Desamparados

Brasília tornou-se palco de diversas manifestações de estudantes, indígenas e quilombolas de todo o país. Eles protestam por políticas públicas de acesso, principalmente, a permanência no ensino superior. Suas bolsas de custeio entraram nos cortes do governo Michel Temer. Quem está dentro não recebe e quem está fora não consegue entrar
no programa.

Fichas limpas

Já entre os deputados da bancada do Maranhão, 15 dos 18 foram pré-selecionados no mesmo concurso anual em que são eleitos os melhores parlamentares. Só entra quem não responde a processos na Justiça por corrupção, improbidade ou outros crimes. A votação já está acontecendo no sítio do site.

Quatro em três

O Maranhão tem quatro senadores: Edison Lobão, licenciado, mas com os benefícios do mandato; o suplente Heber Waldo Silva Costa, o “pastor Bel”, da Assembleia de Deus; João Alberto; e Roberto Rocha. Dos quatro, só Lobão não está na lista preliminar do site Congresso em Foco disputando prêmio de “melhores”, em voto dos internautas.

Suplente endinheirado

O ex-deputado federal Clóvis Fecury ganhou a primeira suplência do candidato ao Senado Sarney Filho. Ele repete o pai, Mauro Fecury, presidente da Uniceuma, Euma, Famaz, Unieuroe Ceupi, no Maranhão, Pará, Piauí e Distrito Federal, que também já foi suplente. Clovis é o 1º suplente do senador João Alberto.

Papos sem cabeça

Os políticos estão zanzando por todos os recantos do Maranhão, antecipando a campanha eleitoral que terá apenas 52 dias. Até por onde não anda ninguém, eles andam. Desde que tenha alguém que vota. Lugares distantes onde a manhã acorda cedo e a noite dorme de olhos abertos e barriga roncando. É a pré-campanha eleitoral. Os primeiros
encontros manhosos, tipo “namoro ou amizade?”. Política matreira que precisa ser manhosa para conhecer a alma do eleitor. O caboclo desconfiado, arredio, mas franco no dizer o que pensa.

Roseana Sarney viajou no fim da semana passado para a Baixada Maranhense. Foi e veio sem fazer barulho. A região é considerada a mais pobre do Maranhão. E não é especulação. Em 2017, o IBGE revelou em pesquisa que a miserabilidade social contínua permanece grudada em 396 mil pessoas. Isso, na miséria absoluta. Roseana governou o Maranhão por 14 anos e deve conhecer mais do que ninguém os números sobre a condição social de seus eleitores. Talvez não conheça a mágica que faz uma família sobreviver com até meio salário. Pouco mais de R$ 400 mensais.

Debater isso deveria ser o papo cabeça não só de Roseana, mas também de Flávio Dino, Roberto Rocha e Maura Jorge. Afinal, eles querem governar o Maranhão. Um papo cabeça improvisado poderia fornecer mais elementos dessa incrível matemática financeira da miséria. Qual a estratégia de não morrer de fome com renda tão diminuta? Ao invés
de buscar resposta para perguntas essenciais, os políticos gastam tempo e recursos se acusando – um apontando com o dedo sujo a sujeira do outro. Mas ninguém quebrou o paradigma. O de Maranhão ter o maior potencial do Nordeste e não conseguir deixar de ser o estado mais pobre da região mais pobre do Brasil.

O eleitor está cansado – demasiadamente cansado de ouvir mentiras. Conversa para boi dormir. De conversa oca. Em 2018, ele quer um “papo cabeça” com os candidatos. Se o Maranhão tem tanta riqueza nas mãos de tão poucos, por que tantos milhões de maranhenses não têm nada? Se ninguém, em nenhum lugar, evolui sem ensino de qualidade, por que o Maranhão está cheio de escolas de taipa, só agora transformadas em escolas decentes? Como matar a fome do povo se esse povo não tem escola que o ensine a mudar o padrão de vida? O eleitor quer ouvir dos candidatos respostas para essas e tantas outras perguntas que os
políticos sempre escamoteiam. São respostas que dizem respeito à vida de quem mora bem longa da Península da Ponta d’Areia em São Luís.

