Tempero Apimentado

 

Jô Soares dizia que vice não fala. Mas isso foi no tempo da ditadura. Porém, na democracia, vice não só fala como negocia cargos, consome uma montanha de dinheiro e toma o poder do titular. No Maranhão vários vice-prefeitos estão hoje encarapitados na prefeitura e o titular respondendo processos na Justiça. Michel Temer nem se fala. Está tudo dominado para ele sair da interinidade e entrar pra história como o primeiro vice que derrubou a primeira mulher presidenta do Brasil.

O vice do Fernando Collor, Itamar Franco não fez nada para assumir. Mas ganhou meio mandato no Planalto. Collor foi derrubado pelo irmão Pedro Collor e os “caras pintadas” na rua. Agora, com o prazo das convenções municipais terminando amanhã, em vários municípios, os candidatos a prefeito ainda não escolheram o vice. Nem o prefeito de São Luís, Edivaldo Júnior tem o seu. Passa por uma espécie de “peneira” das conveniências.

eliziane_gamaSó ontem, a deputada Eliziane Gama (PPS) conseguiu obter o nome do tucano José Joaquim para companheiro de chapa, um vereador de longa carreira, ligada aos movimentos católicos e de conduta irrepreensível. Vai ser a chapa ecumênica, pois Eliziane é da Assembleia de Deus. Wellington do Curso vai fazer convenção amanhã, mas até ontem negociava com o PV seu vice “verde”.

O vereador Fábio Câmara deve concorrer com chapa puro-sangue, do PMDB, e sem aliança alguma. O vice é o coronel da reserva da PM, Flávio de Jesus. Seja como for, os vice estão sendo tratados como um sujeito esperto, de muito tempo para maquinar conspiração, então ou ser leal de tempo integral. Mas a lealdade de vice é uma lealdade meia tigela. Sempre falta algo na relação institucional. É um tempero pra lá de apimentado.

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