Quem é o Dória?, indaga Dino

A pergunta é uma pedrada na direção do prefeito de São Paulo, João Dória Jr (PSB), arremessada pelo governador Flávio Dino, do PCdoB. Em entrevista ao Valor Econômico, publicada ontem, Dino diz que Dória é um Collor piorado, um fake (algo falsificado), autoritário e sem experiência administrativa”. Dino não esconde de ninguém, muito pelo
contrário, que apoia a candidatura de Lula a presidente em 2018, mesmo sabendo que terá imensas dificuldades em se desvencilhar das ações judiciais que, contra ele, não param de chegar à Justiça, como aconteceu ontem com mais uma.

João Dória é pré-candidato a presidente pelo PSDB, ou por outro partido, caso os tucanos não abram mão de Geraldo Alckmin. Os dois já andam pelo país se apresentando tais. O prefeito de São Paulo tem posição contrária a de Dino e agrada em cheio o “mercado”, que, por sua vez, abomina o nome de Lula em nova disputa eleitoral. Ele promete cobrar sonegadores. Mas o governador atira em outra direção: Jair Bolsonaro, de uma tragédia, com ideário violento, de exclusão das pessoas, fascista, defensor do aniquilamento das diferenças sociais”.

O controvertido deputado que virou o paparico da ultradireita aparece em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, atrás de Lula. “Não tem nenhuma condição de dirigir o país”, diz o governador “comunista”, que aponta o pedetista Ciro Gomes como o único nome capaz de quebrar a continuidade do golpe de 2016. A exclusão de Lula, para Dino, tira a legitimidade das eleições, diante da liderança inesgotável que possui.

Quanto ao tucano Geraldo Alkmin, Flávio Dino mostra o lenço branco: Tem experiência, foi governador quatro vezes, é um quadro político experimentado, tem as condições dele e um conjunto de forças”. Sobre o sistema político, o governador analisa que foi rebaixado com o golpe de 2016 contra  Dilma. “Para soerguê-lo de novo acima do volume morto, é importante que Alckmin e Lula sejam candidatos. São traços
civilizatórios no meio de um desastre completo”, assinala.

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