Nó cego

Aparentemente, a chapa majoritária de Flávio Dino está completa, faltando apenas os suplentes de senador. Mas a realidade é outra. O PT ainda quebra lanças para indicar um candidato a senador ou até mesmo o vice-governador, que Dino já definiu manter Carlos Brandão.

Situação embaraçosa também vive a candidata Roseana Sarney (MDB) e o tucano Roberto Rocha. Roseana indicou o irmão Zequinha para o Senado e guarda, como reserva de contingência, a outra para eventual cooptação de alguém do grupo Dinista. Já Roberto Rocha nem é bom falar, pois José Reinaldo está com jeito de quem sobrou para Waldir
Maranhão,ou Alexandre Almeida.

Fora da curva

O senador Roberto Rocha, presidente regional do PSDB, tem andado pelo interior do Maranhão, cabalando voto para sua candidatura ao governo, mas sem nem a sombra de José Reinaldo por perto. Quem está marcando presença é o deputado federal Waldir Maranhão e o estadual Alexandre Almeida. Foi assim, nesse fim de semana, na Baixada.

Enrolado todo

O deputado federal José Reinaldo virou um fenômeno de incredulidade na eleição de 2018. Pré-candidato a senador, ele já “rodou” vários partidos até acampar no PSDB com a proposta de concorrer ao Senado Federal. Mas as coisas têm dado tão errado, que nem no ninho tucano ele tem mais a garantia da eleição majoritária.

Sonhos das “zebras”

Copa do Mundo, para quem está de fora, é a perfeita ocasião para sonhar com o triunfo dos excluídos da bola, as “zebras”eventuais, os esforçados bailarinos africanos ou asiáticos. No Brasil, também tem muitos sonhos triunfantes dos excluídos de urnas, como a presidenciável do PMN, Valéria Monteiro, que anda em campanha pelo Brasil sem ninguém ao redor.

Futebol descolorado

Com a Seleção Canarinho estreando desengonçadamente na Copa do Rússia, ao empatar com Suíça, para quem os milhões de brasileiros que se aglomeram diante da TV e os 72,5 mil que foram gastar milhões de dólares no país de Vladimir Putin vão torcer de agora em diante? Aquele empate, para um país cuja tradição é relógio de fama e não a bola em Copa do Mundo, só fez exasperar a sensação de descrédito em tudo,
diante da crise que assola o Brasil.

O Brasil perdeu, definitivamente, a condição de queridinho dos fãs do futebol, aqueles que pelo mundo afora viam a Seleção verde-amarela como um ajuntamento único de gênios do futebol, em contraposição ao retrancado “futebol de resultado”, a excelência do “jogo bonito”. Vale lembrar, como bem fez o jornal inglês The Guardian, do filme A Copa, de 1999, dirigido por Khyentse Norbu Rimpoche. Mostra as artimanhas
de dois monges noviços para burlar a vigilância do mestre budista e assistir à final da Copa de 1998, na qual torciam para o Brasil do convulsionado Ronaldo, o fenômeno.

Mas isso foi ainda no ocaso do século 20. Os tempos são outros, e o futebol xodó do mundo também mudou. Assim como nenhum brasileiro esquece histórica Copa do México em 1970, também vai ficar na memória dos tempos modernos o alarido e vexaminoso 7 a 1 em casa para a Alemanha. Quando faltam menos de quatro meses para as eleições presidenciais, os brasileiros estão muito mais interessados em fazer uma limpeza na política pela urna, do que chorar por fracasso
futebolístico, que não enche barriga de ninguém.

Tão perto da eleição presidencial e tão longe de se imaginar quem estará envergando a faixa do poder central no próximo dia 1º de janeiro. No Maranhão, ninguém faz os famosos “bolões” sobre os jogos da Copa. Todos estão interessados é em saber se o time de José Sarney, com seu meio século de mandonismo, vai retomar o Palácio dos Leões, ou se Flávio Dino montará uma retranca impenetrável e permanecerá com o troféu das urnas, conquistado, historicamente, em 2014. Esse sim é o campeonato que interessa de perto a todos os maranhenses e os brasileiros. A vitória das urnas do dia 7 de outubro no Planalto e no Palácio dos Leões.