Arquivos mensais: dezembro 2017

Jogando limpo

José Joaquim, com poucos dias à frente do TJ, deu sinal de que não aceita o famigerado espírito de corpo no Judiciário, muito menos atitudes que despeitem o Poder. Ele tanto zela pela transparência, quanto não se nega a debater com a imprensa questões polêmicas e até melindrosas.

Exemplo de cima

“Magistrados cujos comportamentos não honram a magistratura e não cultivem a ética profissional e o decoro de seus deveres funcionais serão exemplarmente punidos e responderão a processos disciplinares que poderão culminar, ou não, com a perda do cargo”, declarou
o desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos, sobre o ranking de juízes punidos no Maranhão pelo CNJ.

Inflação esquisita

A inflação não deve ser um problema político para a economia brasileira em 2018, muito menos para as eleições de outubro. A taxa de variação do IPCA (índice oficial de preços) nos doze meses está beirando os 4%.O governo vibra, a cada índice. O problema da nova inflação é que ela é invisível e intocável. A população não sente o efeito positivo.

Os preços da gasolina, do gás e da energia elétrica continuam subindo absurdamente e a inflação caindo desesperadamente, enquanto o carrinho do supermercado vai ficando cada vez mais espaço. Sempre se paga mais, levando menos produtos, enquanto a inflação nãopara de cair. É a genialidade brasileira de hoje.

Peregrinação

Desde o começo de 2017, quando resolveu se lançar candidato ao Senado, o deputado federal Weverton Rocha, líder do PDT na Câmara, já percorreu 114 dos 217 municípios do Maranhão. Ele faz reuniões onde quer que encontre alguém disposto a ouvi-lo na pregação contra o governo Temer, as reformas e o que tem defendido na Câmara.

O choque de 2018

O ano mais complicado da crise política e institucional está se indo. Deixa, porém, a crise devastadora, que começou em 2015, passou pelo impeachment e teve o ápice em 2017, com a Câmara dos Deputados salvando o mandato do presidente Michel Temer a preço absurdo
da compra de parlamentares. No Maranhão, o ponto relevante foi o governo Flávio Dino chegar ao fim do 3º ano com a aprovação nas alturas e pronto para levar às últimas consequências o embate final com o grupo Sarney.

É final porque será o coroamento da ruptura política do Maranhão com o sarneísmo, ou o contrário, o renascimento das cinzas, do desmanche de 2014. O sarneísmo só tem essa eleição de outubro para reviver ou morrer de vez. Por isso, Roseana Sarney demorou meses em reflexões,
sofrendo pressões familiares e do grupo que lidera, antes de resolver assumir, mesmo timidamente, a postura de candidata a novo mandato em outubro.

Portanto, o ano está se indo e deixa para 2018 o embate do século. A população já demonstra ansiedade para presenciar o desenrolar do enredo único do Brasil. Afinal, é o único governador ‘comunista’ da história do país contra um sistema político de cinco décadas. O do sarneísmo virou um símbolo de poder. Do Maranhão, comandou
o Palácio do Planalto, dá as cartas também no Amapá, ainda transita pelos três Poderes da República, sugere ao governo fraco de Temer e até emplaca apadrinhados.

Em 2014, Flávio Dino derrotou o velho sistema sarneísta, mas, como diz Lula, a “jararaca” ficou viva. Se o ‘comunista’ repetir a façanha de quatro anos atrás, a história do Maranhão ganha um capítulo emocionante. Se o grupo Sarney retomar o Palácio dos Leões, o levará para um período imprevisível. Será o mesmo Maranhão que José Sarney tomou do oligarca Vitorino Freire em 1965. Foram cinco décadas
em que mudaram a roupagem, mas mantiveram a essência substancial, num corpo social carcomido pela miséria degradante, a que grande parte da população urbana não conhece, logo, não sente nem a toca. São as condições nuas e cruas do povo. Para conhecê-las, só provando.
O povo não as prova, mas as vive, dias, anos e décadas.

Apoio garantido

O PT nacional não parece embarcar na canoa partida do PT maranhense. Enquanto o ex-presidente da executiva nacional Rui Falcão garante que o partido está fechado com a candidatura de Flávio Dino, a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) vive resmungando. Quer espaço no governo, ou apoiar Roseana Sarney (PMDB). Se der, candidato próprio.

Falcão disse que, mesmo diante da discussão interna no PT de lançar candidatura própria para concorrer ao governo, ele reafirma que, no entanto, a tendência é apoiar Flávio Dino. “Mesmo que o PCdoB mantenha a candidatura de Manuela D’Ávila, se ocorrer segundo turno, eles virão conosco e têm tido lealdade”, disse ele, em entrevista à Folha.

Fernandes no comando

Com a demissão a pedido do ministro Ronaldo Nogueira, do Trabalho, sobrou mais uma cadeira na Esplanada para o Maranhão. O deputado Pedro Fernandes, do mesmo PTB de Nogueira, foi indicado para o lugar. Ao contrário do colega petebista, Fernandes não vai disputar novo mandato em 2018.

Dois consórcios

Significa que o consórcio de governadores do Nordeste funciona em prol da região, sem levar em conta os partidos ou posição política deles. O governador do Maranhão, Flávio Dino, por estar situado entre Norte e Nordeste, é o único a participar, também, da união dos governadores do Norte.

Todos juntos

Além dos governadores do PT, PCdoB e PSB (partidos de oposição), dois políticos do PMDB, sigla de Temer, assinam a carta contra as declarações do ministro Carlos Marun, além de um do PSD, da base do governo. Do PMDB, são Jackson Barreto (governador de Sergipe) e Renan Filho (Alagoas).

Reação nordestina

Agora, a posição do Nordeste, na defesa da região, é um grito de guerra. Tipo mexeu com um, mexeu com todos. Ontem, 24 horas após a declaração do ministro da Articulação Política, Carlos Marun, de que o governo Temer só vai liberar empréstimos da Caixa Econômica e Banco
do Brasil aos estados em dificuldade, se os governadores orientarem seus deputados a votarem a favor da reforma da Previdência, houve pronta reação à altura dos governadores. Cobram diálogo e não chantagem do Planalto.

Em carta ao presidente Michel Temer, os nove governadores, seis deles de partidos de oposição, como Flávio Dino, do PCdoB, pedem ao Planalto que reoriente seus auxiliares para coibi-los de práticas inconstitucionais e criminosas. A “reciprocidade” pedida pelo ministro de Temer, após reunião com o presidente, foi um inapelável tiro no pé. “É inadmissível essa forma de fazer política no Brasil”, reclamaram os
chefes nordestinos, ameaçando processar Carlos Marun.

Marun nega ter feito chantagem, mas ninguém entendeu de outra forma. A reação foi imediata e barulhenta. “Protestamos publicamente contra essa declaração e contra essa possibilidade e não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme”. E mais adiante
o documento é mais enfático: “Vivemos em uma Federação, cláusula pétrea da Constituição, não se admitindo atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis”.

Se a reforma já anda capengando na Câmara, o que foi impossível votá-la neste ano, agora mesmo, em 2018, é que a situação pode ficar mais difícil. É fato que metade dos governadores está no flagelo da crise, batendo no cofre do Tesouro. Com funcionários em greve ou recebendo salários aos pedaços e com atraso, não é democrático, nem republicano o governo federal tentar abrir o diálogo tipo “dá ou desce”.