Ora, pílulas!!!