Arquivos mensais: Março 2016

Os maranhenses e o tsunami político

Outros maranhenses estão diretamente vivenciando e participando o desenrolar do tsunami político. O governador Flávio Dino (PCdoB) usa a força política com a qual se tornou o primeiro governador do Partidão, e ainda por cima derrotando os Sarney, para se manifestar e projetarse como uma liderança forte e perspicaz.

Sustentado na sólida base jurídica adquirida como advogado militante e juiz federal atuante, Flávio Dino não perde a oportunidade de criticar o que chama de golpe e até liderar, como faz no grupo dos governadores do Nordeste, contra o impeachment. Flávio olha o cenário de hoje, mas na perspectiva do futuro político.

No vendaval, também está o senador João Alberto, presidente do Conselho de Ética, órgão que vai decidir o que fazer com Delcídio do Amaral. E Waldir Maranhão, vice de Cunha, cujo futuro é incerto, em razão da Lava-Jato, que o encalacrou, e envolveu também o maranhense do PP.

Sarney dá ‘consultoria informal’ na Esplanada

sarneyNo ambiente de guerra política total, travada em Brasília, muitos tentam vislumbrar a figura do ex-senador, ex-presidente e ex-quase tudo, José Sarney. Segundo o neto dele, deputado estadual Adriano Sarney (PV), o avô ainda se recupera da cirurgia que fez no ombro. Isso, porém, não o torna indiferente ou distante do que se passa na política.

Sarney mantém aberta a porta da “consultoria informal”, que atrai praticamente todos os poderosos da República. Do PT ao PSDB, chegando aos caciques do PMDB, o ex-presidente conversa com todos. Semana passada, segundo Adriano, ele recebeu a presidente Dilma em sua casa para se aconselhar sobre a crise

Será como Deus quiser…

A semana santa começou tão grave no país como terminou a anterior e sem acender uma luzinha no fim do túnel sobre o horizonte político da próxima. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, mesmo com a corda do pescoço em via de perder o mandato, estrebucha como quem percebe um jeito de permanecer onde está. Toca a tom de caixa o processo de impeachment. No ninho tucano, a tensão é por um acordão com o PMDB de Michel Temer para, logo que ocorra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o PSDB esteja junto no governo. O tempo, portanto, corre tanto contra Dilma como contra a oposição.

O PSDB
De olho na disputa de 2018, o senador José Serra já estaria em negociação com Michel Temer para o pós-impeachment. O tucano quer do peemedebista compromissos dele não concorrer à reeleição, não interferir nas disputas municipais de 2016, não promover caça às bruxas e montar um Ministério “surpreendente”. Quer ainda que Temer, no poder, não retalie contra nenhuma força política e seja obrigado a chamar o PSDB para o novo governo e desprezar o PT. Na prática, isolar Dilma, Lula e mandar o PT para a oposição, sozinho, esquecendo-se de que a jararaca não foi morta.

O PT
No flanco esquerdo, a movimentação é tão ou mais intensa. Impedido pela Justiça de ocupar o cargo de ministro da Casa Civil, Lula atua de maneira informal pela articulação política. Ele também deve se reunir nas próximas horas com Michel Temer e com o presidente do Senado, Renan Calheiros, para tentar impedir o rompimento do partido com o governo. Essa ofensiva não descarta nem uma conversa de Lula com Eduardo Cunha,a voz mais implacável do impeachment no Congresso. Como se pode ver, Michel Temer está no meio da crise, se achando o seu maior beneficiário do momento.

Fora do Brasil
Fora do Brasil, também a crise repercute muito além do noticiário internacional. Depois que o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu reunião de emergência da União das Nações Sulamericanas (Unasul) para discutir a tentativa do impeachment contra Dilma, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, defendeu a continuação da Lava-Jato, porém, ressaltou que “a democracia não pode ser vítima do oportunismo, mas, sim, sustentada pelo poder das ideias e da ética”.

