Arquivos diários: 27/09/2017

O vale-tudo do Planalto

O presidente Michel Temer não dorme no ponto. Acuado com a denúncia por obstrução de Justiça e organização criminosa tramitando na Câmara, decidiu lançar um programa chamado Progredir, pelo qual libera R$ 3 bilhões em microcrédito a beneficiários do programa Bolsa Família.

Desafio de Frota

Com o Sampaio na série B do Brasileirão, o presidente Sérgio Frota está pensando alto: preparar o time para 2018, ano em que também irá disputar a reeleição na Assembleia Legislativa. O desafio é não deixar a “Bolívia” cair antes da eleição e garantir novo mandato estadual. Ele nem se mete na crise tucana, com Roberto Rocha chegando ao PSDB, na base aliada de Flávio Dino.

Entre esquerda e direita

No Maranhão, o PEN está na base aliada do governador Flávio Dino. No Nacional, o Patriota espera só o registro para filiar Bolsonaro, da extrema direita, como seu candidato presidencial, uma espécie de Fernando Collor dos anos presentes. O vice-presidente nacional, Júnior Marreca, diz, otimista, que, no fim, tudo caberá no figurino de 2018.

PEN veste “patriotismo”

Enquanto o presidente nacional do PEN, Adilson Barroso, negocia a filiação do deputado Bolsonaro, o TSE aprecia o pedido de mudança de nome para Patriota, com uma regra que proíbe coligação com partido de esquerda. Logo se percebe que Jota Pinto e Barroso estão tentando se equilibrar entre dois extremos ideológicos.

Nos dois extremos

O PEN (Partido Ecológico Nacional) está mudando de nome para “Patriota” e adotando a candidatura presidencial do ultradireitista Jair Bolsonaro. No Maranhão, o partido, presidido pelo ex-deputado Jota Pinto, está balançando entre dois extremos ideológicos, esperando o desdobramento do cenário eleitoral de 2018.

Cinismo ao extremo

Está cada vez mais difícil alguém olhar para os políticos do Brasil – claro que há muitas exceções – sem a sensação de náusea. Em meio à efervescência infernal de Brasília, que cada dia afunda a credibilidade do país perante o mundo, o Congresso e o Palácio do Planalto viraram um laboratório de produção em série de coisas que dão nojo e indignação. Enquanto a Câmara põe em tramitação a segunda denúncia
da PGR contra o presidente Michel Temer, por obstrução de Justiça e organização criminosa, mais uma imoralidade ganha corpo no Congresso: aposentadoria especial para parlamentares ex-parlamentares.

É impressionante a capacidade de alguns representantes do povo de esbanjarem cinismo, como quem pratica bullying contra uma criança indefesa. A proposta foi chamado de lei “imoral” pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e recebeu parecer contrário da Advocacia Geral da União (AGU). Mesmo assim, ganhou o apoio do governo no STF, como parte do Plano de Seguridade Social
dos Congressistas (PSSC), que favorece a aposentadoria dos atuais e de ex-integrantes da Câmara e do Senado.

Tudo isso ocorre no momento em que o governo busca angariar votos para os seus dois maiores desafios no Legislativo: barrar o andamento da nova denúncia criminal contra Temer e aprovar a reforma da Previdência, que reduz direitos exatamente sobre a aposentadoria dos milhões de brasileiros. Criado em 1997, o PSSC garante aos parlamentares aposentadoria integral, averbação de mandatos passados, atualização no mesmo percentual do parlamentar na ativa, a chamada paridade, acúmulo de benefícios que extrapolam teto constitucional, pensão integral em caso de morte e custeio das aposentadorias por conta da União. Como é que pode? Um deboche!