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Comédia americana

A comédia Everybody Hates Chris,seriado da TV estadunidense de comédia dramática inspirado nas experiências pessoais de Chris Rock no bairro de Bed-Stuy, em Nova Iorque, segue um estilo muito parecido com a série Anos Incríveis.Agora, Michel Temer, que desistiu de disputar a Presidência, virou espécie de Chris à brasileira. Que tal?

Tem cada uma

Se ao invés de ser um “meme” de “Michel Temer” na reunião de Roseana Sarney, esta semana em São Luís,fosse a foto de “Lula” no corpo de um dos emedebistas presentes, será que viraria escândalo? É sabido que fake news é crime.O que não é crime e tornar Temer um personagem tipo o do seriado “Todo mundo odeia o Chris”.

Fake news artesanal

Em 1982,quando o deputado Adriano Sarney dava os primeiros passos, com dois anos apenas, o pai dele,Zequinha Sarney,mandou fazer algo idêntico.Era uma fake news à moda antiga. Foi recortada uma foto de dona Gardênia Castelo, de maiô, no colo do marido João Castelo, na Fazenda Modelo, e colocado o rosto de outra mulher no lugar.

A colagem foi impressa em gráfica aos montes e distribuída na campanha,pelo Maranhão afora.Castelo era candidato a senador e Sarney Filho a deputado federal.O fotógrafo Ribamar Pinheiro,autor da foto original para O Imparcial,foi levado ao programa eleitoral para esclarecer que a imagem trucada era de dona Gardênia e não de uma amante que Castelo tivesse fora do casamento.

Fake news

A política é uma fonte inesgotável de fatos e controvérsias. Hoje,o deputado Adriano Sarney está denunciando à Polícia Federal fake news que fizeram,montando a foto de Michel Temer no rosto de João Alberto, na reunião de Roseana Sarney,em que ela firmou com a cúpula do MDB a candidatura ao governo do Maranhão.

Golpe no golpe?

Em meio a uma profunda crise política em que até a greve dos caminhoneiros deixa o governo acuado e paralisa o país,a Comissão de Constituição,Justiça e Cidadania do Senado aprovou ontem uma medida estranha.Foi a regulamentação da eleição indireta para presidente e vice-presidente da República em caso de vacância de
ambos os cargos nos dois últimos anos do mandato presidencial.Seria a preparação do terreno para a eventualidade de Michel Temer não concluir o mandato?

O autor do projeto é o senador Ronaldo Caiado (DEM),que tem o colega de partido Rodrigo Maia na presidência da Câmara e como sucessor imediato de Temer,em caso de vacância ou de substituição.A proposta é originária na crise do golpe que derrubou Dilma Rousseff em 2016. Aprovado agora cabe nova interpretação do DEM e da direita parlamentar e empresarial de alçar Rodrigo Maia à Presidência da República.

Se não houver recurso para análise em Plenário,o projeto segue para a Câmara dos Deputados.Como o Brasil virou um paiol de munição perto de uma fogueira,o projeto de Caiado merece ser visto com todo cuidado que o momento exige.Ele regulamenta o parágrafo 1º do artigo 81 da Constituição Federal,onde já está previsto que essa eleição será
indireta,ou seja,ficará a cargo do Congresso Nacional,se o pleito será realizado 30 dias após a vacância dos cargos.

Num país em que os políticos tomam a Presidência da República, respaldados pelo Judiciário,mediante o artifício de “pedaladas fiscais”, tudo pode acontecer para repetir o feito.Afinal,a crise de hoje é incomparavelmente mais aguda do que a de 2016, construída pelo PSDB de Aécio Neves a partir das eleições de 2014.O Congresso virou uma fábrica de construções inacabadas para tapar goteiras momentâneas
até que cheguem as próximas chuvas.

Interpretativa?

Pires disse que “falar em reforma de escola como avanço é mediocridade interpretativa”.É algo inexplicável a tal postura de quem dirigiu a pasta da Educação e não se incomodou com escolas de taipa, sem banheiro e sem carteiras.Criticar no Maranhão quem constrói ou reforma escolas e paga o melhor salário de professor no Brasil não é tarefa fácil.

Postura atravessada

O deputado César Pires,um sarneísta de primeiro time, ex reitor da Uema e ex-titular da Educação pela caneta de Roseana Sarney, resolveu atacar Flávio Dino pelo lado forte de seu governo:a educação, com 19 unidades (até agora) de tempo integral e dezenas de “escolas dignas” nos grotões do IDH de miséria.

O peso da crise

O problema é que Henrique Meirelles pode até agradar o grande empresariado que ainda consegue ganhar dinheiro com sua política econômica, como os banqueiros,mas a massa que elege está olhando o Brasil de outro jeito.Meirelles foi o condutor da política econômica de Temer e será candidato do MDB de Roseana Sarney. Difícil!

Temer saiu, Roseana entrou

Foi Temer anunciar a desistência,e Sarney mandar a filha“ir pra cima” na corrida rumo ao Palácio dos Leões.Sarney sabe que Temer,com humilhantes 4,5% de aprovação,não terá chance alguma de sonhar em permanecer no Planalto a partir de janeiro.Livre de um peso desses no palanque,Sarney ordenou: “Vai, Roseana!”

Enxergando ao redor

José Sarney está idoso,com 88 anos e ainda com a visão política aguçada.Como guia da filha Roseana e artífice do prolongamento de sua própria organização oligárquica no Maranhão,ele deixou Michel Temer recuar no projeto,inacreditável,de concorrer à Presidência da República,o que o obrigaria a percorrer o Brasil.