Arquivos diários: 06/06/2018

Questão de fundo

Presidentes e tesoureiros de partido estão com a caneta cheia para escolher seus pupilos nas eleições de outubro.Com a proibição de financiamento empresarial e o fracasso das doações de pessoas físicas nas eleições municipais de 2016, restaram para as legendas os R$ 888 milhões do Fundo Partidário e os R$ 1,7 bilhão do Fundo Eleitoral para financiar as campanhas deste ano.

O Grito

O cantor pop Agnaldo Timóteo está no meio de uma polêmica política, como tudo nessa fase de pré-campanha. Alguns cantores e compositores renomados da MPM se sentiram ofendidos por não serem “convidados”pelo governo e prefeitura a participarem do festejo junino de São Luís.Recusaram-se ao edital que regulamenta a participação dos
grupos folclóricos e artísticos.

Nos festejos, foram incluídos shows de Agnaldo Timóteo e Alceu Valença, dentre outros, o que acabou virando nhenhenhém político. Repercutiu na Alema, com o “Grito” de deputados da oposição. Eles acusam Flávio Dino de trazer Agnaldo Timóteo, pagando cachê caro, “por ser do PCdoB”,e que ele não tem nada a ver com festa junina.

Acontece que Agnaldo Timóteo já foi deputado federal(dois mandatos), inclusive constituinte em 1988 quando fez o famoso discurso “Alô, mamãe!” da Tribuna da Câmara.Depois, vereador por São Paulo e do Rio de Janeiro. Transitou por sete partidos, mas nunca esteve no PCdoB. Em 2016, perdeu para vereador, com 4,5 mil votos, e abandonou a política.

Pedregulho no caminho de Braide

O deputado Eduardo Braide tem todos os motivos do mundo para andar serelepe em relação à disputa do governo do Maranhão.O único órgão que administrou na gestão pública foi a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema),por dois anos, no governo José Reinaldo.Depois disso,Braide foi secretário de Orçamento Participativo da Prefeitura de São Luís,na gestão de Tadeu Palácio,de onde saiu para disputar a eleição de 2010, sendo eleito deputado estadual.

Entre 2015/2016, foi líder de Flávio Dino (PCdoB) na Alema,tendo rompido no fim do período, ao perder a disputa da vice-presidência da Mesa, para o deputado Othelino Neto,do PCdoB,que já estava no posto desde 2015,junto com Humberto Coutinho.Braide,revoltado, se juntou à bancada de oposição ao mesmo governo que liderou.Em 2016,
concorreu à Prefeitura de São Luís, quando “furou” o balão do colega Wellington do Curso e chegou ao segundo turno,perdendo para o prefeito Edivaldo Júnior.Já no interior,o PMN de Braide foi decepcionante. Elegeu apenas dois prefeitos:Dunga,em Icatu, e Fernanda Gonçalo (Bacabeira),ambos na região metropolitana de São Luís.

Braide sabe o tamanho do desafio em disputar a eleição de governador, onde a maior liderança estadual que o apoia é o deputado José Reinaldo, mesmo assim em rota de colisão frontal com a direção do PSDB maranhense, presidido pelo senador Roberto Rocha, também candidato a governador.Ele precisa vencer a distância de 24 pontos nas pesquisas, que o separam da segunda colocada, até agora, Roseana Sarney,que aparece com 30%, contra 56% de Flávio Dino (Exata).A tarefa, aparentemente, não é fácil. A não ser que consiga a proeza de fazer com Roseana o que fez com Wellington.

Braide não tem nome forte na chapa majoritária e muito menos na proporcional. Até agora sequer construiu qualquer aliança. Ele terá que ir para a luta de corpo aberto e caminhando contra o vento. Se José Reinaldo insistir em apoiá-lo, terá que antes convencer o senador Roberto Rocha a desistir de sua candidatura e assumir o comando do PSDB, onde haverá uma bolada de aproximadamente R$ 7 milhões do Fundo de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário.Ou então,Reinaldo será defenestrado do PSDB.Eis os motivos das dúvidas que tiram o sono de Braide e atormentam Zé Reinaldo.