Há tempo, Haddad?

Mesmo preso em Curitiba desde abril, o ex-presidente Lula vinha liderando com folga todas as pesquisas realizadas até semana passada, quando o TSE lhe censurou e proibiu citação de seu nome na propaganda do PT. Com a troca da posição de candidato com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, Lula vira um símbolo para seus aliados e um morto vivo para os adversários. Inclusive os do Judiciário, onde ele não ganha uma única ação relevante em prol da situação de presidiário mais paparicado no Brasil e pelo mundo afora.

Agora, mesmo entrando na disputa com tanto atraso, a apenas 20 dias da eleição, os cientistas políticos consideram Fernando Haddad o candidato competitivo. Porém, ele precisa herdar pelo menos 50% do eleitorado fiel a Lula. A campanha com Haddad  tem ainda o fato inusitado de ter o líder das pesquisas (sem Lula), Jair Bolsonaro, esfaqueado, sem data para alta hospitalar, nem chance de voltar às ruas. Campanha mais desengonçada não há na história. Uma questão importante, no entanto, é saber se a estratégia do PT de adiar a troca de Lula por Haddad vai garantir a transferência de votos que o levem ao segundo turno.

Agora, Haddad tem o desafio de substituir Lula e arrebanhar o seu apoio popular. Afinal, o ex-presidente fez isso com sucessor em 2010, ao eleger o “poste” Dilma Rousseff, puxando-a pelos cabelos, como a “Mãe do PAC”. A diferença é que Lula estava no Planalto e percorreu o Brasil com Dilma. Hoje está na cadeia. Mas o PT sabe explorar a prisão como
apelo político-emocional, e ainda pesa a favor o presidente Michel Temer se derretendo na impopularidade no Planalto. Contudo, Haddad terá que se agigantar na TV, nas redes sociais e nas ruas. Se chegar ao 2º turno, leva a vantagem da superação fantástica, fato que agrada e motiva o eleitorado.

No 2º turno, com a alta probalidade de Bolsonaro estar lá, a esquerda e o centro-esquerda terão o momento histórico de ficarem do mesmo lado, levando ainda segmentos expressivos, como o das mulheres, que já se organizam em milhões, contra o candidato do PSL. Ciro Gomes, Haddad ou Marina Silva não são a mesma argamassa política, mas também não são ingênuos a ponto de cruzar os braços contra quem ultrapassar o primeiro embate e deixar que Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Amoedo e Meirelles se entrelacem numa frentona da direita para o centrão, que fará o “Mercado” delirar.

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