Susto
Defendeu o mandato de Dilma Rousseff e criticou as tentativas de tirá-la do cargo sem fundamento jurídico. Os tucanos se assustaram com a pesquisa do Datafolha (domingo), em que Marina Silva lidera a disputa de 2018, com 21% num dos cenários; Aécio Neves, 19%, e Lula, 17%. No empate técnico. Agora, os líderes do mesmo PSDB que criou a reeleição a preço de ouro, agora querem acabar com ela. A medida permitiria aos tucanos apoiarem a um eventual governo Temer até 2018 sem que o peemedebista pudesse se reeleger, o que “zeraria” o jogo da sucessão presidencial. Até lá, será, então, o que Deus quiser. A crise está no STF. Portanto, os ministros togados serão os protagonistas políticos desta semana.

O japonês não é flor que se cheire

Realmente, o Brasil está encalacrado numa crise de extensão e abrangência inimaginável. Até o famoso “japonês da Federal”, que virou celebridade, máscara no carnaval e coro nas manifestações, por algemar famosos na Lava-Jato, pode sair da operação.

O famoso agente Newton Ishii já foi preso e condenado, e o recurso contra a condenação foi negado pelo STJ. Agora, o delegado que conduz a operação, Igor Romário de Paula, analisa a possibilidade de Ishii continuar algemando milionários na Lava-Jato.

A matemática das ruas

Viraram folclore, com elevado grau de descrédito, os cálculos matemáticos usados para contar gente nas manifestações de rua pelas capitais brasileiras nesse ambiente de crise radicalizada e os mais afoitos querendo ser os primeiros a acender o pavio da bomba. As emissoras de TV cansam a paciência de sua audiência tentando comparar o que diz a Polícia Militar e os organizadores dos atos políticos, nos quais ninguém acredita nem numa vertente nem na outra. Até pior do que as pesquisas sobre as eleições.

Galhofa
Elas caíram totalmente na galhofa. A polícia também tem controle político, como a de São Paulo, do governo tucano de Geraldo Alckmin. Ou Minas Gerais, do governo petista de Fernando Pimentel. Já os organizadores também têm todo interesse em inflar, descaradamente, os números como quem pretenda com eles atingir a meta de derrubar ou de manter a presidente Dilma no Palácio dos Leões.

Sem conclusão
No dia 13, o Datafolha calculou 450 mil pessoas na Avenida Paulista, epicentro das manifestações, enquanto emissoras de TV falaram até em 2,5 milhões de pessoas. Seja como for, ninguém tira conclusão alguma sobre a importância desses números. Até porque, comparandoos às manifestações das ‘Diretas Já’ e depois, no impeachment de Collor, os “caras-pintadas” eram mais vigorosos, porque era a maioria formada por jovens.

Parece piada
Agora, parece até piada. Os idosos são “caras-pintadas”, mostrando que o Brasil deixou de ser “um país jovem” e passou a ser de aposentados reclamando por reajuste do INSS. O que divide agora os rueiros são classes sociais. As manifestações do dia 13, por exemplo, a esquerda atenta, mas distante, não contou pobres e negros nem para dizer que eles são 52% da população brasileira. Mas magistrados, empresários e classe alta e branca. Já os atos pró-Dilma Rousseff e pró-Lula, no dia 18, a peãozada, como chamou o próprio Lula, foi em peso. E quando se fala em peão, Lula e todos sabem que a referência é ao povão e não “coxinhas” das bandeiras “dos partidos do golpe”, como garante o PT e aliados.

PCdoB agora é o ‘big’ da AL

No Maranhão, quem manda é o governo. Prova disso é que o (ex)nanico PCdoB hoje é o maior partido da Assembleia. Dobrou a bancada no fechar da “janela” da reforma política. O partido de Flávio Dino elegeu Marco Aurélio, Raimundo Cutrim e Othelino Neto. E ganhou Levi Pontes, Ana do Gás e Francisca Primo, que deixou o PT. Todos deputados que decidiram se encostar no calor do poder. Agora, imagina os prefeitos?

O retorno de Eliziane

eliziane_gamaMesmo sendo mandato eletivo, mas falando em nome da Rede, a ex-senadora Marina Silva soltou nota à imprensa, pregando “serenidade e, acima de tudo, o respeito às instituições democráticas”. A Rede era o partido da deputada federal Eliziane Gama. Marina, porém, critica Dilma e Lula, de quem foi ministra, e defende novas eleições, com ela disputando, obviamente.

