Arquivos diários: 09/02/2017

O ensaio geral

Até agora já são pelo menos cinco candidatos a governador do Maranhão em 2018. Isso só dos partidos ou grupos políticos com alguma chance de eleger o chefe do Executivo.Faltam 21 meses para as eleições, mas o tema já causa alvoroço.As duas vagas de senador,também. Até o prazo das convenções, em julho de 2018, esse movimento só tende a tornar-se cada vez mais frenético. Mesmo sabendo-se que a maioria dos nomes quer apenas aparecer nas mídias, enquanto o tempo passa.

Espécie de ensaio geral. Os políticos que se lançam hoje candidatos aos cargos majoritários no Maranhão amanhã não serão todos candidatos. Pode até não ser nada. Mas fazendo o que fazem projetam o nome e ganham notoriedade. Visibilidade na vitrine da loja de varejo. Ou não. Podem se quer ser levados a sério. Hoje aparecem como pré-candidatos a senador, amanhã podem ser candidato a deputado estadual.

Os pré-candidatos a governador que até agora se lançaram ou foram lançados, são: Flávio Dino, Roseana Sarney, João Alberto, Roberto Rocha, Maura Jorge. Do quinteto, apenas Flávio Dino, dono do cargo e que vai buscar um novo mandato,não tem relação com o grupo Sarney. O senador Roberto Rocha, que era dinista, maculou a relação e mudou de rumo. Hoje vive em linha de confronto com o aliado de 2014

Como Rocha não tem um grupo e a política do Maranhão está dividida entre sarneístas e flavistas, não há como carregar até a eleição um projeto de governo sem uma megaestrutura partidária e de grupo. E ele não demonstra ser nenhum fenômeno eleitoral capaz de disputar o Palácio dos Leões apenas com a bandeira do PSB, partido que nem candidato presidencial em 2018 deverá ter. Já se especula até seu
retorno ao ninho tucano, como amigo de Aécio.

Lobão no páreo

Os senadores Raimundo Lira, Marta Suplicy e Edson Lobão, este com o apoio de José Sarney, disputam a presidência da Comissão de Constituição e Justiça. Nenhum dos três abre mão do cargo, que dá muita visibilidade política e poder. O PMDB tem o direito à escolha antes das demais bancadas, por ser a maior.

Dupla representação

A deputada Valéria Macedo (PDT) é a primeira mulher a
ocupar o cargo de Procuradora da Mulher na Assembleia Legislativa. Empossada pelo presidente Humberto Coutinho, Valéria tem a função de ampliar a participação das deputadas nas atividades da Casa. O mandato vai até 2019.

Deputados pressionam por mais voos

Os deputados Marco Aurélio (PCdoB), Léo Cunha (PSC) e Wellington do Curso (PP) denunciaram ontem a redução dos voos com escala em Imperatriz, deixando a 2ª maior cidade do Maranhão isolada. Uma comissão deve ir a Brasília cobrar providências do presidente da Latam. O assunto virou debate de todas as entidades de classe de Imperatriz.

Acusando o governo

Andrea Murad em sessão na AL, em 2015
Andrea Murad em sessão na AL

A deputada Andrea Murad voltou do recesso com o mesmo afã de atiçar suas acusações contra o governo Flávio Dino. Já na segunda-feira, ela foi à tribuna classificar o governo de ser o “mais corrupto da história do Maranhão”. Andrea acusou até o colega Marco Aurélio, do PCdoB, de “cínico” e de defender “um governo incompetente”.

A resposta foi igualmente dura. De Marco Aurélio (PCdoB) para Andrea Murad. “Cinismo. É tudo o que se pode dizer. Puro cinismo. É querer encobrir que o pai (Ricardo Murad, ex-secretário de Saúde de Roseana Sarney) está sendo investigado pelo desvio de R$ 1 bilhão. É muito cinismo”. O tema do arranca-rabo: compra de medicamentos.

Por que não BRT?

Pelo que se conhece de transporte de massa, diante da falta de recursos e da logística cara de implantar a infraestrutura de trilhos, o mais adequado para o debate seria o BRT (Bus Rapid Transit). É um sistema de transporte de massa muito mais barato, rápido e confortável. Aproveitaria a duplicação da BR-135.

VLT esticado

O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) surgiu na campanha de prefeito de São Luís em 2012, com o titular do cargo, João Castelo. Ainda chegou a operar em curtos 600 metros na Praia Grande. E depois virou trambolho político sem dono. Em 2016, Eduardo Braide, candidato a prefeito, ressuscitou o debate.

A proposta do deputado-candidato era levar o VLT para à área rural, ligando Pedrinhas ao bairro São Cristóvão. Ontem, ele trouxe à discussão o mesmo “trem”. Só que desta vez com a linha do VLT ampliada. Ele apoia a ideia do prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, de levar o VLT até sua cidade, distante 78km.

Espuma de sabão

Os fatos relevantes da semana no país foram: a indicação, por Michel Temer, do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para o Supremo Tribunal Federal, uma das figuras mais polêmicas do governo. Depois foi o pedido do procuradorgeral da República, Rodrigo Janot, ao STF, para investigar os senadores do PMDB, Renan Calheiros e Romero Jucá, além do ex-presidente José Sarney e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado. Segundo Janot, o quarteto é acusado de criar embaraços aos investigadores da Lava-Jato.

Os peemedebistas são os caciques mais poderosos de Brasília, juntos, se quiserem, podem até emparedar Michel Temer, no Planalto, via Congresso Nacional. Mas isso é elucubração. Eles e seus aliados da República são detentores de foros ultraprivilegiados. Agora, muito mais, com a indicação de Alexandre de Moraes para revisor da Lava-Jato. E Janot sabe bem disso. Afinal, sua papelada ao STF é baseada naquelas gravações de Sérgio Machado com Sarney e outros. Em uma das conversas, Romero Jucá citou um suposto “acordo nacional” para “estancar a sangria dessa porra”. A Lava-Jato.

Como a cúpula do poder federal em Brasília está nadando só com o nariz de fora na enxurrada da Lava-Jato, é inegável que a parte mais difícil da operação ainda está por vir, que são as delações da Odebrecht, hoje sob sigilo no STF. Um alívio aos envolvidos. Portanto, investigar Sarney, Renan e Jucá parece mais requentar fatos sem muita substância. Michel Temer, repetidamente citado na primeira delação da Odebrecht, diz que está simplesmente tranquilo quanto aos desdobramentos.

Se alguém acha que o pedido de Janot preocupa também José Sarney, Renan (líder do PMDB) e Jucá (líder do governo), é perda de tempo. Sarney não tem mais nem idade, muito menos disposição para perder tempo com eventual obstrução a investigações. Outras tantas já foram arquivadas, inclusive contra sua filha, Roseana Sarney, no mesmo STF. Afinal, Sarney, Renan e Jucá foram todos aliados do PT, governaram com o PT, detonaram com o PT e hoje estão na República do PMDB. Se brincar, ainda levam Michel Temer à disputa da eleição em 2018. “Obstrução”, portanto, rima com espuma de sabão.