Arquivos diários: 15/09/2017

Jeitão de abraçar

“É sucesso com o povo, posando para fotos e sendo admirado até por quem não gosta de comunista”, diz, brincando, um entusiasmado deputado que o acompanha em várias caminhadas pelo interior do Maranhão. Diz que Dino aprendeu mais do que se imagina a forma de lidar com o povo e lideranças municipais.

Mistura aprendida

Quem vive pregando que o governador Flávio Dino não deixou a toga e que não tem carisma nem sabe se “misturar” ao povo precisa mudar rapidamente de opinião. Dino não só se mistura bem como o povão, como recebe paparico por onde anda.

Gigante abalado

Aí vem mais barulho na esteira do escândalo das delações dos donos e executivos da JBS, que espalharam manchetes mundo afora, dada a grandiosidade da holding do grupo J&F. A CPI mista do Congresso Nacional vai investigar as entranhas dos investimentos tomados pelo grupo ao BNDES, o que o tornou gigante em lucro e corrupção.

Jogo jogado

O vice-governador Carlos Brandão está cauteloso quanto à entrada de Roberto Rocha no PSDB, que ele preside no Maranhão. O partido está aberto a qualquer filiação, diz um tucano, desde que seja indicado pela direção. No caso de um senador da República entrar “por cima”, convidado pela cúpula, o cenário muda, com figurino e tudo.

Brandão tem que se acautelar para não ser atropelado. Roberto Rocha já vem se movimentando com o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que sonha com um mandato de senador e não teria espaço em uma candidatura pouco expressiva. Agora, o jogo de 2018 já começa a ser jogado.

Volta entortada

Assim como em 2011, quando ele negociou “por cima” a saída do PSDB e a entrada no PSB, indo diretamente ao então mandachuva do PSB, governador Eduardo Campos, o hoje senador Roberto Rocha faz o mesmo movimento no sentido inverso. Definiu com o presidente em exercício do PSDB, senador Tasso Jereissati, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a volta às origens tucanas. Só falta a filiação.

Roberto Rocha já acertou tudo para retornar ao ninho tucano, depois que viu as portas do PSB irem se fechando à sua frente, coincidentemente na esteira de seu projeto de disputar o governo do Maranhão em 2018, obviamente contra Flávio Dino. Rocha “perdeu” eleição em Imperatriz, com Ildon Marques, que levou do PMDB. Em Balsas, o seu irmão Rochina nem concorreu à reeleição, e em São Luís, o filho, Roberto Rocha Júnior, se aventurou como vice de Wellington
do Curso, quando tinha condições de ser reeleito vereador.

Hoje, o PSDB tem um projeto de governar o Brasil, com Geraldo Alckmin ou o prefeito de São Paulo, João Doria. Como não cabem dois candidatos, um deles vai sobrar, no caso, Doria. Na esteira da disputa presidencial, os tucanos precisam de candidatura de peso nos estados. Roberto Rocha, um tucano de “sangue”, se enquadra. Mas, para concorrer ao governo do Maranhão, ele mesmo já tomou a posição de opositor a Flávio Dino, de quem recebeu o apoio decisivo no fim da campanha de 2014 para ganhar a vaga de senador, de Gastão Vieira.

Ganhando ou perdendo o governo, com o mandato até 2022, Rocha não perde nada. Só tem a ganhar, pois, em tese, estaria habilitado para novo embate quatro anos à frente. O PSB, por sua vez, está praticamente definido que marchará em 2018 com Flávio Dino, conforme decisão já anunciada pelo diretório regional, num momento crítico no âmbito
nacional, com o partido rachado, com a debandada em vias de se tornar realidade, de aproximadamente oito deputados federais, dentre os quais José Reinaldo Tavares, que refuga “comunismo”, mas está afinado com Flávio Dino.

Itaqui para os asiáticos

O Porto do Itaqui vai ser apresentado aos empresários asiáticos como canal estratégico para o escoamento da produção do Maranhão e do Centro-Norte do Brasil. A Emapa, presidida por Ted Lago, estará presente em dois encontros de negócios no continente asiático a partir desta semana.

Os encontros são: a Missão Ásia – Investimentos em Portos brasileiros, realizada pelo governo federal, na China (Xangai e Hong Kong) e em Singapura. Estará também no seminário “Oportunidade de Negócios e Investimentos no Agronegócio do Estado do Tocantins”, de 19 a 23, em Tóquio.

Duas realidades

Daquela viagem no finzinho do século XX, José Reinaldo, como governador, viu uma China comunista, que hoje ele rasga elogios, não pelo regime, pela sua capacidade de superação como a maior nação da Terra. Ele acaba de chegar do país asiático, quando pode comparar o ciclo da explosão industrial e tecnológica, não alcançado por nenhuma outra nação nesses tempos de crises. Que tal sonhar com o Maranhão “comunista”, virando um “puxadinho” daquele país asiático?

O comunismo chinês

Hoje os anticomunistas tentam colocar a ideologia marxista como o mal maior da humanidade, citando Cuba como exemplo. Esquecem, porém, que a China já teve a maior pobreza do mundo, tem a maior população
e, atualmente, o exemplo máximo de desenvolvimento. O “milagre” chinês todo mundo quer copiar, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos sentem-se ameaçados como potências.

O comunismo de Dino

O deputado José Reinaldo, que abomina o comunismo como ideologia deste século, bem que poderia dar uma aula aos desinformados que acham seu aliado Flávio Dino uma peça ideológica isolada do mundo moderno. Zé Reinaldo conheceu a China na década de 90 e, agora, voltou lá e pode comparar a explosão industrial em 20 anos.

No jeito, Alema aprova MPs

Quando presidia a Assembleia Legislativa do Maranhão, o deputado
Nagib Haickel gostava de responder às reclamações da oposição com uma frase cortante: “Maioria que não manda, não é maioria. Minoria que não reclama, não é minoria”. Ele, com tal frase, politicamente incorreta, mas absolutamente verdadeira, falava o que se passa em qualquer parlamento, até onde a democracia é apenas uma retórica.

Ontem, a mesma Alema que Nagib presidiu, aprovou com protestos articulados dos deputados da oposição, pelo menos quatro das nove medidas provisórias que o governo Flávio Dino enviou. A oposição, comandada pelos deputados Adriano Sarney (PV), Andrea Murad (PMDB), Eduardo Braide (PMN) e Wellington do Curso (PP) fizeram barulho, questionaram as MPs, pediram conferência de quórum, acusaram o governo disso e daquilo, mas, no final, a matéria foi aprovada do jeito que chegou.

Humberto Coutinho, que preside a Casa com forte pulso, mas sem desrespeitar os opositores do governo, conduziu os trabalhos com firme serenidade, os contrários às MPs discursarem à vontade e os textos serão sancionados como quer o governador. Os dois primeiros projetos tratam do seguinte: 1) institui o sistema de tributação para a refinaria que será instalada em Bacabeira; 2) as mesmas concessões à siderúrgica, também prevista para o mesmo município, ambos projetos de investimentos chineses.

Os outros dois projetos, também como MPs, tratam da contração temporária de funcionários de “excepcional interesse público” no sistema penitenciário do estado. A quarta MP aprovada institui o programa estadual de apoio ao transporte escolar  indígena. Esse material aprovado representava a maior resistência da oposição e, também, de deputados da base, alguns fazendo “corpo mole” pelo não pagamento, pelo governo, de suas emendas. Esse quesito é a matriz de choramingados permanentes de oposição e governistas.