Olha a banana, olha a bananeira!

Quem não conhece, pelo menos, já ouviu a expressão “república de bananas”. O Brasil de hoje, a cada vez que a crise faz roncar o estômago dos pobres, mais fica parecido a uma republiqueta de bananas. O país que poderia estar liderando o continente latino-americano enroscou-se num cipoal impossível de ser trilhado rumo a um futuro venturoso.
Muito pelo contrário. Vive-se um enredo incompreensível a cada novo episódio, mesmo assim, por incrível que pareça, já entope as ruas de gente se rebolando na alegria universal do carnaval, que aparece ter chegado mais cedo.

Que país é esse, politicamente instável, com 207,7 milhões de habitantes, 12 milhões de desempregados, com a economia tentando se desgrudar do crescimento zero vírgula qualquer coisa e submisso aos Estados Unidos? É aí que floresce o bananal brasileiro. O governo é dominado por acusados de corrupção, sustentado por um congresso contaminado por parlamentares enredados em processos desabonadores de conduta. O Brasil é país rico, mas a política e o empresariado, em grande escala, são corruptos ou corruptores.

Todo o Judiciário e a mídia tradicional se movimentam para o julgamento de um recurso que pode tirar do ex-presidente Lula o direito de disputar novamente o cargo. O presidente Michel Temer convoca reunião no Palácio onde despacha, com o diretor-geral da Polícia Federal, há pouco nomeado por sua caneta. A pauta, na versão oficial: “discutir segurança púbica”. E nada sobre as 50 perguntas enviadas pela mesma Polícia Federal a Temer, sobre a suspeita de se beneficiar de um decreto relativo aos portos. O prazo das respostas está acabando.

Como discutir segurança, sem a presença do ministro da Justiça, do chefe da Força Nacional de Segurança, ou mesmo o ministro da Defesa, Raul Jungmann? Mas os fatos estranhos continuam sendo apresentados na cara dura, onde o poder central confia piamente que o povo brasileiro é eternamente tolo. Afinal, a maioria esmagadora é pobre e desinformada pelas mídias controladas por aglomerados
de comunicação. Eles também têm a crença inarredável da burrice dos moradores na república de bananas.

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