Arquivos diários: 20/02/2017

“Pavor em Brasília”

Título-capa da revista Época, que resume tudo sobre como o governo brasileiro quase inviabilizou um acordo com autoridades suíças para investigar casos de corrupção da Lava- Jato. “É uma operação para erguer barreiras de contenção diante da avalanche que se avizinha com a abertura das investigações decorrentes da Odebrecht”, diz a publicação.

Dois bicudos…

Não chega nem ao grau de animosidade o clima entre o vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão, e o presidente da Juventude do PSDB, Samuel Jorge. Os dois estão perto do que se chama “vias de fato”. Brandão, presidente regional dos tucanos, quer levar Samuel ao Conselho de Ética. Este ainda faz troça de Brandão. Ora, pílulas!

Abrindo espaço

Os deputados estaduais Eduardo Braide (PMN), Josimar do Maranhãozinho e Edilázio Júnior (PV) já trabalham, abertamente, como pré-candidatos a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Querem repetir André Fufuca e Eliziane Gama em 2014. Eliziane foi campeã de votos e Fufuca, a surpresa.

Nova Litorânea

Tão logo seja homologada a licitação do prolongamento e reestruturação da Avenida Litorânea, as máquinas vão entrar em ação já em abril. As chuvas, segundo o presidente da Agência de Mobilidade Urbana, Artur Cabral, não vão atrapalhar porque as obras vão começar pela compactação, com pedras.

Voo descontrolado

Faltam 19 meses e poucos dias para as eleições gerais de 2018. Com tão pouco tempo pela frente, é impossível não se imaginar que o Brasil corre o risco de chegar àquelas urnas em situação tão assustadora quanto um Boeing 777, voando sem combustível. Basta olhar a guerra que se desenrola em Brasília, envolvendo os poderes da República e seus tentáculos numa crise política, com imprevisíveis desdobramentos
econômicos e sociais. Pode-se até tirar lições das eleições de 2016 e projetar um cenário que venha a quebrar a polarização histórica, desde 1994, PT-PSDB.

Com o PMDB na Presidência, é impossível admitir que o partido de Michel Temer não arrisque lançar candidato presidencial, nem que seja ele próprio. Não importa que o partido do governo e seu principal parceiro da derrubada de Dilma Rousseff estejam hoje, harmoniosamente, usufruindo o poder central e seus arranjos estaduais. O ano da desarrumação completa será 2018, com a Lava-Jato punindo (ou não) delatados do PMDB, do PT, do PSDB e as trupes de
cada qual. A Lava-Jato ou fica no meio do caminho, como muitos temem, ou vai redefinir, à sua maneira, o rumo das eleições de 2018.

No meio de tantas variáveis e atalhos, o ponto de referência que não pode ser subestimado é Michel Temer. Analistas políticos admitem pelo menos quatro variáveis: o sucesso ou derrocada do governo; PMDB ter ou não candidato em 2018; e os efeitos deletérios da delação da Odebrecht nos grandes partidos. Por ora, tucanos aparecem em vantagem, enquanto a esquerda procura se reorganizar, sendo que há
espaço para um outsider. Outro fator é a direita esganando o centro, com Jair Bolsonaro aparecendo nas pesquisas à frente do tucano Aécio Neves, e Lula liderando com folga.

No Maranhão, 2018 é um caso especialíssimo no Brasil, país dominado por políticos à moda antiga, com práticas coronelistas, latifundiárias, corruptas, dominadoras e conservadoras. No Palácio dos Leões, tem um governador do PCdoB, confrontando a política tradicional. Avança sem
denúncias de corrupção e desenvolve programas que aproximam o governo das camadas miseráveis e desassistidas. Por essas e outras, desagrada os mandachuvas de sempre – políticos, empresários e classe média do serviço público.

O grupo Sarney, pela reação, tudo indica que queria Flávio dando continuidade. É um governo que não agrada o status quo, porque não faz grandes obras. Porém, nem precisa ser cientista político para saber que o Maranhão precisa muito mais de ações que derrubem as desigualdades entre ricos e pobres, de escolas de verdade, do que de pontes e viadutos, para impressionar na capital. São fatores que tornam a disputa do governo estadual tão paradoxal quanto instigante. Autêntico para ou continua.