Arquivos diários: 20/03/2017

Começou aqui

A Lava-Jato começou há três anos com a prisão do doleiro Alberto Youssef em São Luís, num hotel da Ponta d’areia. Nem se imaginava que aquela operação ganharia a dimensão que chegou. Será que, no término, o Maranhão estará novamente contemplado?

Asfalto, já

Mudando de assunto: o bairro Cohaserma, encravado entre as avenidas Holandeses e Daniel de La Touche, pede socorro. As ruas pelas quais transitam os ônibus que servem aos núcleos habitacionais da área estão quase intransitáveis.

Agora lascou foi tudo!

Com a economia aos frangalhos,com seus pilares corroídos por operações policiais de repercussão mundial, o que vai ficar de pé no Brasil? A indústria da construção civil, que mais emprega, foi detonada e hoje claudica. Tão cedo não se soerguerá. Aeroportos e exploração de gás e óleo são vendidos às multinacionais.

Agora é a carne, ramo da economia que virou orgulho nacional e sustenta o PIB, também atacada na moleira. Vai sobrar o quê? Agora são atingidas as principais empresas de alimentos do Brasil, líder mundial na exportação de carne bovina e de francos, com vendas de US$
13,9 bilhões em 2016. Até joias de diamante entraram. Agora lascou foi tudo!

A prova dos nove

Se Flávio Dino lançar quatro candidatos ao Senado nas próximas eleições – José Reinaldo (PSB), Waldir Maranhão (PP), Weverton Rocha (PDT) e eventualmente Hilton Gonçalo (PCdoB) –, pode cair no mesmo erro de 2010. Naquele pleito, a oposição lançou José Reinaldo, Edson
Vidigal e Roberto Rocha, na época no PSDB e perdeu feio.

Em 2014, Roseana Sarney obteve 1,459 milhão de votos. Na oposição, Jackson Lago (PDT) e Flávio Dino (PCdoB), juntos, somaram 1,428 milhão de votos. A diferença, portanto, foi de apenas 31 mil votos. Já no Senado, Roseana levou tudo. Quando percebeu que a oposição tinha
três candidatos, ela lançou Edison Lobão e João Alberto.

Foi um erro que pode ter servido mais como lição do que a queixumes de José Reinaldo e Roberto Rocha, contra a estratégia errada de Jackson Lago, que levou uma tremenda surra de votos, dois anos após ser cassado. Hoje, os dois senadores estão em fim de carreira e de mandato. Nenhum fala o que vai fazer. Esperam Roseana decidir.

Roseana é candidata?

O Maranhão, insistentemente, faz essa pergunta. Roseana Sarney não responde, nem dá sinal de que esteja estimulada a concorrer a uma nova temporada no Palácio dos Leões, onde teve o comando do Maranhão por longos 14 anos. Durante sua carreira política, foi submetida a uma sucessão de cirurgias para tratar de doenças. Se conseguiu sarar totalmente os males que há anos a afligem de tempo
em tempo, só o médico Carlos Gama, que cuida mais de perto de seus sofrimentos, saberá dizer.

Em 1998, por exemplo, Roseana passou a campanha eleitoral hospitalizada, quando foi submetida a uma operação severa para retirada de nódulos no intestino, mas acabou vitoriosa, com a propaganda feita em vídeos. Foi a campanha em que a dor da candidata sensibilizou o eleitor. Quatro anos antes, elegeu-se como “primeira governadora do Brasil”, fato erroneamente registrado, que até hoje permanece. Na verdade, a primeira governadora foi Iolanda Lima Fleming, no Acre (1986/1987).

Depois de bater o recorde como chefe de um Estado, em 10 de dezembro de 2014, com Flávio Dino já eleito para sucedê-la, Roseana renuncia ao governo “por recomendações médicas”, pois “precisava se recolher para um descanso necessário, pelo bem da saúde”. Pois bem, passados dois anos e quatro meses, ela permanece muda sobre as eleições de 2018. Se ficou totalmente curada, se tem disposição para voltar às urnas, não diz. Se atende aos apelos de seus companheiros do grupo Sarney e do PMDB, ou se, definitivamente, pendurou as sapatilhas das eleições, emudece.

Em 2014, Roseana era governadora, tentou emplacar o secretário Luís Fernando, mas ele não topou por não lhe ter recebido as condições que precisava. Entrou o estreante Lobão Filho na parada. Com 16 partidos coligados, conseguiu quase um milhão de votos. Agora, o PMDB encolheu no Maranhão, perdeu em 2016 mais da metade dos prefeitos que tinha, e quem manda no Palácio dos Leões é Flávio Dino. Ele fez o PCdoB tornar-se uma força política inimaginável até pouco tempo no Maranhão e no Brasil. Mesmo assim, se entrar na disputa, Roseana, certamente, será a principal adversária de Dino, até porque não há outro nome de peso que o faça sequer coçar a cabeça.