Arquivos da categoria: Sem categoria

Tempero Apimentado

 

Jô Soares dizia que vice não fala. Mas isso foi no tempo da ditadura. Porém, na democracia, vice não só fala como negocia cargos, consome uma montanha de dinheiro e toma o poder do titular. No Maranhão vários vice-prefeitos estão hoje encarapitados na prefeitura e o titular respondendo processos na Justiça. Michel Temer nem se fala. Está tudo dominado para ele sair da interinidade e entrar pra história como o primeiro vice que derrubou a primeira mulher presidenta do Brasil.

O vice do Fernando Collor, Itamar Franco não fez nada para assumir. Mas ganhou meio mandato no Planalto. Collor foi derrubado pelo irmão Pedro Collor e os “caras pintadas” na rua. Agora, com o prazo das convenções municipais terminando amanhã, em vários municípios, os candidatos a prefeito ainda não escolheram o vice. Nem o prefeito de São Luís, Edivaldo Júnior tem o seu. Passa por uma espécie de “peneira” das conveniências.

eliziane_gamaSó ontem, a deputada Eliziane Gama (PPS) conseguiu obter o nome do tucano José Joaquim para companheiro de chapa, um vereador de longa carreira, ligada aos movimentos católicos e de conduta irrepreensível. Vai ser a chapa ecumênica, pois Eliziane é da Assembleia de Deus. Wellington do Curso vai fazer convenção amanhã, mas até ontem negociava com o PV seu vice “verde”.

O vereador Fábio Câmara deve concorrer com chapa puro-sangue, do PMDB, e sem aliança alguma. O vice é o coronel da reserva da PM, Flávio de Jesus. Seja como for, os vice estão sendo tratados como um sujeito esperto, de muito tempo para maquinar conspiração, então ou ser leal de tempo integral. Mas a lealdade de vice é uma lealdade meia tigela. Sempre falta algo na relação institucional. É um tempero pra lá de apimentado.

Eles vão ter que se entender

Se o senador Roberto Rocha e o governador Flávio Dino chegarem às eleições de outubro cada um esticando, no sentido oposto, o cabresto do burrinho, é bem provável que vai sobrar muito pasto e pouco pastores. Lembra o poema de Mário Quintana? “Todos estes que aí estão / Atravancando o meu caminho / Eles passarão. / Eu passarinho!”

A política é uma passarinhada eterna. Quem passarinha nunca deixa de caçar suas espécies. José Sarney não passarinha mais. Está idoso e foi abalado pelas gravações de Sérgio Machado a quem tanto confiou a ponto de ser chamado de “pai”. Pelo que fez, Machado cravou-lhe uma lança nas costa do “pai”. Sarney tenta se recuperar. Como?

E Roberto Rocha e Flávio Dino vão ter que se entender não pelas eleições municipais, mas pelo que vem depois delas. Assim como surgiu Sarney em 1965, derrotando Victorino Freire, e em 2014 foi Flávio Dino derrotando Sarney, pode aparecer outro “empanturrador de urnas” em 2018. Até lá pode até haver reforma política com mudanças que quebrará os as regras de hoje e o cenário será outro.

A pergunta que não cala: cadê os Sarney?

Ninguém responde a essa indagação básica, aparentemente simplória, mas de profunda reflexão. Faltam apenas dois dias para o período das convenções que vão definir candidatos a prefeito e vereadores, mas ninguém discute, comenta ou especula sobre a vida do PMDB, partido que mandou no Maranhão desde a volta da democracia no governo Sarney.

Ainda nem se completaram dois anos da eleição de 2014 em que o ex-juiz federal Flávio Dino passou uma “tratorada” sobre a estrutura sarneísta, criada em 1965 e mantida sob controle rígido até 31 de dezembro de 2014, quando o substituto de Roseana Sarney, deputado Arnaldo Melo terminou os últimos dois meses do governo peemedebista. O nacionalmente conhecido “Grupo Sarney” entrou em estado comatoso.

E 2016 é marcante para Flávio Dino reforçar as estacas de seu projeto de poder, elegendo o maior número de prefeitos, inclusive o da capital, nos principais centros e assumir o comando das eleições de 2018. Mas para isso é preciso mostrar resultado de seu mandato de “Mudança”, aproveitando o desmonte do esquema sarneísta. Hoje suas lideranças estão resumidas no deputado Adriano Sarney, o ex-deputado Ricardo Murad, o empresário Edinho Lobão e o ministro Sarney Filho.

A oligarquia virou pó. José Sarney tem 86 anos – sem mandato, enquanto João Alberto e Edison Lobão, os dois senadores do grupo, estão idosos com mais de 80 e chegando para o fim do mandato. Em 2018 dificilmente retornarão ao Congresso. Sarney Filho está no sétimo mandato de deputado e Roseana nunca mais falou de política. Resta a Flávio Dino, se quiser ocupar o vácuo, fazer quatro anos de governo que repercuta positivamente dentro e fora do Maranhão. Espaço existe. Resta saber se em meio à crise, ele chegará inteiro no fim da jornada.

As encrencas partidárias de Edivaldo e Eliziane

Pelo menos duas encrencas estão formadas na disputa da prefeitura de São Luís, exatamente com os dois candidatos que estão tecnicamente empatados na dianteira das pesquisas. O prefeito Edivaldo Júnior (PDT) e a deputada federal do PPS, Eliziane Gama. Ambos ainda não definiram o candidato a vice.

Júnior negocia aliança com o PSB, mas encontra resistência da base do partido que prefere a candidatura própria do deputado Bira do Pindaré. Aliás, foi o mesmo movimento que bloqueou a filiação da deputada Eliziane Gama, quando ela tentou sair da Rede.

