Vai ser amargura ou vitória?

Sem dúvida, o país viverá mais uma semana carregada de adrenalina pura em Brasília, principalmente no plenário da Câmara dos Deputados. O presidente Michel Temer está diante da votação da segunda denúncia contra o seu mandato, proposta pelo ex-procurador-Geral da República Rodrigo Janot. E, novamente, Temer está debruçado no prolongamento da crise, suando até a gravata para arrebanhar os mesmos 263 votos que mandou para o arquivo o primeiro processo, da mesma PGR.

A oposição se arma com todos os mecanismos regimentais e ações de bastidores para impedir o sepultamento da denúncia. Uma tarefa quase impossível, a julgar pelas votações complicadas da Casa que o Planalto tem ganho de capote. No máximo, o que o segmento contra Temer pode
conseguir é prolongar a “sangria” por algumas sessões ou semanas, já que ele tem votos para novamente rejeitar a encrenca. Acreditam os especialistas de plantão em Brasília, que Temer tem votos para detonar a denúncia, mas não teria os 342 que autorizam o início da votação.

Não foi sem outro motivo que o Planalto jogou pesado para salvar o mandato do senador Aécio Neves, em troca do apoio na Câmara para livrar Michel Temer do processo. Se a oposição conseguir número suficiente para obstruir a votação, será possível prolongar a agonia do presidente. Na votação da primeira denúncia, Temer ganhou com os votos de 263 deputados a favor do relatório Abi-Ackel, contrário à denúncia. A oposição chegou a 227 votos a favor da aceitação. Mas a votação só começou depois de vacilo da oposição e do PT, que
marcaram presença garantindo o quórum mínimo de 342.

Agora, a tática será diferente. Se os 227 que votaram contra Temer negarem quórum, restarão ao governo apenas 286 deputados, isto se todos os 513 compareçam. Ou seja, estarão faltando 56 votos para a obtenção do quórum e a realização da votação. Essa votação obviamente que virou também um complicado exercício de matemática. Quem jogar melhor com os números e com o poder de convencimento
leva. E Temer sabe como ninguém, o jeito de lidar com o centrão, que o salvou da primeira vez ao custo de bilhões de reais liberados dissimuladamente por vários meios.

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