Arquivos diários: 20/09/2017

Baque

A quebra do sigilo bancário e bloqueio patrimonial do ex secretário
de Saúde do governo Roseana, Ricardo Murad, pelo juiz federal Carlos Madeira, tem efeito político devastador no projeto de sua filha, deputada Andrea Murad, que pretende trocar a Assembleia Legislativa pela Câmara dos Deputados.

Ajuda idiomática

Engraçado. Na foto da reunião do presidente Donald Trump com os chefes de Estados latino-americanos para discutir “como dar um jeito no governo da Venezuela”, o brasileiro Michel Temer era o único à mesa portando rede fone de tradução simultânea. Por que será?

Boca fechada

Até hoje não vazou para nenhum jornalista de Brasília o que o presidente Michel Temer conversou, no domingo à noite, com o seu colega e conselheiro informal, José Sarney, que esteve no Palácio do Jaburu. Sarney só foi visto na saída, mas sem dizer uma só palavra sobre a conversa com o colega de PMDB.

Gafe na posse

A gafe nem poderia passar despercebida, porque ocorreu diante da passagem reservada aos jornalistas. Foi no ato de posse da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, segunda-feira. O vice- procurador Nicolao Dino, o mais votado na eleição de Dodge, foi barrado na entrada por seguranças que lhe cobravam uma credencial.

Dino foi preterido por Michel Temer, que optou por nomear Dodge, e quase era barrado na posse dela. Nicolao é irmão mais velho do governador Flávio Dino (PCdoB), oposicionista de Temer, denunciado duas vezes por Rodrigo Janot. Mas a gafe durou poucos minutos e Nicolao pôde assistir ao ato solene que, em tese, deveria ser dele.

No plano B do PCdoB

Com a situação judicial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em marcha batida para uma condenação em 2ª instância no Tribunal Federal da 4ª Região de Porto Alegre, o PT está com os nervos em brasa e a cabeça nas nuvens. Assim também vive a mesma tormenta um dos
principais aliados do PT, o PCdoB, cuja liderança de maior visibilidade nacional é o governador Flávio Dino. Com Lula disparado nas pesquisas, exemplo da CNT/MDA, divulgada ontem, o PT está entre a foice e o martelo.

É improvável que, sendo inviabilizado eleitoralmente em 2018, Lula opte por tentar eleger o segundo “poste”, depois do desmantelo que ocorreu com Dilma Rousseff. Já o aliado PCdoB, está dividido nas discussões internas quanto à situação do ex-presidente petista e o seu próprio futuro. Uma corrente defende que os comunistas mantenham a lealdade a Lula até tê-lo como candidato presidencial. Na hipótese
de condenação em 2ª instância, além de outros processos que ele que responde na engrenagem da Lava-Jato, PCdoB desgrudaria do PT e lançaria candidatura própria.

Para Flávio Dino tomar tamanho desafio, seria ousadia demais. Nem mesmo levando em conta que seu nome já transitou no noticiário nacional como eventual candidato presidencial, exigindo dele a recusa explícita. No começo do ano, Dino foi taxativo em dizer que seu futuro eleitoral é disputar o segundo mandato ao governo do Maranhão. Porém, a política é movida a uma intensa energia cinética que faz a roda ganhar velocidade. Quem sabe, como um Padim Ciço do século 21, Lula pode ter profetizado encerrar sua epopeica carreira política em são Luís, nos braços do povo maranhense e de braço dado com Flávio Dino.