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O que eles querem?

Produzindo frases de efeito e repetindo algumas da coletânea do pai, governador Luiz Rocha, morto em 2001, o senador Roberto Rocha não para de espinafrar o ex-aliado Flávio Dino. Como o “socialista” do PSB, Rocha esbordoa os “comunistas” do PCdoB, no jornal dos Sarney.

Repatriação aos pedaços

Agora, danou-se. A repatriação dos R$ 169,9 bilhões em novembro de 2016, que rendeu R$ 59,9 bilhões ao Tesouro Nacional de multas e juros, ainda não acabou e tudo indica que, se escarafunchar com o devido cuidado tecnológico, outra montanha de dinheiro irá para o país de contas secretas no exterior. Aquela primeira repatriação rendeu ao Tesouro R$ 50,9 bilhões, arrecadados de impostos e multas, cujo montante teve a parte distribuída aos estados e municípios – um alívio geral no fim do ano.

No total, 25.011 contribuintes pessoas físicas e 103 empresas aderiram ao programa de repatriação da grana escondida. A maior parte dos ativos (R$ 163,87 bilhões) foi declarada de pessoas físicas. As empresas, por sua vez, declararam R$ 6,06 bilhões em ativos. Agora, o líder do governo Michel Temer no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR), disse ontem que o projeto de lei da Câmara sobre a nova fase da repatriação de ativos não declarados deve ter arrecadação menor. Por quê? Porque não permite a inclusão de parentes de políticos, esposas
e filhos de presos e denunciados da Lava-Jato.

Diz Jucá, um dos grandes conhecedores das artimanhas da República, que grandes empresários não aderiram ainda à repatriação porque são parentes de algum tipo de agente público. Agora, com o projeto, em tese, eles terão dois caminhos: não fazer, ou fazer, entrando na Justiça em busca de liminar, como alguns já o fizeram. A restrição à participação de parentes de agentes públicos na nova rodada de repatriação deverá impactar a arrecadação do programa. Quanto ainda tem de grana lá fora, certamente, só Deus sabe.

Parlamento regional

Imperatriz vai sediar a próxima reunião do Parlamento Amazônico. A decisão foi tomada na X Reunião Ampliada do colegiado, que aconteceu no Plenário da Câmara Municipal, em Marabá, no Pará. Wellington do Curso foi quem fez o pedido do encontro no Maranhão.

O centro do carnaval

A prefeita de Vitória do Mearim, Didima Coelho, quer fazer de sua cidade o centro do carnaval da região do Mearim, Itapecuru e até da Baixada. Vai ter banda demais da conta. Em ano de carnaval da crise em várias cidades, Vitória quer capitalizar mais uma vez.

Um novo embate histórico

Se Roseana atender aos apelos do irmão, Zequinha, e do sobrinho,
Adriano Sarney, aceitando disputar o governo em 2018, o Maranhão terá um novo embate histórico, para não ser esquecido.  Vai ser a revanche deste começo de século.

Flávio Dino estará na mesma posição de Roseana em 2010, quando ela ganhou com 50% e Dino dividiu o outro Lado com Jackson Lago. A soma dos dois deu 1,509 milhão de votos, contra 1,459 milhão da governadora, que dois anos antes cassou Jackson Lago.

“Pavor em Brasília”

Título-capa da revista Época, que resume tudo sobre como o governo brasileiro quase inviabilizou um acordo com autoridades suíças para investigar casos de corrupção da Lava- Jato. “É uma operação para erguer barreiras de contenção diante da avalanche que se avizinha com a abertura das investigações decorrentes da Odebrecht”, diz a publicação.

Dois bicudos…

Não chega nem ao grau de animosidade o clima entre o vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão, e o presidente da Juventude do PSDB, Samuel Jorge. Os dois estão perto do que se chama “vias de fato”. Brandão, presidente regional dos tucanos, quer levar Samuel ao Conselho de Ética. Este ainda faz troça de Brandão. Ora, pílulas!

Abrindo espaço

Os deputados estaduais Eduardo Braide (PMN), Josimar do Maranhãozinho e Edilázio Júnior (PV) já trabalham, abertamente, como pré-candidatos a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Querem repetir André Fufuca e Eliziane Gama em 2014. Eliziane foi campeã de votos e Fufuca, a surpresa.

Nova Litorânea

Tão logo seja homologada a licitação do prolongamento e reestruturação da Avenida Litorânea, as máquinas vão entrar em ação já em abril. As chuvas, segundo o presidente da Agência de Mobilidade Urbana, Artur Cabral, não vão atrapalhar porque as obras vão começar pela compactação, com pedras.

Voo descontrolado

Faltam 19 meses e poucos dias para as eleições gerais de 2018. Com tão pouco tempo pela frente, é impossível não se imaginar que o Brasil corre o risco de chegar àquelas urnas em situação tão assustadora quanto um Boeing 777, voando sem combustível. Basta olhar a guerra que se desenrola em Brasília, envolvendo os poderes da República e seus tentáculos numa crise política, com imprevisíveis desdobramentos
econômicos e sociais. Pode-se até tirar lições das eleições de 2016 e projetar um cenário que venha a quebrar a polarização histórica, desde 1994, PT-PSDB.

Com o PMDB na Presidência, é impossível admitir que o partido de Michel Temer não arrisque lançar candidato presidencial, nem que seja ele próprio. Não importa que o partido do governo e seu principal parceiro da derrubada de Dilma Rousseff estejam hoje, harmoniosamente, usufruindo o poder central e seus arranjos estaduais. O ano da desarrumação completa será 2018, com a Lava-Jato punindo (ou não) delatados do PMDB, do PT, do PSDB e as trupes de
cada qual. A Lava-Jato ou fica no meio do caminho, como muitos temem, ou vai redefinir, à sua maneira, o rumo das eleições de 2018.

No meio de tantas variáveis e atalhos, o ponto de referência que não pode ser subestimado é Michel Temer. Analistas políticos admitem pelo menos quatro variáveis: o sucesso ou derrocada do governo; PMDB ter ou não candidato em 2018; e os efeitos deletérios da delação da Odebrecht nos grandes partidos. Por ora, tucanos aparecem em vantagem, enquanto a esquerda procura se reorganizar, sendo que há
espaço para um outsider. Outro fator é a direita esganando o centro, com Jair Bolsonaro aparecendo nas pesquisas à frente do tucano Aécio Neves, e Lula liderando com folga.

No Maranhão, 2018 é um caso especialíssimo no Brasil, país dominado por políticos à moda antiga, com práticas coronelistas, latifundiárias, corruptas, dominadoras e conservadoras. No Palácio dos Leões, tem um governador do PCdoB, confrontando a política tradicional. Avança sem
denúncias de corrupção e desenvolve programas que aproximam o governo das camadas miseráveis e desassistidas. Por essas e outras, desagrada os mandachuvas de sempre – políticos, empresários e classe média do serviço público.

O grupo Sarney, pela reação, tudo indica que queria Flávio dando continuidade. É um governo que não agrada o status quo, porque não faz grandes obras. Porém, nem precisa ser cientista político para saber que o Maranhão precisa muito mais de ações que derrubem as desigualdades entre ricos e pobres, de escolas de verdade, do que de pontes e viadutos, para impressionar na capital. São fatores que tornam a disputa do governo estadual tão paradoxal quanto instigante. Autêntico para ou continua.