Arquivos diários: 01/09/2017

Dinheiro pra quem não tem

Em meio à crise, o governo do Maranhão, em parceria com o federal, lançou ontem o Plano Safra da Agricultura Familiar 2017/2020, o qual receberá R$ 436 milhões, dos R$ 30 bilhões previstos no orçamento da União. Os recursos vão alavancar a produção dos pequenos  agricultores da enxada, foice e facão.

Voo do regimento

João Alberto, no seu estilo ranzinza, engrossou as veias do pescoço e negou uma questão de ordem a Weverton, adversário político. Na confusão, Eunício Oliveira assumiu a sessão e também gritou com o pedetista, cortando-lhe o som do microfone. O deputado não pensou duas vezes: fez o Regimento Interno voar sobre a mesa de Eunício.

Rebolo legal

Para mostrar que não tem medo de “Carcará”, o deputado Weverton Rocha, líder do PDT na Câmara, arremessou, em meio ao tumulto na confusão na sessão do Congresso, um livro de lei contra a mesa diretora, com João Alberto presidindo os trabalhos. Teria sido um exemplar do Regimento da Câmara, que serviu de rebolo.

Pressão familiar

O deputado Adriano Sarney assegurou ontem que Roseana, sua tia, é candidata a governadora em 2018. “Mas ela nunca assumiu isso. Tem muita gente pressionando, mas falta ela dizer claramente que é candidato”, insisti. “Mas é sim. Vai chegar o momento que Roseana vai anunciar”, reafirmou, sorrindo.

Factoide

O curioso é que Flávio Dino, como membro da CCJ da Câmara e relator do projeto, simplesmente não emitiu nenhum parecer. A versão do delator, portanto, foi totalmente descartada tanto pela PRG, que encontrou “dificuldades praticamente intransponíveis” de provar o repasse do dinheiro, quanto por Fischer.

Denúncia vazia

O pedido de arquivamento feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acatado pelo ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), levando junto para a gaveta, as citações do doleiro José de Carvalho Filho, delator da Odebrecht. Dino, como deputado, teria recebido, em 2010, R$ 200 mil para relatar um projeto favorável à empreiteira.

A verdade no STJ

Pelas redes sociais, o governador Flávio Dino foi curto e direto, sobre o arquivamento do processo contra ele no STJ, amplamente noticiado pelas mídias do grupo Sarney como se fosse um devastador escândalo de corrupção eleitoral. “A verdade venceu”, escreveu Dino no Twitter, sem alardeio.

Fufuca virou verbo

Em Brasília e pelo mundo afora – graças às redes sociais – não se fala em outra coisa: André Fufuca, cujo nome de batismo é André Luiz de Carvalho Ribeiro. O‘Fufuquinha’, ainda imberbe, foi eleito em 2010 o mais jovem deputado estadual, com 21 anos, ainda estudante de Medicina no Ceuma. A surpresa não foi só a idade, mas o município de Alto Alegre do Pindaré, hoje com 32 mil habitantes, onde o pai, Fufuca Dantas, foi e é o prefeito atual.

Hoje, com 28 anos, Fufuca é presidente da Câmara dos Deputados,
por uma semana, e virou piada nacional nas redes sociais e nos noticiários em geral, com direito até a uma paródia do hit “Japonês da Federal”, criação dos músicos campineiros. O assunto repercutiu imensamente na Assembleia Legislativa do Maranhão, onde as opiniões se dividem: discriminação contra um maranhense e jovem, para uns, e “maldição da cadeira de presidente da Câmara”, para outros. O exemplo da imprecação do assento é Waldir Maranhão e suas trapalhadas em 2016, por ocasião do impeachment de Dilma.

A maldição maior recaiu sobre o então presidente Eduardo Cunha, que conduziu o impeachment de Dilma Rousseff, apoiado com Fufuquinha, que o chamava de Papi, de tão comovente respeito. Depois ele foi cassado e preso em Curitiba, por corrupção. Na Alema, nenhum deputado saiu em defesa de Fufuca, hoje na condição de vice-presidente da República. O nome virou até o estranho verbo “fufucar”, além do apelido Kiko, do “Chaves”. Com as bochechas ainda mais rosadas, de raiva, Fufuca tentou sem sucesso colocar a reforma política em votação, mas faltou consenso. Enquanto isso, Brasília permanece shakespeariana, no ambiente dominado por fofoca, futrica e Fufuca.

Teto arrebentado

No entanto, tudo indica que o CNJ vai divulgar tais relatórios e recomendar providências quanto aos disparates constatados nos contracheques. Que, aliás, não são poucos em todo o país. O teto máximo é o salário dos ministros do STF, algo beirando os R$ 33,500 mil. Aqui no Maranhão tem gente quebrando é a barreira dos R$ 100 mil.

Caixa-preta

Terminou ontem o prazo dado pela presidente do Supremo
Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aos tribunais
superiores e estaduais de todo o país para informarem o salário e toda a remuneração, detalhada, dos juízes e funcionários. O TJ-MA, se fez o relatório, não o divulgou. E nem vai.