Eliziane saiu do partido da “ex-amiga” Marina e deve retornar ao PPS ainda nesta semana, de onde saiu após eleita. A deputada é candidata à Prefeitura de São Luís, mas encontrou uma pedreira barrando a sua entrada no PSB, onde Bira do Pindaré se coloca como o nome da disputa municipal.

Dino não fica calado

Dos governadores que assinam o manifesto contra o processo de impeachment de Dilma, Flávio Dino tem sido o mais duro no combate aos excessos cometidos pelo juiz Sérgio Moro. Tanto por redes sociais, quanto por entrevistas e artigos, Dino não fica calado. Tem reagido sempre.

Segundo Dino, “os grampos que não têm relação com fatos investigados devem ser destruídos”. “É o que diz a lei”, repica o ex-juiz Dino, aprovado em primeiro lugar no Brasil no mesmo concurso de Moro. Portanto, são contemporâneos de toga.

Nordeste contra o impeachment

Os nove governadores do Nordeste voltaram, novamente unidos, a repudiar a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, decidida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os chefes de governo da região que mais cresce no Brasil (3,7% do PIB em 2014, contra 0,1% do Brasil) classificaram de absurda a tentativa de mergulhar a nação em tumultos derivados de um “indesejado retrocesso institucional”.

Desvio de finalidade
Eles lembram que “a decisão de abrir o tal processo de impeachment decorreu de propósitos puramente pessoais, em claro e evidente desvio de finalidade”. Os governadores recorrem ao passado histórico recente do Brasil para dizer que “gerações lutaram para que tivéssemos plena democracia política, com eleições livres e periódicas, que devem ser respeitadas”. E asseguram que o processo de impeachment, por sua excepcionalidade, “depende da caracterização de crime de responsabilidade tipificado na Constituição, praticado dolosamente pelo presidente da República. Isso inexiste no atual momento brasileiro”.

Extremo
Como o momento chegou ao extremo da gravidade, a luta pela democracia deve ser a luta todos para todos. O juiz Marcelo Semer, da Associação Juízes para a Democracia interpreta a crise como demasiadamente grave: “Há um estado policial que está desalojando o Estado Democrático de Direito no país”. E acrescenta que quando “um juiz ouve a voz das ruas e silencia a da Constituição, ele destrói o Estado Democrático”.

Editorial
Em editorial Folha de S. Paulo diz ser imperioso combate à corrupção, entretanto, “não pode avançar à revelia das garantias individuais e das leis em vigor no país”. Tal lembrança deveria ser desnecessária num Estado Democrático de Direito, “mas ela se torna relevante diante de recentes atitudes do juiz federal Sergio Moro. Talvez contaminado pela popularidade adquirida nos protestos, Moro despiu-se da toga e fez o povo brasileiro saber que se sentia tocado pelo apoio às investigações”. Ocorre que as investigações não são conduzidas pelo magistrado.

Prisão de Lula e a detonação de Flávio Dino

Governador Flávio Dino (PCdoB) detonou com a ação de três promotores de São Paulo, que pediram a prisão preventiva do ex-presidente Lula. “O pedido não tem a menor consistência técnica. Pura sociedade do espetáculo”, disparou.

Dino, que já se manifestou sobre essa matéria em outras oportunidades, foi mais duro agora:”Não se trata de defender Lula, mas sim de defender a Constituição e o Estado de Direito” E aproveitou para fazer uma provocação: “Em breve alguém vai pedir a prisão preventiva dela: da Constituição”.

Na mesma linha de raciocínio de Flávio Dino, os colunistas Merval Pereira e Ricardo Noblat, de O Globo, detonaram com os promotores de São Paulo. O primeiro disse que as argumentações sobre o pedido de prisão de Lula “têm mais cunho político do que jurídico”.

Já o Noblat foi mais incisivo: “Os três jovens e tolos estão à procura dos seus 10 minutos de fama de uma nota de rodapé em futuros livros de História”. E acrescenta que a peça “é vazia, embora apenas prenhe de adjetivos barulhentos e inócuos. É panfletária. E sequer disfarça a má vontade que seus autores devotam a Lula”.