Ao se aproximar do PSB, estimulada pelo senador Roberto Rocha, Eliziane encontrou a porta fechada pela tal militância que hoje trava a entrada do partido na aliança com Edivaldo Junior. Hoje ele daria a vice ao PSB, que tanto pode ser Bira do Pindaré quanto o vereador Roberto Rocha Júnior.

Já a encrenca de Eliziane é o PMDB. Ela teria oferecido a vice ao PSDB do deputado João Castelo, que, por sua vez, prefere o nome do vereador José Joaquim ao ex-deputado Pinto da Itamarati, presidente do diretório municipal dos tucanos. Ao entrar em conversa com o PMDB, João Alberto condicionou o apoio: Eliziane terá que ir à Roseana Sarney sacramentar a aliança.

O recesso e a recessão

Julho antecede agosto, o chamado mês do desgosto, mas também dos primeiros Jogos Olímpicos no Brasil e do recesso parlamentar. Diz o dicionário Michaelle que, recesso é local remoto e afastado; retiro, recanto, lugarejo. Também férias dos congressistas, parlamentares estaduais e vereadores.

O Judiciário também, conforme previsto na Lei Orgânica da Magistratura, os tribunais superiores tem suas férias em julho, quando o atendimento ao publico passa a ser em horário diferenciado.

Toda essa onda de recesso, que inclui alunos e professores, ocorre num país em recessão profunda. Em meio a uma crise sem precedentes nos tempos recentes, as autoridades com seus salários agigantados e privilégios infindáveis, solenemente, vão fazendo de conta que não têm nada com isso.

Dane-se o povo e viva os poderosos. A recessão e recesso parecem até sinônimos. Para os poderosos a recessão é apenas uma questão psicológica, que passa distante de suas vidas nababescas.

Na Câmara dos Deputados, cujo presidente Rodrigo Maia não completou uma semana no cargo mas já definiu que só terá sessão duas vezes por semana enquanto durar as Olimpíadas. Depois entra o recesso branco das eleições municipais, quando os parlamentares vão cuidar de eleger prefeitos e vereadores em suas bases eleitorais.

Tudo isso acontecendo quando a população ganha mais forças nas mobilizações de ruas para reivindicar direitos esbulhados. Todos têm salários de marajá, casa para morar, ajuda escolar aos filhos, passagens de graça, plano de saúde, de alimentação e até de suas farras a gente paga.

A polêmica Lei do Abuso

A exemplo do Ministério Público Federal e das entidades que congregam a Polícia Federal, também a Associação dos Juízes Federais (Ajufe) lançou a campanha online em busca de apoio contra a aprovação do projeto da nova Lei de Abuso de Autoridade, que deve ser votado em agosto no Senado. Todas as entidades ligadas à Justiça dizem que o projeto é uma tentativa de intimidar os juízes e criminalizar a atividade judicial.

O texto, assinada pelo presidente da Ajufe, juiz federal maranhense Roberto Veloso, informa que a petição online já conta com mais de cinco mil assinaturas de apoiadores. O documento será entregue aos 81 senadores. Muitos deles estão encalacrados em processos tramitando em diferentes instâncias da Justiça, no Ministério Público ou sendo investigados pela Polícia Federal.

O interesse pelo projeto – embora seja negado pelos senadores – seria retirar poderes dos que fazem parte das forças-tarefa da Lava Jato e da Zelotes, os mesmos “criminosos poderosos” que vão julgar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, em agosto. O PLS 280/2016, que define os crimes de abuso de autoridade, é de autoria do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Prevê punição para servidores públicos, “na hipótese de prisões fora dos padrões legais”. A indefinição do que vem a ser isso, é o mote para levantar uma cortina de fumaça sobreo verdadeiro objetivo do projeto.

Fábio Câmara segue firme na pré-candidatura

fabio_temer_divulgSem se preocupar com a posição nas pesquisas, ainda ao redor de 3%, o vereador Fábio Câmara não pretende desistir facilmente de disputar a prefeitura de São Luís. Ele está vencendo as resistências da cúpula do PMDB maranhense e já vai buscar apoio do presidente interino Michel Temer.

Se reuniu em Brasília com Temer e outros caciques do PMDB para defender sua candidatura. Mesmo fazendo isso, Câmara terá que avançar em seu projeto local, pois no âmbito nacional, a situação não é nada boa. Nem Michel Temer consegue sair à rua, temendo constrangimento do famoso grito de guerra da oposição: “Golpista!”.

PV e uma única certeza

adriano sarney_ALSem candidato a prefeito de São Luís, o deputado Adriano Sarney disse que o PV, cuja bancada ele lidera, não tem posição definida sobre a eleição. Porém, sabe com quem Partido Verde não coliga: o PDT de Edivaldo Júnior. Mas já conversou bastante com a deputada Eliziane Gama, candidata do PPS.

“Completamente indefinido”, diz Costa sobre o PMDB

roberto costa_AL“Completamente indefinido”, foi como o deputado Roberto Costa classificou a posição de seu partido, o PMDB, sobre a eleição de São Luís. Se não lançar Fábio Câmara à prefeitura, tem como opção o PDT de Edivaldo Júnior ou o PP de Wellington do Curso. Mas Câmara já não tem as mesmas resistências de antes.

Sousa Neto nega apoio a Ribamar em Santa Inês

Sousa Neto_ALO deputado estadual do Pros, Sousa Neto, foi procurado pelo prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves, em busca de apoio. Neto disse não, mas também está sem definição, depois que a candidata Vianey Bringel, que ele acertara apoiar, apareceu com o governador Flávio Dino, no Palácio dos Leões. Neto ficou decepcionado.