Reação nordestina

Agora, a posição do Nordeste, na defesa da região, é um grito de guerra. Tipo mexeu com um, mexeu com todos. Ontem, 24 horas após a declaração do ministro da Articulação Política, Carlos Marun, de que o governo Temer só vai liberar empréstimos da Caixa Econômica e Banco
do Brasil aos estados em dificuldade, se os governadores orientarem seus deputados a votarem a favor da reforma da Previdência, houve pronta reação à altura dos governadores. Cobram diálogo e não chantagem do Planalto.

Em carta ao presidente Michel Temer, os nove governadores, seis deles de partidos de oposição, como Flávio Dino, do PCdoB, pedem ao Planalto que reoriente seus auxiliares para coibi-los de práticas inconstitucionais e criminosas. A “reciprocidade” pedida pelo ministro de Temer, após reunião com o presidente, foi um inapelável tiro no pé. “É inadmissível essa forma de fazer política no Brasil”, reclamaram os
chefes nordestinos, ameaçando processar Carlos Marun.

Marun nega ter feito chantagem, mas ninguém entendeu de outra forma. A reação foi imediata e barulhenta. “Protestamos publicamente contra essa declaração e contra essa possibilidade e não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme”. E mais adiante
o documento é mais enfático: “Vivemos em uma Federação, cláusula pétrea da Constituição, não se admitindo atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis”.

Se a reforma já anda capengando na Câmara, o que foi impossível votá-la neste ano, agora mesmo, em 2018, é que a situação pode ficar mais difícil. É fato que metade dos governadores está no flagelo da crise, batendo no cofre do Tesouro. Com funcionários em greve ou recebendo salários aos pedaços e com atraso, não é democrático, nem republicano o governo federal tentar abrir o diálogo tipo “dá ou desce”.

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